EMBAIXADA
DE ISRAEL
Visita
do Presidente Lula a Israel
Seleção
Especial de Notícias de
13 a 17 de
março de 2010
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Presidente Lula em Israel - Sábado e Domingo, 13 e 14/03/2010
Presidente Lula em Israel – Segunda-feira, 15/03/2010
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Brasil Econômico: Lula inicia visita histórica ao Oriente Médio –“Interesse brasileiro por mediar a discussão entre
israelenses e palestinos e questão nuclear do Irã são destaques na pauta.”
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Brasil Econômico: Comitiva abre oportunidades de negócios – “Cerca de 70 empresas brasileiras buscam parcerias e
negócios em Israel, estimuladas pelo acordo de livre comércio firmado
pelo país com o Mercosul e pelo projeto israelense de ampliar em US$ 1 bilhão
seus investimentos produtivos no Brasil.”
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A Tarde: Lula pede a Israel mais mediadores para negociar paz
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Gazeta Online: Lula pede que Israel faça esforços pela paz
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Folha de S. Paulo: Lula chega a Israel com pedido por
"reflexão" - “Ao
iniciar visita, governo brasileiro evita palavras duras em meio à tensão entre
israelenses e americanos em torno do processo de paz”
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O Estado de S. Paulo: Tour estimula investimentos – “Cerca de 70 empresas brasileiras buscam parcerias e
negócios em Israel, estimuladas pelo acordo de livre comércio firmado pelo país
com o Mercosul e pelo projeto israelense de ampliar em US$ 1 bilhão seus
investimentos produtivos no Brasil.”
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O Estado de S. Paulo: Lula é recebido por Peres em visita oficial a
Israel – “O presidente também deverá se
encontrar com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas”
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O Estado de S. Paulo: Para Lembrar: País auxiliou na criação do
Estado de Israel – “Um dos principais articuladores da
votação da ONU que determinou, em 1947, a chamada “partilha da Palestina” –
criando o Estado de Israel ao lado de um país árabe que nunca chegou a existir
– foi o diplomata brasileiro Osvaldo Aranha.”
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O Globo: Ação em duas frentes - “Lula chega a Israel com promessa de buscar compromisso
nuclear do Irã e união de palestinos”
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O Globo: Entrevista: Acordo pode contribuir para paz - “Ministro da Indústria e Comércio de Israel, Binyamin Ben
Eliezer, é um dos mais veteranos políticos do país. Ele já participou de várias
rodadas de negociações de paz com Israel.”
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Zero Hora: Região atrai empresários brasileiros
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Zero Hora: Opinião: O mediador global – “A gente lê e não acredita: o presidente Lula está em
Israel para mediar a crise entre palestinos e israelenses. E é encarado tanto
pelo governo de Israel quanto pela França, os Estados Unidos e a Rússia como
importante mediador global e ensarilhador de tensões.”
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Agência de Notícias Brasil-Árabe: Entrevista com Lula: Presidente
leva empresários para 'garimpar' negócios – “Lula vai a Israel, Palestina e Jordânia acompanhado de uma
delegação empresarial. Para ele, o resultado dessas missões 'tem sido
extraordinário'. O Brasil pode ajudar no desenvolvimento palestino”
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Agência de Notícias Brasil-Árabe: Mundo precisa de diálogo sincero,
diz Lula – “Dias antes de viajar ao Oriente
Médio, o presidente brasileiro afirmou que 'o mundo está carente de governança'
e defendeu negociações diretas entre líderes dos países em conflito na região.”
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Valor Econômico: Brasil espera Israel mais aberto a negociar paz
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G1: Em Israel, Lula defende mais países nas negociações de paz – “Presidente discurou ao lado de Shimon Peres. 'Por ser uma
tarefa difícil é importante que se ouça mais gente', disse.”
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Estadão.com.br: Brasil traz 'elemento novo' para processo de paz,
dizem analistas no EUA
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Último Segundo: Com Lula em Jerusalém, rumores ameaçam a paz na
região
Presidente Lula em Israel – Terça-feira, 16/03/2010
Presidente Lula em Israel – Quarta-feira, 17/03/2010
Lula firma acordo econômico antes de
ida ao país
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia amanhã seu giro pelo Oriente
Médio com uma boa notícia para Israel, na área econômica, mas com um discurso
que deve desagradar os governantes israelenses.
O acordo de livre comércio entre o Mercosul e o país entrará em vigor para o
Brasil no dia 4 de abril. Lula assinou o documento em janeiro, mas só na semana
passada "depositou" sua concordância com o começo de relações comerciais
entre Mercosul e Israel, no Paraguai (depositário das ratificações feitas pelos
países do bloco).
O Uruguai foi o primeiro a aderir ao acordo, no ano passado. Ainda faltam
Paraguai e Argentina assinarem o documento, mas isso não impede que Brasil e Uruguai
mantenham relações comerciais com Israel sob as regras do Mercosul.
Segundo o Itamaraty, o intercâmbio comercial do Brasil com Israel saltou de US$
440 milhões, em 2002, para US$ 1,6 bilhão, em 2008 -volume que pode crescer com
o novo acordo, o primeiro do Mercosul com um ator extrarregional.
Se no plano econômico a relação vai bem, na esfera diplomática as divergências,
principalmente sobre o Irã, devem se manter com a viagem, a julgar por
entrevista dada por Lula ao jornal israelense "Haaretz".
Embora tenha dito aos jornalistas que advertiu o presidente iraniano Mahmoud
Ahmadinejad de que não insistisse em negar a ocorrência do Holocausto, Lula
insistiu no diálogo como caminho para dissuadir Teerã de tentar obter a bomba
nuclear, posição radicalmente oposta à de Israel, que prega duras sanções
contra o país.
"[Quem sai] comparando Hitler ao Ahmadinejad, ao Irã de hoje, está tendo o
mesmo comportamento radical que acha que o Irã tem. Então, uma pessoa que age
assim não está contribuindo em nada para o processo de paz que queremos
construir para o futuro. Não é possível fazer política com ódio e com
ressentimento. Quem quiser fazer política com ódio, com ressentimento, saia da
política, porque senão será um péssimo governante", chegou a dizer Lula,
questionado se pregaria o diálogo também com Adolf Hitler nos anos 30.
Lula defendeu a entrada do Brasil nas negociações de paz no Oriente Médio.
"Tenho conversado com os presidentes dos principais países do mundo,
sobretudo os que fazem parte do Conselho de Segurança da ONU, e sinto que todos
desejam construir o processo de paz no Oriente Médio. Mas eu sinto, também, que
os interlocutores já estão um pouco desgastados na negociação. E me pergunto se
não é necessário encontrar outros interlocutores.
Profeta fora de sua própria terra
Presidente diz ter chamado atenção de Ahmadinejad e
prega entendimento
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva revelou, em entrevista concedida ao
jornais israelenses “Haaretz” e “The Marker”, além de à Agência de Notícias
BrasilAacute;rabe (Anba), ter pressionado o presidente do Irã, Mahmoud
Ahmadinejad, a reconhecer o Holocausto e aceitar a existência de Israel. Na
entrevista, Lula também afirmou ter dito a Ahmadinejad que o Brasil é contra a
construção de uma bomba atômica e que é signatário do Tratado de Não
Proliferação de Armas Nucleares (TNP).
“O Irã não pode continuar falando que vai destruir o Estado de Israel. Da mesma
forma que disse ao presidente Ahmadinejad que é inconcebível negar o
Holocausto: ele existiu, está incrustado na mente da Humanidade, e o fato de
você ter divergência com o Estado de Israel não precisa te levar a negar a
História ou a desconhecer a História”, disse o presidente.
A primeira pergunta foi disputada entre os três repórteres num par ou ímpar, em
quatro rodadas, sugerido por Lula. Num texto bem-humorado, o editor de
Internacional do prestigiado “Haaretz”, Adar Primor, classificou Lula de “o
chefe de Estado mais popular da História” e “profeta do diálogo”. O repórter
afirma que Lula se descreve como “um negociador, não um ideólogo”, que consegue
desenvolver um bom relacionamento com personalidades como o presidente
venezuelano Hugo Chávez, o ex-presidente americano George W. Bush, o presidente
israelense, Shimon Peres, e Ahmadinejad.
Apesar dos elogios, o “Haaretz” lembra que o Brasil e outros cinco países foram
contra a condenação ao Irã na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Além disso, ressalta que Lula foi um dos primeiros chefes de Estado a receber
Ahmadinejad após as eleições presidenciais de 2009, marcadas por protestos
sangrentos — que resultaram na condenação à morte de alguns opositores ao
regime — e denúncias de fraudes.
Lula saiu em defesa do líder iraniano, ao dizer, na entrevista, que Ahmadinejad
não pode ser comparado a Hitler e aos nazistas. “Qualquer um que siga esta
linha não está contribuindo com o processo de paz que nós queremos criar para o
futuro. Não se pode fazer política com ódio e ressentimento.” Na entrevista,
Lula disse que tem conversado sobre o Irã com os presidentes dos principais
países do mundo, sobretudo os membros do Conselho de Segurança da ONU. Em sua
opinião, é preciso encontrar novos interlocutores nesse processo. O presidente
também voltou a criticar a ONU, alegando que é preciso modernizá-la.
No texto da entrevista no “Haaretz”, o jornalista Adar Primor também afirma que
Lula “diz não ter livro nenhum livro na vida”. Presente à entrevista, feita em
São Paulo na terça-feira, o repórter do suplemento econômico “The Marker”, Avi
Ben Eli, Informou ao GLOBO que o presidente não fez esse comentário na
entrevista.
— Lula não disse essas palavras. Mas recebemos material de arquivo no qual esse
assunto aparecia — explicou Ben Eli. (Eliane Oliveira e Daniela Kresch)
Lula é chamado de O profeta do diálogo
Em entrevista concedida aos jornais Haaretz,The
Marker e à agência Anba, antes de sua viagem ao Oriente Médio, marcada para
amanhã, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, criticou a ONU e
defendeu instituições multilaterais com mais “representatividade” para que suas
decisões sejam respeitadas.
– Se a ONU tivesse a força que precisa, poderia ser a grande articuladora do
processo de paz no Oriente Médio. disse Lula. – Da forma em que está não pode,
pois a composição do Conselho de Segurança não representa a geopolítica do
século 21.
Precisa-se de “alguém que tenha neutralidade para falar a verdade aos israelenses,
para dizer a verdade a palestinos, iranianos, sírios, e para quem queira ouvir
a verdade”, continuou Lula, que pleiteia para o Brasil uma cadeira como membro
permanente do Conselho de Segurança.
Uma reportagem publicada ontem no israelense Haaretz classifica Lula de
“profeta do diálogo”, pela defesa das negociações diplomáticas em busca da paz
na região. Mas o texto observa que o líder brasileiro foi um dos primeiros a
receber Ahmadinejad após as contestadas eleições iranianas de junho, e que o
Brasil se abstive na votação da Agência Internacional de Energia Atômica pela
condenação de Teerã.
O autor da reportagem participou de uma entrevista concedida por Lula a dois
jornalistas israelenses e um árabe, e diz que essa característica de Lula
transpareceu até na hora de escolher quem faria a primeira pergunta: uma
disputa de par ou ímpar.
A reportagem comenta que Lula se descreve como “um negociador, não um
ideólogo”, capaz de se relacionar com Hugo Chávez e George Bush, Shimon Peres,
e Ahmadinejad.
Conexão diplomática
Silvio Queiroz
Nunca na história desses países…
Como responderá Lula às inevitáveis perguntas da imprensa sobre o programa
nuclear iraniano e a expansão das colônias judaicas em Jerusalém Oriental?
Israel esperou quase 62 anos pela primeira visita oficial de um presidente do
Brasil, o país cujo chanceler — Oswaldo Aranha, na época — presidiu a sessão da
ONU em que foi criado o Estado judeu. A deferência prestada a Lula pela
imprensa israelense dá a medida da expectativa com que ele será recebido, a
partir de amanhã, para encontros com o colega Shimon Peres e o premiê Benjamin
Netanyahu. E não há segredo quanto aos temas que dominarão as conversas: o
emperrado processo de paz com os palestinos e a aproximação do Brasil com o
Irã.
As perguntas, a esse respeito, são sobre como se sairá o presidente, que estará
novamente sob atenta observação internacional, possivelmente ainda maior que a
dispensada à sua recente passagem por Cuba. O Itamaraty e a chancelaria
israelense coincidem na avaliação de que as diferenças de ponto de vista são
incontornáveis, e serão tratadas com o mesmo respeito observado durante a
visita de Hillary Clinton a Brasília. Em público, porém, surge a incógnita da
imprensa: como responderá Lula às inevitáveis perguntas sobre o programa
nuclear iraniano e a expansão das colônias judaicas em Jerusalém Oriental?
“Nem a Hillary”
Na intimidade dos gabinetes, o que se espera é que o presidente reitere a conhecida
posição brasileira sobre a questão iraniana. Inclusive uma ponderação que toca
em ponto sensível: a lembrança de que Israel, afinal, se recusa a desmentir que
disponha de ogivas nucleares — e é de total conhecimento público que não lhe
faltam mísseis capazes de despejá-las sobre o Irã. A coluna ouviu de um
diplomata diretamente envolvido na formulação da política brasileira para a
região que, embora se oponha resolutamente à proliferação das armas atômicas, o
país não ignora o fato de que o país dos aiatolás “está cercado por potências
nucleares”. Além da vizinhança com as ogivas e os mísseis de Israel, do
Paquistão e da Rússia, o regime iraniano convive com a presença militar
americana a leste (Afeganistão) e oeste (Iraque) de seu território, sem falar
no Golfo Pérsico.
Pelo lado israelense, a expectativa foi descrita de maneira algo resignada,
quase lacônica. “Se a Hillary veio e não adiantou nada…”, comentou uma fonte,
remetendo-se à tentativa (mal-sucedida) da secretária de Estado americana para
convencer o governo brasileiro a apoiar, no Conselho de Segurança da ONU, uma
nova rodada de sanções à República Islâmica.
Rua Brasil
É inescapável o contraste com o clima que cerca a segunda escala de Lula no
Oriente Médio. Na visita de dia e meio aos territórios palestinos, o presidente
vai também inaugurar a Rua Brasil, em Ramallah, nas imediações do complexo onde
funciona a Autoridade Palestina. Por sinal, em ano de Copa do Mundo as camisas
da Seleção Brasileira fazem ainda mais sucesso entre os meninos palestinos e
israelenses. À parte a simpatia com que o país é visto, nunca será demais
observar que Brasília deve trazer lembranças agradáveis ao presidente da AP,
Mahmud Abbas. Em 2005, poucos meses depois de ter assumido a cadeira do
patriarca Yasser Arafat, Abbas veio para a 1ª Cúpula América do Sul - Países
Árabes. Saboreou aplausos prolongados e uma sucessão de discursos ardorosos em
favor do Estado palestino.
Nosso homem em Havana
Serve como conselho, nas últimas horas antes que Lula entre em cena em um dos
palcos mais notórios e traiçoeiros da política global, a repercussão estridente
das declarações do presidente sobre os presos políticos cubanos. A comparação
entre eles e os criminosos comuns que coordenaram dos presídios uma onda de
ataques à polícia de São Paulo, em 2006, fez mais do que arranhar o prestígio
internacional do “cara”. Deixou claro que, talvez como nunca antes na história
deste país, política externa será tema para a oposição na campanha
presidencial, no segundo semestre. Palavras, reticências e omissões serão
esquadrinhadas minuciosamente.
Três ministros irão acompanhar
Lula na viagem a Israel
Os ministros das Relações Exteriores, Celso Amorim, do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, e da Secretaria de Comunicação
Social, Franklin Martins, acompanharão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
nas viagens que ele fará, a partir de domingo, a Jerusalém, em Israel, aos
territórios palestinos ocupados e a Amã, na Jordânia. Os decretos designando a
delegação que acompanhará o presidente foram publicados no Diário Oficial da
União de hoje.
Além dos ministros, integram a comitiva o governador da Bahia, Jaques Wagner
(PT), e a primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva, esta sem ônus para o
setor público. As viagens terão ainda um convidado especial, Sérgio Xavier
Ferreira, além da presença de cada embaixador do Brasil na localidade a ser
visitada.
A viagem internacional do presidente começará por Jerusalém. Em seguida, na
terça-feira, Lula deverá seguir para os territórios palestinos ocupados e, nos
dois dias seguintes, o presidente brasileiro estará em Amã.
Em entrevista ao
"Haaretz", Lula volta a defender diálogo com Irã
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou defender o diálogo com o Irã
em entrevista publicada nesta sexta-feira pelo jornal israelense
"Haaretz". Nas declarações, Lula disse que não se pode permitir que
aconteça no Irã o que aconteceu no Iraque, e que, antes de impor mais sanções a
Teerã, é preciso que se faça um esforço real pela paz no Oriente Médio.
"Eu conversei sobre o Irã com muitos líderes, particularmente aqueles
cujos países têm assentos permanentes no Conselho de Segurança da ONU",
disse Lula ao jornal israelense "Os americanos, os franceses, os
britânicos, os russos e os chineses, todos querem avançar no processo de paz no
Oriente Médio. Mas eu sinto que as partes envolvidas no processo estão
cansadas. Chegou a hora se se apresentar novas ideias, que envolvam tanto
Israel quanto os territórios palestinos, o Irã, a Síria, a Jordânia e outros
países", disse Lula.
"Esse é o único caminho para se avançar na paz entre israelenses e
palestinos, e de dizer ao Irã que somos contra a produção de armas nucleares. É
preciso olhar uns para os outros".
Lula disse ainda que sua "tese pessoal" é que "não se pode
permitir que o que aconteceu no Iraque aconteça também no Irã".
"Antes que sanções sejam impostas, precisamos fazer todo o esforço para
reconstruir a paz no Oriente Médio. É isso que está por trás de minha visita a
Israel, aos territórios palestinos e à Jordânia, e é também isso que me levará
ao Irã depois".
Para Lula, o conflito no Oriente Médio "não é bilateral, e não pertence
apenas a Israel e à ANP". "Há outros interesses no Oriente Médio, que
devem ser representados para que se chegue a uma solução. O Irã faz parte disso
tudo, e por isso é preciso que haja diálogo".
O "Haaretz" ressalta que Lula foi "um dos primeiros líderes a
receber o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, após a sua controversa
reeleição, em junho de 2009". O jornal também destaca que o Brasil foi um
dos cinco países que se absteve na votação na AIEA (Agência Internacional de
Energia Atômica) que julgava uma condenação ao Irã, em 2009.
O jornal diz ainda que Lula deve visitar o Irã em maio, onde deve ser
"recebido com honras", como "retribuição ao tapete
vermelho" estendido para a delegação iraniana em Brasília, em novembro de
2009.
Negociador
De acordo com o "Haaretz", Lula descreve a si mesmo como "um
negociador, não um ideólogo", uma pessoa que consegue se dar bem
"tanto com [o líder venezuelano] Hugo Chávez e o [ex-presidente americano
George W. Bush], com o [presidente israelense] Shimon Peres e com o [líder
iraniano] Mahmoud Ahmadinejad".
"Eu nasci em meio à política do diálogo, me tornei presidente [do Brasil]
por meio do diálogo e conduzi a minha Presidência através do diálogo. Eu
acredito que, por meio do diálogo, terei sucesso em resolver todos os conflitos
que, hoje, parecem sem solução", disse o presidente.
Lula disse ainda estar ciente da retórica do premiê de Israel, Benjamin
Netanyahu, que costuma apontar semelhanças entre Ahmadinejad e Hitler, e entre
o Irã e o nazismo.
"Qualquer um que comparar Ahmadinejad e o Irã de hoje a Hitler e aos
nazistas estará sendo tão radical quanto o Irã é acusado de ser. Quem adotar
essa postura não contribuirá para o processo de paz que queremos contruir, para
o bem do nosso futuro", afirmou Lula.
No entanto, Lula também criticou o Irã por não aceitar a existência do
Holocausto. "Eu conversei com o presidente do Irã e deixei claro a ele que
não se pode defender a destruição de Israel, nem negar o Holocausto, que é um
legado da humanidade. Disse também que o fato de ele ter diferenças com Israel
não lhe dá o direito de negar ou ignorar a história".
Lula inicia visita histórica ao Oriente Médio
Interesse brasileiro por mediar a discussão entre
israelenses e palestinos e questão nuclear do Irã são destaques na pauta.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado por empresários
brasileiros, inicia hoje sua visita à Israel. O presidente desembarcou ontem à
tarde em Jerusalém, e se encontra nesta segunda-feira com o presidente
israelense, Shimon Peres. Na sequência, encontra o premier israelense, Benjamin
Netanyahu, e a líder da oposição, Tzipi Livni. A visita de Lula ocorre em meio
a uma crise entre Israel e Estados Unidos, após o anúncio, na semana passada,
pelo governo de Netanyahu, da construção de 1,6 mil casas suplementares em
Jerusalém oriental, durante a visita do vice-presidente americano, Joe Biden. O
Brasil fez coro à condenação internacional contra a decisão israelense de
construir novas casas no setor majoritariamente árabe da cidade santa, anexado
em 1967 pelo Estado hebraico. Durante a visita, a principal diferença entre o
Brasil e Israel deverá ser o tema nuclear do Irã, considerado pelos dirigentes
israelenses como a principal ameaça a seu país. Ao receber, em Brasília, a
secretária de Estado americana, Hillary Clinton, na semana passada, Lula disse
ser contrário a novas sanções contra o Irã. A viagem — primeira de um chefe de
Estado brasileiro à Terra Santa desde D. Pedro II (1876) — representa o mais
importante esforço feito até agora pelo governo Lula para tentar situar o
Brasil como interlocutor nas negociações entre israelenses e palestinos. O
governo brasileiro vem mobilizando uma forte ofensiva diplomática para que o
Brasil seja o interlocutor nas negociações, com vistas a fortalecer sua posição
como aspirante a um cargo permanente no Conselho de Segurança da ONU, no caso
de uma reforma na organização. O Brasil ocupa atualmente um assento
não-permanente rotativo no Conselho de Segurança, órgão máximo de decisão das
Nações
Unidas. “Não há solução mágica para o conflito entre israelenses e palestinos,
e o governo brasileiro não tem a ingenuidade de pensar que vai resolvê-lo de
uma hora para outra”, disse Marco Aurélio Garcia, assessor para Assuntos
Internacionais da Presidência da República, durante a chegada ao saguão do
hotel King David, em Jerusalém. “Nós viemos contribuir”, afirmou, segundo
atualização do Blog do Planalto, página oficial do Governo Federal. Até o final
da viagem, que se encerra na quinta-feira, 18, o presidente brasileiro tem
ainda previstas visitas à Cisjordânia, Ramallah e Amã, capital da Jordânia,
onde se reunirá com o rei Abdullah II para discutir o papel que o Brasil pode
desempenhar nas negociações de paz e analisar a tensa situação internacional
criada pelo polêmico programa nuclear iraniano. AFP
Comitiva abre oportunidades de negócios
Cerca de 70 empresas brasileiras buscam parcerias e negócios em Israel,
estimuladas pelo acordo de livre comércio firmado pelo país com o Mercosul e
pelo projeto israelense de ampliar em US$ 1 bilhão seus investimentos
produtivos no Brasil. Essa potencial expansão das vinculações econômicas
Brasil-
Israel será detalhada hoje em um seminário empresarial que será aberto pelo
presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com o Itamaraty, há
expectativas em relação à possível participação da construtora Camargo Corrêa
na obra de transposição de água para o Mar Morto, projeto orçado em US$ 7
bilhões que inclui também uma hidrelétrica e uma estação de dessalinização. A
iniciativa, entretanto, ainda enfrenta resistência política interna em Israel.
A área de defesa também desperta a atenção de pelo menos três empresas privadas
e do governo brasileiro. Em especial, em relação à absorção de equipamentos, de
tecnologia e de logística para a segurança da Copa do Mundo de 2014 e das
Olimpíadas de 2016 e para a vigilância das fronteiras brasileiras. AE
Lula pede a Israel mais mediadores para negociar paz
Com palavras diplomaticamente calibradas, o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou hoje sua visita oficial a Israel
mencionando propósito de incluir novos mediadores, entre os quais o Brasil, nas
negociações entre israelenses e palestinos. Ao ser recebido pelo presidente de
Israel, Shimon Peres, na residência oficial, Lula afirmou que vinha para
"falar de paz", escudado na história pacífica do Brasil, e que, por
se tratar de uma "tarefa tão difícil, é importante que se envolva mais
gente e se converse mais".
"A arte da política é vencer coisas que parecem impossíveis. A política é
a arte do impossível", afirmou Lula, ao lado de Peres, referindo-se ao
processo de negociação. "Não acredito que exista outro país no planeta que
ame e que exerça tanto a paz como o Brasil. A paz tem um preço incomensurável para
nós."
Ao receber Lula, Shimon Peres assinalou que o processo de paz não foi rompido,
apesar da recente crise entre Estados Unidos e Israel em torno do anúncio
israelense da expansão de assentamentos em territórios palestinos. Peres também
fez questão de assinalar que seu país receberia a contribuição do governo
brasileiro para o processo de paz.
Mas em nenhum momento fez alusão à pretensão de Lula de atuar como mediador.
"Sei que o senhor traz uma mensagem em favor da paz. A sua contribuição
será bem recebida", afirmou Peres. "Pode haver crise, mas não haverá
rompimento do processo de paz em si. Vamos superar a crise porque esse processo
já está sendo construído e negociado", acrescentou.
Em seu curto pronunciamento de boas-vindas, Peres fez seguidos elogios a Lula e
chegou a qualificar o brasileiro como "César" - uma referência
abrangente e sem justificativa aos governantes romanos. "O senhor é um
César. É um presidente que leva a esperança de paz. O mundo olha para o senhor
e vê esperança e sonho, que o senhor transformou em feitos", afirmou.
Lula pede que Israel faça esforços pela paz
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu nesta segunda-feira (15), em
Jerusalém, que seu colega israelense, Shimon Peres, faça um "esforço"
pela paz e a busque "a cada dia, a cada hora, a cada minuto e a cada
segundo".
"Todo ser humano, todo governante tem que fazer um esforço para que as
pessoas possam alcançar a paz no mundo", declarou Lula no primeiro ato
oficial de sua viagem pelo Oriente Médio, iniciada ontem.
Lula também disse esperar que o Estado judeu alcance a paz ainda durante o
mandato de Peres, que termina em 2012.
"Existe uma única palavra e um único motivo para a guerra, mas existem
milhões de palavras e gestos que justificam a paz, e isso é o que precisamos
buscar, a cada dia, a cada hora, a cada minuto, a cada segundo",
acrescentou o chefe de Estado brasileiro em uma rápida entrevista coletiva
antes da reunião com Peres na residência presidencial.
Além de ressaltar que "a política é a arte de tornar realidade as coisas
que parecem impossíveis", Lula afirmou estar "certo" de que,
"se outros presidentes vierem" a Israel "dentro de 140 anos,
terão a oportunidade de conhecer um país lindo, um povo trabalhador e uma parte
da história da humanidade".
"A história do meu país é uma história de paz. Não conheço nenhum outro
país no planeta, outro povo que ame e que exerça a paz como o Brasil",
destacou.
Após repassar os vários encontros que teve com seu interlocutor desde 1993, o
presidente brasileiro defendeu o aprofundamento das relações entre os dois
países.
Já Peres disse que Lula deixou "um novo legado à democracia" do
Brasil, que tem uma "história exemplar".
Quanto à paz, reconheceu que "não resta muito tempo" para que Israel
e seus "vizinhos árabes e palestinos" a alcancem.
"Talvez haja crises durante o caminho, mas não deixaremos que nenhuma
crise detenha o processo", ressaltou, referindo-se à suspensão do diálogo
indireto com os palestinos, motivada pelo sinal verde dado à ampliação de uma
colônia judaica em Jerusalém Oriental.
Após a reunião, os dois chefes de Estado seguiram para um encontro com cerca de
200 empresários brasileiros em um hotel em Jerusalém.
Os próximos compromissos de Lula são uma reunião com a chefe da oposição
israelense e líder do Partido Kadima, Tzipi Livni, um almoço privado e, na
parte da tarde, uma visita ao Parlamento israelense (Knesset), onde se reunirá
com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Ainda no Legislativo, o governante brasileiro fará um discurso aos 120
deputados israelenses. Durante a sessão, o presidente da Câmara, Reuben Rivlin,
utilizará o martelo que o político e diplomata brasileiro Osvaldo Aranha usou
na Assembléia Geral da ONU que aprovou a partilha da Palestina em novembro de
1947.
Na última hora da tarde, Lula voltará a se encontrar com Peres, que oferecerá
um jantar em homenagem ao visitante.
O presidente brasileiro seguirá para a cidade cisjordaniana de Belém amanhã.
Ele passará a noite no local, algo muito que líderes internacionais não
costumam fazer.
Na cidade, ele se reunirá com o presidente da Autoridade Nacional Palestina
(ANP), Mahmoud Abbas. Depois, visitará Ramala, a capital administrativa da
Cisjordânia, onde depositará uma coroa de flores no túmulo do líder palestino
Yasser Arafat, que morreu em 2004
Lula chega a Israel com pedido por
"reflexão"
Clóvis Rossi, enviado especial a Jerusalém, Marcelo Ninio, de Jerusalém
Ao iniciar visita, governo brasileiro evita palavras duras em meio à tensão
entre israelenses e americanos em torno do processo de paz
Na opinião do chanceler Celso Amorim, o clima tenso não atrapalha a iniciativa
brasileira: "uma mensagem de paz sempre ajuda", disse
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou ontem à noite em Jerusalém
precedido de palavras débeis demais da diplomacia brasileira para o tamanho da
crise que está se desenvolvendo entre Israel e seu principal suporte, os
Estados Unidos, em torno do moribundo processo de paz entre judeus e
palestinos.
A debilidade fica evidente quando se comparam as manifestações do Itamaraty e
do Departamento de Estado americano sobre o anúncio da construção de 1.600 novas
unidades habitacionais no subúrbio de Ramat Shlomo, em Jerusalém Oriental, que
os palestinos querem como a capital de seu eventual futuro Estado.
O governo brasileiro limitou-se a manifestar sua "profunda
preocupação". A secretária de Estado Hillary Clinton foi muitíssimo além:
chamou de "insulto" aos EUA o fato de o anúncio ter sido feito
justamente quando estava em Jerusalém o vice-presidente Joe Biden, cujo
propósito original era desfazer a inquietação de Israel em relação às posições
do presidente Barack Obama.
É verdade que Lula ainda nem havia embarcado para Israel quando se deu o
anúncio, na semana passada, mas é igualmente verdade que a visita já estava
definida. Como o Brasil não esconde seu desejo de desempenhar um papel no
processo de paz, o "insulto" acaba se estendendo ao país, na medida
em que o anúncio torpedeou o reinício do processo.
"Nunca em minha vida diplomática eu vi uma reação tão forte dos EUA",
disse o chanceler Celso Amorim. Para ele, o clima tenso na região não afeta
negativamente a visita do presidente Lula. "Uma mensagem de paz sempre
ajuda", afirmou.
Após o anúncio israelense, a Liga Árabe retirou a recomendação à Autoridade
Nacional Palestina para que aceitasse o chamado "diálogo por
aproximação", em que os EUA ouvirão as partes separadamente. Já é um
retrocesso, na medida em que israelenses e palestinos mantiveram 18 anos de
negociações face a face e, agora, não conseguem dialogar nem por meio de
intermediários.
A mensagem brasileira, na chegada da delegação, veio pela boca de Marco Aurélio
Garcia, o assessor diplomático do presidente, mas não avança nada. A crise
"deveria ajudar na reflexão geral das partes", afirmou.
O governo israelense se antecipou à sugestão: o premiê Binyamin Netanyahu
reuniu ontem o seu gabinete para discutir a crise com os EUA. Mas o lado
palestino quer muito mais do que reflexão -aliás, um problema tão antigo como o
do Oriente Médio já foi objeto de todas as reflexões possíveis.
Marco Aurélio ainda antecipou que a mensagem que o presidente Lula dará aos
palestinos é "unam-se", em alusão ao racha entre o Hamas, que governa
a faixa de Gaza, e o grupo laico Fatah, que controla a Cisjordânia. Até agora,
não há o mais leve sinal de que os dois lados estejam perto de iniciar
entendimentos nessa direção.
Não bastasse a crise, a visita de Lula coincide com a de atores que já têm a
participação no processo que o Brasil ainda busca. Amanhã, chega George
Mitchell, o enviado especial de Obama para a região e o homem incumbido de
tocar o "diálogo por aproximação". Na quarta, desembarca a nova
responsável europeia pela política externa, Catherine Ashton.
Ambos são precedidos por um comunicado do Quarteto (EUA, União Europeia, Rússia
e ONU), que vem tentando inutilmente levar avante o processo de paz, com um tom
que parece embutir uma ameaça a Israel. Além de condenar os novos
assentamentos, a nota oficial fala em "manter em estudo medidas adicionais
que possam ser requeridas pela situação no terreno".
Segundo o chanceler Amorim, por ora o Brasil não pretende apresentar propostas
específicas para a mediação do conflito. "Primeiro temos que entrar no
processo", disse.
Do lado palestino, Lula certamente ouvirá o mesmo que Tayeb Abdel Rahim,
conselheiro sênior do presidente Mahmoud Abbas, disse ao jornal "The
Jerusalem Post": "Apelamos à comunidade internacional para fazer
Israel parar sua política expansionista e arrogante de construção de
assentamentos, porque ela destruirá o processo de paz e representará uma ameaça
à segurança do mundo todo".
São tambores de guerra que Marco Aurélio acabou ecoando ao chegar: "Não é
um problema que interessa apenas a palestinos e israelenses. Tem altíssimo
potencial de desestabilização global".
O assessor de Lula cita "o nascimento do fundamentalismo e o crescimento
do terrorismo" como fenômenos, obviamente desestabilizadores, que talvez
fossem menos contundentes se se tivesse resolvido a questão israelo-palestina.
Tour estimula investimentos
Denise Chrispim Marin
Cerca de 70 empresas brasileiras buscam parcerias e negócios em Israel,
estimuladas pelo acordo de livre comércio firmado pelo país com o Mercosul e
pelo projeto israelense de ampliar em US$ 1 bilhão seus investimentos
produtivos no Brasil. Essa potencial expansão dos laços econômicos
Brasil-Israel será detalhada hoje em um seminário empresarial que será aberto
pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
De acordo com o Itamaraty, há expectativas em relação à possível participação
da Construtora Camargo Correa na obra de transposição de água para o Mar Morto.
O projeto considerado mais viável prevê a coleta no Mar Mediterrâneo e o
aproveitamento de uma queda d"água de 400 metros para a construção também
de uma hidrelétrica e de uma estação de dessalinização. O custo da obra é
estimado em US$ 7 bilhões. A iniciativa, entretanto, ainda enfrenta resistência
política interna em Israel.
A área de Defesa também desperta a atenção de pelo menos três empresas privadas
e do governo brasileiro. Em especial, em relação à absorção de equipamentos, de
tecnologia e de logística para a segurança da Copa do Mundo de 2014 e da
Olimpíada de 2016 e para a vigilância das fronteiras do País. O seminário
também atrairá a atenção de 210 empresários israelenses dos setores imobiliário,
farmacêutico, biotecnológico, de semicondutores, de comunicações, de tecnologia
e de segurança.
Amanhã, 16 representantes de empresas brasileiras seguirão para Belém, com a
atenção voltada para o plano "Palestina Movendo-se Adiante", lançado
no ano passado pela Autoridade Palestina (AP).
O plano envolve 201 projetos de infraestrutura nos territórios palestinos, ao
custo total de US$ 5,5 bilhões. As oportunidades de negócios serão exploradas
em um seminário organizado pelo Itamaraty, que também terá a presença do
presidente Lula.
A jornada do presidente ao Oriente Médio será encerrada em Amã, na Jordânia,
onde 55 empresários brasileiros e 300 jordanianos se reunirão com a expectativa
de ampliar as trocas comerciais, que somaram apenas US$ 189 milhões em 2009 ?
queda de 40% em relação ao ano anterior. Desse total, US$ 177 milhões
corresponderam a exportações do Brasil.
Lula é recebido por Peres em visita
oficial a Israel
O presidente também deverá se encontrar com o presidente da Autoridade
Palestina, Mahmoud Abbas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou nesta segunda-feira, 15, seu
primeiro dia de visita oficial a Israel. Ele foi recebido com um ato de
homenagem por seu colega israelense, Shimon Peres, na Residência Presidencial
em Jerusalém.
O líder brasileiro chegou na tarde de domingo ao aeroporto Ben Gurion, próximo
a Tel Aviv, na véspera de uma das viagens mais importantes que faz ao Oriente
Médio, a primeiro em que visita o
Estado judeu e os territórios palestinos.
O primeiro de seus anfitriões, o presidente israelense, foi o encarregado de
abrir a agenda oficial de Lula, com uma cerimônia de boas-vindas depois que
ambos realizarem uma reunião protocolar.
De manhã, Lula participará junto com Peres em um grande evento econômico em um
hotel de Jerusalém, no qual estarão presentes 200 empresários brasileiros.
Essa presença maciça é sinal do caráter comercial da visita de Lula, destinada
a potencializar os investimentos mútuos a partir de 4 de abril, quando entrará
em vigor o acordo de livre-comércio que Israel assinou com o Mercosul há dois
anos.
Antes de um almoço privado, Lula deve se reunir com a chefe da oposição
israelense e líder do Partido Kadima, Tzipi Livni. À tarde, o presidente irá ao
Parlamento israelense (Knesset), onde se reunirá com o primeiro-ministro do
país, Benjamin Netanyahu, e onde pronunciará um discurso aos 120 deputados no
plenário.
Na sessão, o presidente do Parlamento, Reuben Rivlin, utilizará o cetro que o
diplomata brasileiro Osvaldo Aranha usou na sessão de 1947 em que a ONU aprovou
a Resolução de Partilha da Palestina em dois Estados, um árabe e outro judeu.
Aranha emitiu o voto de minerva para a Partilha, possibilitando assim a criação
de Israel.
No final da tarde, Lula voltará a se reunir com Shimon Peres, com quem terá um
jantar em sua homenagem na Residência Presidencial.
O presidente irá amanhã para a cidade de Belém, na Cisjordânia, onde
pernoitará, algo incomum e que quase nenhum líder internacional fez na última
década.
Em Belém, Lula se reunirá com o presidente da Autoridade Nacional Palestina
(ANP), Mahmoud Abbas. Em seguida, Lula seguirá para Ramala, capital
administrativa da Cisjordânia, onde deixará uma oferenda no túmulo do histórico
dirigente palestino Yasser Arafat, que morreu em 2004.
Para Lembrar: País auxiliou na criação do Estado de
Israel
Um dos principais articuladores da votação da ONU
que determinou, em 1947, a chamada “partilha da Palestina” – criando o Estado
de Israel ao lado de um país árabe que nunca chegou a existir – foi o diplomata
brasileiro Osvaldo Aranha.
Então presidente da Assembleia-Geral, Aranha comandou a sessão que teve 33
votos a favor da divisão, 13 contra e 10 abstenções. Ele havia sido ministro da
Justiça e das Finanças durante a presidência de Getúlio Vargas.
No governo do presidente Ernesto Geisel (1974-1979) as relações Israel-Brasil
encontraram seu pior momento. Em 1975, sob o lema do “pragmatismo responsável”
do chanceler Azeredo da Silveira, o Brasil votou a favor de uma resolução
da ONU que definia o sionismo como “uma forma de racismo”. Anos depois, Geisel
ainda afirmaria: “Estou convencido até hoje de que o sionismo é racista.”
Ação em duas frentes
Eliane Oliveira e Daniela Kresch
Lula chega a Israel com promessa de buscar
compromisso nuclear do Irã e união de palestinos
LULA CHEGA a Jerusalém acompanhado de dona Marisa e é recebido por diplomatas:
presidente participará de encontros e vai defender relação com líder iraniano
Em meio à crise entre Estados Unidos e Israel por conta do anúncio da
construção de 1.600 novas casas em Jerusalém Oriental e, ao mesmo tempo,
fortemente criticado por sua posição contrária às sanções contra o Irã, o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou ontem sua viagem ao Oriente Médio
disposto a atuar nas duas frentes. Às autoridades israelenses, dirá que o Irã é
um ator importante na região e pode ajudar no processo de paz. Aos palestinos,
defenderá o fim da divisão entre o Hamas e o Fatah, para que se evite o
fracasso das negociações.
A informação foi dada ontem pelo assessor para assuntos internacionais da
Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, após desembarcar em Tel Aviv
com Lula e seguir para Jerusalém por uma estrada enfeitada com bandeirolas do
Brasil.
Segundo Garcia, o pedido de Lula para que o líder iraniano dê sua palavra de que
não produzirá uma bomba atômica será feito em maio, em visita a Teerã. Ele
admitiu que a questão do Irã fará parte das conversas entre Lula e autoridades
israelenses.
Quanto aos palestinos, Garcia disse que a união será o único caminho para o
entendimento.
- A primeira coisa que o lado palestino tem que fazer é se unir. Sei que não é
fácil. Mas pior será se o lado palestino não tiver uma posição homogênea,
coesa. Senão, qualquer entendimento estará fadado ao fracasso.
No caso do impasse entre palestinos e israelenses, ele enfatizou que o Irã pode
ajudar no processo de paz.
- O Irã pode contribuir para a questão da Palestina, já que tem uma influência
de peso.
Martelo de Oswaldo Aranha no Knesset
Na visão do Brasil, a declaração da secretária de Estado americana, Hillary
Clinton, de que Israel está colocando em risco suas relações com os EUA, não
impedirá a retomada das negociações entre israelenses e palestinos.
- Se os EUA, que têm se revelado um aliado histórico de Israel, estão com uma
posição tão cética e dura, isso provocará uma reflexão de seus interlocutores -
destacou. - O problema da Palestina não cresce para palestinos e israelenses. É
um problema que tem altíssimo potencial desestabilizador do ponto de vista
global. Será que a ameaça ao terrorismo existiria se a tensão palestina tivesse
sido resolvida há mais tempo?.
A agenda de hoje inclui encontros com o presidente de Israel, Shimon Peres, a
líder da oposição israelense, Tzipi Livni, e com o premier, Benjamin Netanyahu.
Lula ainda irá ao Parlamento de Israel, Knesset, onde será recebido com toda
pompa. O porta-voz da Knesset, o deputado Reuven Rivlin, abrirá a sessão
extraordinária no plenário com o mesmo martelo usado pelo diplomata brasileiro
Oswaldo Aranha em 29 de novembro de 1947, na sessão da ONU que determinou a
criação do Estado de Israel.
Lula quer usar seu carisma junto a árabes e israelenses não apenas para
participar de forma mais efetiva no processo de paz no Oriente Médio, mas
também para atender aos interesses econômicos dos empresários brasileiros que
já se encontram na região, em busca de novos negócios.
Em Jerusalém, por exemplo, encerrará um seminário empresarial com foco nas
áreas de defesa, infraestrutura e telecomunicações. Ao encontro, também levará
o tema etanol. Embora Israel esteja a um passo dos países árabes, precisa
comprar petróleo de mercados mais distantes, como Rússia e Venezuela. Nos
territórios palestinos, o grande interesse é no chamado Plano Fayad, uma
espécie de PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), composto por 201
projetos no valor de US$5,5 bilhões. Na Jordânia, o objetivo é expandir o
comércio, atualmente de apenas US$189 milhões por ano, e introduzir o Brasil em
obras de infraestrutura.
Entrevista com Binyamin Ben Eliezer: Acordo pode
contribuir para paz
Ministro da Indústria e Comércio de Israel,
Binyamin Ben Eliezer, é um dos mais veteranos políticos do país. Ele já
participou de várias rodadas de negociações de paz com Israel.
Qual é a importância da visita do Lula a Israel em termos de economia de
diplomacia?
BINYAMIN BEN ELIEZER: É extremamente importante em nível econômico e político.
O meu ministério declarou o Brasil, juntamente com a China e a Índia, como
mercados alvo para Israel. Portanto, queremos reforçar o comércio bilateral, a
cooperação industrial e tecnológica com o Brasil.
Quais as expectativas de Israel em relação ao acordo de livre comércio com o
Mercosul?
BEN ELIEZER: Israel é o único país fora da América Latina que assinou um
tratado de livre comércio com os países do Mercosul. Isso é um avanço
significativo nas relações comerciais.
Os palestinos querem que o acordo não inclua os produtos produzidos em Israel
em assentamentos situados na Cisjordânia. O que o senhor acha sobre isso?
BEN ELIEZER: Acredito que devemos sempre tentar evitar interação negativa nas
questões políticas e econômicas. Nosso acordo de livre comércio com o Mercosul
foi negociado e assinado com base puramente econômica. Os palestinos estão bem
cientes das disposições do Protocolo de Paris, que cria um "envelope
aduaneiro" incluindo as duas entidades.
O que isso quer dizer?
BEN ELIEZER: Quer dizer que os palestinos também podem gozar de acordos
assinados entre Israel e outros países. Nesse sentido, um acordo de livre
comércio em separado entre o Brasil e a ANP pode acabar se revelando ineficaz e
inaplicável. Pessoalmente, creio que o acordo pode servir para contribuir as
economias israelense e palestina, além de promover a paz em nossa região.
O que o senhor acha da aproximação do governo do Brasil com o Irã?
BEN ELIEZER: Naturalmente, como acontece com todos os amigos, podemos ter
nossas diferenças, como no caso do Irã. Mas estou certo de que seremos capazes
de resolver essas diferenças através de um diálogo construtivo. (D.K.)
Região atrai empresários brasileiros
Cerca de 70 empresas brasileiras buscam parcerias e
negócios em Israel, estimuladas pelo acordo de livre comércio firmado pelo país
com o Mercosul e pelo projeto israelense de ampliar em US$ 1 bilhão seus
investimentos no Brasil. Essa potencial expansão das vinculações econômicas
Brasil-Israel será detalhada hoje em um seminário empresarial a ser aberto pelo
presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
De acordo com o Itamaraty, há expectativas em relação à possível participação
da construtora Camargo Corrêa na obra de transposição de água para o Mar Morto.
A área de defesa também desperta a atenção de pelo menos três empresas e do
governo brasileiro. Em especial, em relação à absorção de equipamentos, de
tecnologia e de logística para a segurança da Copa do Mundo de 2014 e da
Olimpíada de 2016 e para a vigilância das fronteiras do país.
Na Jordânia, 55 empresários brasileiros e 300 jordanianos se reunirão com a
expectativa de ampliar o intercâmbio comercial, que somou apenas US$ 189
milhões em 2009 queda de 40% em relação a 2008. Desse total, US$ 177 milhões
corresponderam a exportações do Brasil.
Opinião: O mediador global
Paulo Santana
A gente lê e não acredita: o presidente Lula está em Israel para mediar a
crise entre palestinos e israelenses.
E é encarado tanto pelo governo de Israel quanto pela França, os Estados Unidos
e a Rússia como importante mediador global e ensarilhador de tensões.
Está agora em Israel Lula, pronto para conversar também com os palestinos e
tentar um acordo entre os dois povos.
E, no dia 15 de maio próximo, Lula estará em Teerã, tentando ser um pacificador
da questão nuclear e amenizador das sanções que as nações ocidentais estão
impondo ao Irã pela ameaça de enriquecimento de urânio naquele país, um
explosivo incidente que pode levar à guerra, conhecendo-se a intenção de Israel
de bombardear o Irã no caso de que surjam vestígios nítidos de que Teerã esteja
cultivando uma bomba nuclear.
A questão no Oriente Médio é tão intrincada e falecem tanto as soluções, que os
políticos e governantes das nações em litígio, assim como as nações mais
poderosas do mundo, aceitam mediação vinda de onde venha. Ainda mais uma
mediação com autoridade neutral, que parece ser o caso do Brasil, que não foi
potência imperialista no Oriente Médio, caso da Grã-Bretanha e da França. E é
importante também, para a condição de mediador autorizado que Lula ostenta, que
o Brasil é um país cuja Constituição o proíbe de desenvolver armas atômicas, o
que o credencia para negociar acordo entre as potências nucleares e o emergente
e assanhado Irã.
Lula percebeu esse vazio e se coloca à disposição dos litigantes para
mediá-los.
E chama a atenção a importância que todos emprestam à figura de Lula como
apaziguador de seus conflitos.
A impressão que se tem desses fatos é de que Lula é muito mais respeitado no
Exterior do que aqui no Brasil.
Chega a ser emocionante ver como o Brasil é encarado com respeito pela
comunidade internacional. Fato novo, criado pelo governo Lula. E especialmente
criado pela figura simpática do presidente brasileiro.
A um desavisado aqui no Brasil, poderia ocorrer que a participação de Lula nas
mediações desses importantes conflitos internacionais, os mais importantes em
todo o cenário mundial, seria meramente folclórica.
Nada disso, a mediação do presidente Lula é ansiada pelos governantes e
políticos das nações litigantes, transmitindo alguns deles até mesmo a opinião
de que a intervenção de Lula nesses assuntos pode ser providencial para sua
solução.
É espantosa essa saliência de Lula e do Brasil no cenário das relações
internacionais. Nunca, sob qualquer governo, o Brasil teve essa notoriedade e
destaque.
E de nós, brasileiros, é maior ainda o espanto: como pôde um ex-retirante de
pau de arara, metalúrgico de dedo decepado de uma fábrica do ABC, líder de
greves no período militar, sem luzes e cultura, ter chegado a esse ponto em que
ameaça deixar o governo que está no fim, com a imagem de um estadista?
E estadista internacional.
Está aí o típico exemplo de um homem que deu e emprestou importância ao seu
cargo.
Agência de
Notícias Brasil-Árabe
Presidente leva empresários para 'garimpar' negócios
Lula vai a Israel, Palestina e Jordânia acompanhado
de uma delegação empresarial. Para ele, o resultado dessas missões 'tem sido
extraordinário'. O Brasil pode ajudar no desenvolvimento palestino.
Alexandre Rocha, enviado especial alexandre.rocha@anba.com.br
Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, em entrevista
exclusiva à ANBA, que o Brasil pode ajudar no desenvolvimento da Palestina.
“Como estamos fazendo com muitos países do mundo”, declarou. Na próxima semana
Lula vai visitar o país, na primeira viagem de um presidente brasileiro aos
territórios palestinos.
Ricardo Stuckert/PR Ricardo Stuckert/PR
Depois de deixar o governo, Lula brincou que vai 'comer em restaurante árabe'
Ele vai ao Oriente Médio acompanhado de uma delegação de empresários para
“garimpar” oportunidades de negócios e parcerias. O presidente garantiu que o
acordo de comércio assinado entre Mercosul e Israel não inclui mercadorias
produzidas em assentamentos israelenses nos territórios ocupados.
Lula afirmou ainda que a política de aproximação do Brasil com outros países em
desenvolvimento vai continuar com seu sucessor, seja ele, ou ela, da situação
ou da oposição. “Eu penso que a política internacional nossa é tão exitosa que
eu acho que dificilmente alguém teria coragem de mudar”, afirmou. Leia a seguir
a entrevista:
ANBA - Presidente, uma delegação de empresários vai acompanhar o senhor nessa
viagem [a Israel, Palestina e Jordânia]. O que a gente pode esperar em termos
comerciais?
Luiz Inácio Lula da Silva - Olha, toda vez que nós fazemos uma reunião com
outro país e levamos empresários, na verdade é um processo que considero quase
que uma garimpagem. Ou seja, os empresários brasileiros se reúnem com os
empresários de outros países e eles descobrem entre si chances, oportunidades
de negócios, possibilidades de parcerias entre as empresas. O resultado tem
sido extraordinário. Veja, é a primeira vez que vai um conjunto de empresários
à Palestina discutir desenvolvimento, parcerias e pesquisar oportunidades. Eu
acho isso um fato muito relevante. Em todas as reuniões eu tenho dito aos meus
ministros: “Vamos levar empresários, porque quando eles se encontram e começam
a conversar, daqui a pouco a gente percebe que o Brasil está comprando ou está
exportando alguma coisa”. Então o objetivo é esse, é desenvolver ainda mais a
nossa relação com a Palestina, que é muito pequena do ponto de vista comercial.
O Mercosul já negociou um acordo comercial com Israel e os palestinos reclamam
porque existem os assentamentos israelenses. Eles dizem que o Brasil, o
Mercosul no caso, não deveria aceitar, dentro desse acordo, produtos dos
assentamentos...
Mas isso está previsto no acordo, que a comissão que acompanha o acordo não
permitirá a entrada de produtos produzidos em [assentamentos israelenses no]
território palestino.
Do ponto de vista institucional, existe possibilidade e interesse do Brasil em
ter algum acordo com a Palestina?
Existe possibilidade não apenas de ter acordo com a Palestina, mas do Brasil
ajudar os palestinos a se desenvolverem, a crescerem e ver o que é possível
ajudar a construir lá, como estamos fazendo com muitos países do mundo. Dois
assuntos importantes da Palestina [que estão] no Congresso Nacional: primeiro a
doação do terreno para a instalação Delegação (embaixada) Palestina em
Brasília, que já foi aprovada na Câmara dos Deputados em novembro e está na
pauta da Comissão de Justiça do Senado Federal em caráter terminativo, e talvez
seja aprovada esta semana; doação de US$ 10 milhões para reconstrução de Gaza,
também já foi aprovada na Câmara e na Comissão de Relações Exteriores do Senado
Federal.
O senhor sabe quais necessidades o Brasil poderia suprir neste momento?
Não. Veja, primeiro nós temos gente lá estudando isso. Segundo, vai uma equipe
na frente, sabe, para conversar com as pessoas e fazer um levantamento das
coisas que a gente pode assinar protocolo de intenções, e certamente quando a
gente chegar lá estarão os acordos possíveis de serem assinado, prontos para
assinar. O que é importante é que é a primeira viagem de um chefe de estado
brasileiro à Palestina. Eu dou muita importância para isso, porque a viagem do
presidente da República é o que faz a diferença na relação entre dois povos.
O senhor adotou como política desde o começo do governo a aproximação com os
países em desenvolvimento, com os países árabes houve um crescimento muito
grande do comércio, o senhor vai até receber uma homenagem dia 25, em São
Paulo, da Câmara Árabe. Agora, esse é o seu último ano de governo. O que a
gente pode esperar? Essa política se mantém com o sucessor, principalmente se
ele for da oposição?
Eu penso que a política internacional nossa é tão exitosa que eu acho que
dificilmente alguém teria coragem de mudar. Obviamente que há sempre
possibilidade de fazer mais. E se a [ministra da Casa Civil e pré-candidata
governista à Presidência] Dilma [Rouseff] ganhar as eleições certamente ela vai
aprimorar tudo o que nós fizermos e poderá fazer muito mais. Afinal de contas,
ela já vai pegar a política caminhando numa evolução extraordinária. Ela vai
poder, então, fomentar isso. E se for um candidato de oposição, eu acho difícil
que eles consigam fazer uma reversão, porque a reversão seria prejudicial ao
Brasil.
O senhor disse que até o final do ano vai tentar fazer o que for possível na
questão do processo de paz [entre israelenses e palestinos]. E depois que
terminar o seu mandato, o que o senhor pretende fazer?
Eu? Não sei..., comer em restaurante árabe (risos). Eu sinceramente não estou
pensando no que fazer depois.
O senhor tem interesse em assumir algum tipo de compromisso internacional?
Não, não quero mais compromisso, para mim chega. É que tem muita coisa para
fazer. Eu certamente tenho muita coisa para fazer dentro do Brasil e fora do
Brasil, mas eu não quero pensar nisso agora, porque eu ainda tenho alguns meses
de governo e esses são os meses mais delicados, porque a cabeça de uma parte do
país começa a pensar no processo eleitoral, que se dará em outubro. Muita gente
do governo vai sair para ser candidato. Ou seja, daqui a pouco, se a gente não
cuida direito, o país está pensando nas eleições e o governo fica paralisado.
Então, o meu trabalho é fazer com que o país funcione corretamente até o dia 31
de 2010..., para que no dia seguinte, às 10 horas da manhã, eu possa entregar a
quem de direito a faixa
Agência de Notícias
Brasil-Árabe
Mundo precisa de diálogo sincero, diz
Lula
Alexandre Rocha
Dias antes de viajar ao Oriente Médio, o presidente
brasileiro afirmou que 'o mundo está carente de governança' e defendeu
negociações diretas entre líderes dos países em conflito na região.
Brasília – Às vésperas de viajar a Israel, Palestina e Jordânia, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva disse, em entrevista à ANBA e aos jornais israelenses
Haaretz e The Marker, que “o mundo está carente de governança global” por falta
de representatividade das instituições multilaterais, o que ele acredita ser
essencial para a mediação dos conflitos no Oriente Médio, especialmente entre
israelenses e palestinos.
Para o presidente, 'capas pretas' devem dialogar
“Eu acho que as Nações Unidas, se voltar a ter representatividade, ela pode
ajudar muito no processo de paz no Oriente Médio, alguém que tenha neutralidade
para falar a verdade para israelenses, para falar a verdade para palestinos,
para iranianos, para os sírios e para quem quiser ouvir a verdade. Eu
sinceramente acho que falta um pouco isso nos organismos multilaterais”,
afirmou o presidente.
Ele citou como exemplo o caso de Honduras, onde um golpe de estado derrubou o
presidente Manuel Zelaya em junho do ano passado. “Vamos ver o que aconteceu em
Honduras: a OEA (Organização dos Estados Americanos) tomou uma decisão unânime
condenado o golpe, e o que aconteceu? Nada, os golpistas ficaram até terminar o
mandato do presidente democraticamente eleito. Ou seja, num total desrespeito
ao fórum multilateral mais importante da região”, declarou Lula.
Para o presidente, novos atores devem participar do processo de paz no Oriente
Médio para “arejar” a discussão. O Brasil já há algum tempo se propõe a ter um
papel mais ativo nas negociações. Ele disse que pretende trabalhar no tema até
o final de seu mandato, em 31 de dezembro deste ano.
“Eu recentemente conversei com o presidente [israelense] Shimon Peres,
conversei com o presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), o presidente
[Mahmoud] Abbas, e todos eles concordam que é preciso acontecer alguma coisa
nova. É para isso que a gente tem que continuar conversando. Como eu acredito
nisso, e tenho mais um ano de mandato, eu vou tentar trabalhar para ver se
arejamos a discussão”, ressaltou.
Para Lula, o Brasil tem autoridade para se oferecer como mediador, uma vez que,
em sua avaliação, é exemplo de convivência pacífica entre pessoas de diferentes
origens. “Eu acho que o Brasil tem um papel importante porque nós somos um país
de índole pacífica. Porque aqui 150 mil judeus talvez vivam o maior processo de
harmonia com 10 milhões de árabes. Acho que o exemplo do Brasil, sendo o maior
país da América Latina, um continente que não tem armas nucleares, onde o
máximo de divergência que existe, o máximo de atrito, é verbal, eu penso que
teria alguns ensinamentos a oferecer a quem vive num conflito como o Oriente
Médio”, destacou.
O presidente afirmou que falta disposição para o diálogo entre os líderes. “Tem
determinadas conversas, que eu acompanho pela imprensa, que são feitas por
interlocutores de terceiro escalão, de quarto escalão. Eu acho que em algum
momento seria preciso chamar os ‘capas pretas’ de cada país e colocar dentro de
uma sala nas Nações Unidas e discutir com mais objetividade, com mais
seriedade. Eu hoje tenho experiência das negociações feitas no segundo e
terceiro escalão, elas são muito importantes, mas não têm 1% da importância de
os líderes sentarem em torno de uma mesa e tiverem uma conversa olho no olho. E
eu acho que falta isso. Veja, política é essencialmente contato, as pessoas
precisam se olhar”, disse.
Lula viaja pela primeira vez aos três países na próxima semana. Leia a seguir
os principais pontos da entrevista.
Apoio ao diálogo com o Irã
Acho que nós, que somos dirigentes políticos e governantes, e presidimos um
país que tem uma história de paz, uma história forte de convivência democrática
na diversidade, nós precisamos acreditar que sempre é possível surgir uma razão
ou um argumento novo para que a gente possa desfazer os erros do passado e
construir algo novo para o presente. Por exemplo: eu tenho conversado com os
presidentes dos principais países do mundo, sobretudo aqueles que fazem parte
do Conselho de Segurança da ONU, sobre a questão do Irã. Já conversei sobre
isso com os americanos, com os franceses, com os ingleses, com os russos, com
os chineses. Eu sinto que todos desejam construir um processo de paz no Oriente
Médio, mas eu sinto também que os interlocutores já estão um pouco desgastados
nessa negociação, e de vez em quando eu fico me perguntando se não é necessário
encontrar outros interlocutores para que, junto com os atuais, possa se
construir novas razões, novos argumentos.
Os interlocutores precisam transitar em toda a esfera conflitiva do Oriente Médio,
estabelecer quem conversa com quem, dentro de Israel, na Palestina, no Irã, na
Síria, na Jordânia, no Catar e em tantos outros países que têm a ver com o
conflito, para que a comunidade internacional possa oferecer uma oportunidade a
palestinos e israelenses de negociar a paz e ao mesmo tempo de afirmar ao Irã
que nós somos contra a construção de bomba nuclear.
Pois bem, é preciso, e eu já tive oportunidade de discutir com o Irã: o Irã não
pode continuar falando que vai destruir o Estado de Israel. Da mesma forma, eu
disse ao presidente [iraniano, Mahmoud] Ahmadinejad de que é inconcebível negar
o Holocausto. Ele existiu, está incrustado na mente da humanidade, e o fato de
você ter divergência com o Estado de Israel não precisa te levar a negar a história,
podes conhecer a história.
Eu acho que nós precisamos começar a construir o que ainda não existe, não é
deixar de discutir o passado, os conflitos e a história, é começar a discutir o
que a gente pode discutir a partir de agora para construir a paz. A minha tese
é que a gente não pode permitir que aconteça no Irã o que aconteceu no Iraque e
que, antes de qualquer sanção, a gente faça todo o esforço possível para
reconstruir a possibilidade de paz no Oriente Médio. Daí o porquê a minha
visita a Israel, à Palestina e à Jordânia, e daí a minha visita ao Irã no mês
de maio.
Nós precisamos trabalhar urgentemente para acabar com as tensões. Eu tenho
conversado com alguns líderes e eles têm dito: “Precisamos fazer alguma coisa
rápido porque senão Israel pode atacar o Irã”. Ora, eu não quero que Israel
ataque o Irã e eu não quero que o Irã ataque Israel. Esse deveria ser o
comportamento do mundo hoje. O que eu acho é que as pessoas desaprenderam a
conversar.
Processo de paz
Eu sou um homem que nasceu na política, no diálogo, cheguei à Presidência do
meu país dialogando, exerci meu mandato dialogando, e eu acredito que através
do diálogo nós poderemos resolver todos os conflitos que parecem insolúveis nos
dias de hoje. Quando eu digo que é preciso envolver mais interlocutores é
porque o conflito no Oriente Médio não é um problema de conflitos bilaterais, e
tampouco a solução será encontrada da forma que se tentou nesses últimos anos.
Houve um momento em que eu acreditei mais na paz no Oriente Médio. Se não me falha
a memória, em 93 nós fomos a Túnis, encontramos com o [líder palestino Yasser]
Arafat, depois fomos a Israel, conversamos com o [então chanceler] Shimon
Peres, conversamos com o [então] primeiro-ministro [Yitzhak] Rabin. Naquele
tempo eu achava que a paz estava mais próxima, as pessoas tinham mais
desenvoltura para discutir o tema. De lá para cá muita gente já ganhou o Prêmio
Nobel da Paz, muitas fotografias já foram tiradas, muitos abraços já foram
dados, e a cada dia está mais difícil, porque o problema não é Israel e
Palestina, o problema é saber os outros interesses no Oriente Médio, que
precisam estar na mesa para que a gente possa encontrar a solução. Como o Irã
faz parte disso eu acho que é necessário alguém conversar com o Irã.
Eu fico sempre com uma inquietação: quem realmente quer paz no Oriente Médio, a
quem interessa a paz e a quem interessa o conflito? Porque se nós não
detectarmos isso e não colocarmos todos em volta de uma mesa, a possibilidade
de fazer acordo é inócua. Há sempre alguém agindo como se fosse o inimigo
oculto, que sem que a gente saiba não permite que haja acordo.
ONU
A ONU, se tivesse a força que precisa ter, poderia ser a grande articuladora do
processo de paz do Oriente Médio, mas do jeito que está hoje ela não consegue,
porque a representação no Conselho de Segurança já não representa a geopolítica
do século 21. Grandes países estão fora, nós estamos com uma representação
política da Segunda Guerra Mundial que não representa força econômica e
política de 2010. Ou os dirigentes compreendem isso, ou nós vamos ver a
falência das instituições multilaterais, o que seria um desastre para a paz
mundial.
Desentendimentos com os EUA
O Brasil tem uma relação muito forte com os Estados Unidos, os Estados Unidos
têm sido um parceiro estratégico do Brasil. Entretanto, quando se trata da
soberania de um país e das suas relações bilaterais ou regionais, cada um de
nós constrói aquilo de acordo com as necessidades do país.
Em 2003, eu tinha apenas 25 dias de governo, fui a Davos, e na volta nós
decidimos que iríamos mudar a geografia comercial do mundo, que era preciso
diversificar as relações do Brasil e que nós não poderíamos ficar dependendo
apenas da relação com os EUA e com a União Européia, que era preciso crescer no
mundo árabe, no mundo asiático, na América Latina e na África, e fizemos uma
forte atividade política nesses continentes. Os Estados Unidos e a União
Européia, que representavam, cada um, por volta de 28% a 30% da balança
comercial brasileira, embora [o comércio] tenha crescido 20% em média desde que
eu tomei posse, representam hoje apenas 13%, porque nós crescemos em todos os
continentes. Quando nós criamos o G-5, o G-4, o Ibas, quando nós criamos a
Unasul, quando nós agora criamos o grupo América Latina-Caribe, em 200 anos de
independência é a primeira vez que a América Latina se reúne sozinha, sem os
EUA, sem nenhum país europeu, sem o Canadá.
O dado concreto é que nós estamos procurando mecanismos de fortalecimento de
nossas economias e das nossas relações, tentando tirar proveito da proximidade
e das similaridades existentes entre nós, e isso não cria nenhum problema com
os Estados Unidos. Pelo contrário, quando tivemos a primeira reunião em
Trinidad e Tobago, logo depois da posse do presidente [norte-americano, Barack]
Obama, eu disse que era necessário que ele tivesse um olhar mais otimista para
a América Latina. Fizemos uma reunião com todos os países da América do Sul,
com o Obama, foi uma reunião extraordinária, e depois não aconteceu mais nada.
Então, nós, definitivamente, não queremos confrontação com os Estados Unidos, o
que nós queremos é exercitar de forma soberana as coisas que nós entendemos que
vão fazer bem para o Brasil
Brasil espera Israel mais aberto a
negociar paz
Sergio Leo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva espera convencer o Irã a incentivar os
palestinos a um esforço de negociação com Israel e pretende dizer à Autoridade
Palestina que a manutenção das divisões entre os grupos Fatah e Hamas levará
qualquer tentativa de acordo "ao fracasso". A informação é do
assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia, ao chegar com Lula
a Jerusalém, para uma jornada de quatro dias em Israel, território palestino e
Jordânia. Ele disse acreditar que Israel pode tornar-se mais receptivo às
demandas palestinas, depois de fortes críticas ao governo israelense por
autoridades americanas, nesta semana.
"Um comentário tão rígido, tão duro, tão forte, pode fazer com que os
interlocutores reflitam melhor", disse Garcia, ao comentar as reações dos
EUA ao fiasco da missão do vice-presidente, Joe Biden, a Israel, na semana
passada. Biden viu seu esforço de reatamento das negociações com os palestinos
afundar devido ao anúncio sobre a construção de 1,6 mil casas para israelenses
na parte oriental de Jerusalém, considerada pelos palestinos sua futura
capital. Hillary divulgou declaração classificando o anúncio de "um
insulto aos EUA", após ríspida conversa telefônica com o primeiro-ministro
de Israel, Benjamin Netanyahu, em que cobrou maior empenho pela paz.
O principal assessor da Casa Branca, David Axelrod, também falou em
"insulto" e "afronta" em declaração à imprensa. "Nunca
vi em toda a minha vida diplomática uma reação tão forte dos EUA",
comentou o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim. "Isso terá
desdobramentos. Não é possível julgar pelas primeiras reações."
Marco Aurélio Garcia reconheceu que o papel do Brasil, nas conflituosas
negociações de paz no Oriente Médio, é "pequeno", mas adiantou que
Lula o trouxe para discutir "alternativas" com autoridades da região.
"Não é questão para ser resolvida amanhã. Procuramos dar uma
contribuição", comentou. "É pequena? É, mas achamos que devemos dar",
acrescentou. O governo brasileiro não age "ingenuamente" e sabe que
"não há solução mágica", disse.
Durante a visita a Israel, Lula deve ouvir críticas à aproximação de seu
governo com o Irã. O "Haaretz", grande jornal local, chegou a
publicar a visita de Lula como a chegada do "amigo de (Mahmoud)
Ahmadinejad", o presidente do Irã. Garcia incluiu a viagem de Lula ao Irã,
em maio, nos esforços para pacificação do Oriente Médio. A relação entre Lula e
o iraniano não é de inimizade, mas de "chefes de Estado", argumentou.
"Queremos que o Irã contribua para solução pacífica da questão na
Palestina; ele tem meios para isso, porque tem influência", disse Garcia,
anunciando, também, a insistência do governo brasileiro para que o Irã siga as
resoluções da Agência Internacional de Energia Atômica e "renuncie a
qualquer pretensão de uso da energia nuclear para fins militares".
Lula, que amanhã à tarde parte para Belém, nos territórios palestinos, e na
quarta visita à Jordânia, chega a Israel em um momento de crise. Em seguida ao
anúncio da construção de 1,6 mil casas e expansão de assentamentos judeus, o
governo israelense reforçou o policiamento em Jerusalém, criando restrições à
entrada de palestinos, e determinou o bloqueio até domingo das fronteiras da
Cisjordânia. O clima era tenso ontem, com ameaças de manifestações durante o
dia e hoje em Jerusalém. (SL)
Em Israel, Lula defende mais países nas negociações de paz
José Alan Dias Da TV Globo, em Jerusalém (Israel)*
Presidente discurou ao lado
de Shimon Peres.
'Por ser uma tarefa difícil é importante que se ouça mais gente', disse.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou nesta segunda-feira (15),
em Jerusalém, sua visita oficial de dois dias a Israel defendendo o
envolvimento de mais países nas negociações de paz no Oriente Médio. Além de
Israel, Lula visitará os territórios administrados pela Autoridade Palestina.
“Se (a paz na região) fosse uma tarefa fácil, já teríamos conquistado. Por ser
uma tarefa difícil é importante que se ouça mais gente, que se envolva mais
gente e que se converse um pouco mais”, disse Lula, em discurso no jardim da
residência oficial do presidente israelense.
Diante do presidente Shimon Peres, Lula disse que “a arte da política é
a arte de vencer as tarefas que parecem impossíveis”.
Com um discurso eloquente, o presidente Lula afirmou que “não existe uma única
palavra ou um único gesto que justifiquem a guerra, mas milhões de palavras e
milhões de gestos que justificam a paz”.
Essa é a primeira visita de um governante brasileiro à região desde que o
imperador D. Pedro II visitou a Terra Santa, em 1876.
“Estejam certos de que os outros presidentes brasileiros que não estiveram aqui
nos últimos 140 anos perderam muito”, disse Lula, no discurso, preparado, de
pouco mais de cinco minutos.
Mensageiro de paz
Primeiro a falar, o israelense Shimon Peres chamou Lula de César (mas na
tradução do hebraico para o português, não houve explicações sobre o porquê da
referência).
“Com a benção de Jerusalém, que seja bem-vinda a sua contribuição. Sei que o
senhor traz uma mensagem de paz”, disse Peres. “O mundo olha para o senhor e vê
esperança transformada em fatos. Sua ajuda para a paz no Oriente Médio é
importante, completou.
“Se hoje há crise, não pode haver rompimentos”, disse o governante
israelense.
“Vamos superar as crises. O processo continua sendo negociado. Os terrenos
militares acabaram. O importante agora é a negociação”, afirmou Shimon Peres.
A referência à crise é óbvia: as negociações voltaram a ficar paralisadas na
semana passada, quando Israel anunciou a construção de novos assentamentos em
Jerusalém Oriental.
Tensão na região
O presidente brasileiro chega ao Oriente Médio em um momento delicado.
Na semana passada, o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, visitou
Israel no esforço para iniciar uma nova rodada de negociações entre palestinos
e israelenses.
Mas a tarefa diplomática foi comprometida pelo anúncio de Israel de que
pretende construir 1.600 casas na parte Oriental de Jerusalém.
Na sexta-feira (12), Israel decretou bloqueio de 48 horas à Cisjordânia e
colocou 3.000 policiais dentro e em volta da cidade velha de Jerusalém.
No sábado (13), dezenas de mulheres palestinas entraram em confronto com
tropas israelenses na periferia de Jerusalém.
Os palestinos reivindicam Jerusalém Oriental como capital de seu futuro Estado
-a área foi capturada por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967.
No caso do presidente Lula, a pretensão de se apresentar como mediador nas
negociações de paz, na verdade, não é nova. Em 2003, o governo brasileiro havia
se oferecido como interlocutor entre palestinos e israelenses.
As investidas do governo brasileiro em questões distantes de sua zona de
influência - especialmente a crise envolvendo o programa nuclear iraniano e o
conflito entre palestinos e israelenses - estão diretamente ligadas às
pretensões do Brasil de obter uma cadeira permanente no conselho de segurança
da ONU.
Irã
O Irá também estará no topo das discussões de Lula na parte israelense da
visita. E isso ficou bem claro em declarações dadas pelo vice-ministro das
relações exteriores de Israel, Danny Ayalon, logo depois da recepção oficial a
Lula.
“Em todos os grandes problemas da região hoje, o Irã está presente, disse
Ayalon.
Um comediante israelense atrapalhou em vários momentos a entrevista e, no fim,
perguntou se Israel estaria preparando um ataque ao Irã. "Israel está aqui
e aqui ficará para sempre", respondeu o vice-ministro das relações
exteriores.
Na sexta-feira, o jornal "Haaretz" publicou uma reportagem, bastante
elogiosa, em que chamou Lula de "o profeta do diálogo". O repórter do
Haaretz escreveu que Lula foi diplomático na hora de escolher quem faria a
primeira pergunta (os israelenses ou o repórter árabe).
Mas a realidade é muito mais dura: a maioria dos israelenses não compreende o
porquê de o governo brasileiro insistir no diálogo com o Irã em vez de defender
mais sanções, já propostas pelos Estados Unidos.
Compromissos
Depois da recepção oficial, Lula participou de um seminário com empresários
brasileiros e israelenses. Em seguida, iria para um encontro a portas fechadas
com a líder da oposição israelense, Tzipi Livni.
Ainda nesta segunda-feira (15), Lula se reúne com o primeiro-ministro, Benjamin
Netanyahu, antes de participar de um jantar em sua homenagem na residência
oficial de Peres, em Jerusalém.
Na terça-feira (16), o presidente visita o Museu do Holocausto (Yad Vashem) e a
Universidade Hebraica, antes de se deslocar ao território palestino ocupado da
Cisjordânia para manter uma reunião em Belém com o presidente da Autoridade
Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.
À tarde, Lula visita a Basílica da Natividade, local do nascimento de Jesus,
segundo a tradição cristã. O presidente também participa do encerramento de um
encontro empresarial antes de jantar com Abbas.
No dia seguinte, Lula vai a Ramala, onde, além de assinar acordos de
cooperação com o presidente da ANP, vai visitar uma escola financiada pelo
Brasil. Ele deverá depositar uma oferenda de flores no túmulo do líder
palestino Yasser Arafat.
* O jornalista José Alan Dias, editor do Jornal da Globo, viaja a Israel a
convite do governo israelense
Brasil traz 'elemento novo'
para processo de paz, dizem analistas no EUA
Alessandra Corrêa - BBC
Segundo especialistas,
entretanto, visita de Lula tem pouca chance de obter avanços no processo.
A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
ao Oriente Médio em um momento de crise de credibilidade no processo de paz na
região pode representar um elemento novo e positivo, mas tem poucas chances de
obter algum avanço, dizem analistas nos Estados Unidos consultados pela BBC
Brasil.
"É positivo que o presidente brasileiro
esteja fazendo essa viagem, mostra que o mundo não está completamente
indiferente", afirma o especialista em Oriente Médio Thomas Lippman, do
Council on Foreign Relations, em Washington.
"Mas nem o Brasil nem qualquer outro país
do mundo está pronto para obter algum avanço no processo de paz no Oriente
Médio", diz Lippman. "O processo de paz é um embuste, uma
ficção."
Lula chegou à região neste domingo para
encontros com autoridades de Israel e dos territórios palestinos, menos de uma
semana depois da conturbada passagem do vice-presidente americano Joseph Biden.
Crise em Jerusalém
Durante a visita de Biden, na última
terça-feira, o governo israelense anunciou a construção de 1,6 mil novas casas
em assentamentos em Jerusalém Oriental.
O anúncio provocou constrangimento ao
vice-presidente americano, que havia viajado justamente para tentar promover o
início das negociações indiretas entre os dois lados, e gerou fortes críticas
por parte dos Estados Unidos.
Em um telefonema ao primeiro-ministro
israelense, Binyamin Netanyahu, a secretária de Estado americana, Hillary
Clinton, disse que o anúncio abalou a relação entre Estados Unidos e Israel e a
confiança no processo de paz.
O congelamento dos assentamentos judaicos em
territórios palestinos é uma das principais exigências das autoridades
palestinas para a retomada das negociações.
Confiança
Segundo o pesquisador Douglas Farah, do
International Assessment and Strategy Center, a chegada de Lula logo após a
visita de Biden pode ter um impacto positivo.
"O Brasil pode gerar um maior nível de
confiança em todas as partes envolvidas no processo", diz.
"Os Estados Unidos não são vistos como um
mediador imparcial por todos os lados. O Brasil, ao contrário, não tem uma
relação tão próxima com Israel como a dos Estados Unidos", afirma Farah.
De acordo com o analista, o fato de Lula ter
anunciado que vai dividir seu tempo igualmente entre Israel e os territórios
palestinos, inclusive pernoitando em Belém, também deve contribuir para esse
nível maior de confiança.
"Será visto como um gesto de solidariedade
com os palestinos", diz Farah. "Mas também é importante ressaltar que
o tempo de Lula à frente do governo está chegando ao fim, e isso pode ser
interpretado mais como um gesto pessoal dele do que como uma postura do Brasil."
Protagonismo
A viagem de Lula é vista como mais um esforço do
Brasil para ganhar maior protagonismo em grandes questões internacionais.
"Está relacionada à ambição global maior do
Brasil. Mas o Brasil não tem muita experiência em lidar com questões
multilaterais, será uma experiência nova", afirma Farah.
Segundo Lippman, "já era hora" de o
Brasil começar a desempenhar um papel no mundo "proporcional a seu tamanho
e sua importância".
No entanto, o analista reforça a opinião de que
a visita não deverá trazer mudanças no processo de paz.
"Israel já deixou claro que não vai
desistir da Cisjordânia, de Jerusalém Oriental, que não vai ceder", diz
Lippman.
"É improvável que depois de uma conversa
com Lula, Netanyahu decida mudar de ideia." BBC Brasil - Todos os direitos
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Líderes israelenses pedem que Lula apoie sanções ao Irã
O presidente Lula, durante visita ao Knesset,
parlamento de Israel, foi cobrado pelo chefe parlamentar, pelo premiê e pela
líder da oposição para que o Brasil se una contra o Irã, aprovando as sanções
contra o programa nuclear.
Reuven Rivlin, presidente do parlamento, comentou que desenvolver relações com
o Irã não contribui em nada para a paz mundial. Para Rivlin, se relacionar com
o Irã é legitimar as pretensões assassinas do país. "Peço ao senhor que se
junte a esses países que já aceitaram a importância dessas sanções".
O chefe do Knesset disse ainda que ser contra as sanções publicamente pode ser
interpetrado como fraqueza perante líderes como esse [Mahmoud Ahmadinjed,
presidente iraniano] que não tem freios.
O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, pediu que o Brasil se coloque contra o
armamentismo iraniano, apoiando a frente internacional. Para Netanyahu,
"os líderes do Irã usam de violência e crueldade, eles adoram a
morte".
O premiê afirmou que os iranianos negam o Holocausto e querem que Israel seja
retirado do mapa.
Tzipi Livni, líder da oposição, afirmou que é importante deixar o Irã isolado e
apoiar à ideia do presidente de Israel, Shimon Peres, de remover o Irã da ONU.
A aproximação com a América Latina, segundo Livni, diminuiria esse isolamento.
Discurso do Presidente
Lula não fez nenhuma menção ao Irã durante seu discurso. Ele afirmou que
quer discutir as questões profundas de maneira respeitosa, porém com
sinceridade. “A política externa do meu país tem uma vocação universalista”,
disse.
Segundo informações da TV Globo, Lula declarou que a diplomacia brasileira está
comprometida com valores e respeita a autodeterminação dos povos. “Buscamos
incessamente a paz e, por essa razão, propugnamos a solução negociada dos
conflitos”.
Durante sua fala de 17 minutos, o presidente brasileiro defendeu a criação de
um estado palestino e ampliação do Conselho de Segurança da ONU, permitindo um
papel mais ativo e renovado das Nações Unidas.
"Defendemos a existência um estado de Israel soberano seguro e pacífico.
Ele deverá conviver com um estado palestino igualmente soberano, seguro e
pacífico", declarou Lula.
O presidente brasileiro referiu-se ainda à iniciativas de negociação que buscam
superar caminhos diplomáticos ultrapassados. "Para resolver situações, é
necessário construir alternativas racionais e duradouras da paz. Mas não é
suficiente colocar apenas a cabeça pra funcionar, é preciso que o coração
esteja presente".
De acordo com o jornal israelense "Haaretz", Lula chamou o Oriente
Médio para viver livre de armas nucleares.
"O Brasil tem orgulho da inexistência de armas nucleares na América Latina
e queremos que isso sirva de exemplo para outras regiões no mundo",
afirmou o presidente.
Saia Justa
O chanceler israelense, Avigdor Lieberman, boicotou o discurso do
presidente Lula para protestar a recusa do líder brasileiro em visitar o túmulo
de Theodor Herzl, fundador do movimento sionista, que completa este ano
aniversário de 150 anos.
Lieberman também não compareceu no encontro entre Lula e Netanyahu. Lula, no
entanto, está programado para visitar o túmulo do falecido líder palestino
Yasser Arafat, durante sua visita a Ramallah.
O chanceler afirmou que queria mostrar ao líder brasileiro que Israel leva a
sério o descumprimento de protocolos diplomáticos.
Em Israel, Lula diz que
América Latina pode ser exemplo para Oriente Médio
Depois de citar os esforços brasileiros pela paz em países vizinhos, o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a sugerir, nesta segunda-feira, em
discurso ao Parlamento israelense, que o Brasil tenha maior participação nas
negociações no Oriente Médio, afirmando que a "única recompensa que
esperamos é a felicidade de israelenses e palestinos". Lula afirmou que América
Latina e Caribe são uma região pacífica que poderia servir de exemplo.
- Gostaríamos que o exemplo de nosso continente pudesse ser seguido em
outras partes - disse ele, antes de afirmar que o Brasil entendeu que para ter
estabilidade "não podemos estar cercados por desigualdade e pobreza".
O presidente voltou a defender a criação de um Estado palestino
"soberano, seguro e pacífico", lembrando que o Brasil também apoiou,
na Organização das Nações Unidas (ONU), a fundação do Estado judeu. Ele também
propôs que as Nações Unidas, "renovadas e com legitimidade", tenham
papel mais ativo nas negociações na região, e afirmou que "não podemos
continuar desperdiçando esforços multilaterais".
- A estabilidade da região será a garantia de que o conflito não se
espraiará. Está em jogo não só o futuro da região, mas a estabilidade de todo o
mundo.
Muito aplaudido, Lula concluiu seu discurso afirmando que a
"História recompensará" os que seguirem o caminho do diálogo, e citou
Albert Einseten, dizendo que "a paz não pode ser mantida pela força,
somente pode ser alcançada pelo entendimento". Em seu primeiro dia de
compromissos oficiais em Israel, Lula já havia sido recebido pelo presidente
Shimon Peres, além de ter participado de encontro com empresários.
DCI – Diário Comércio Indústria
Presidente Lula visita oficialmente Israel pela primeira vez
O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, já esta
em Israel para visita oficial e ficará no país até a manhã desta
terça-feira (16). Além do encontro ocorrido com o Presidente de Israel, Shimon
Peres, estão previstos em agenda encontros com o Primeiro-Ministro de
Israel, Benjamin Netanyahu, com a líder da oposição e ex-Chanceler israelense,
Tzipi Livni, com o escritor Amos Oz, com o Diretor da Universidade Hebraica de
Jerusalém, além de outras autoridades.
Ainda durante a visita, o Presidente Lula abrirá um Seminário Econômico, além
de uma visita ao Museu do Holocausto e, em homenagem aos 150 anos de seu
nascimento, uma visita ao túmulo de Teodoro Herzel, fundador do movimento
sionista.
Nos últimos anos, as relações políticas entre os dois países se
fortificaram com uma série de visitas ministeriais e comerciais de ambos os
lados, como a visita a Israel do Ministro das Relações Exteriores, Celso
Amorim, do Ministro da Educação, Fernando Haddad, do Ministro da Integração
Nacional, Geddel Vieira Lima, da ex-Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e
do ex-Ministro de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger. Já o Brasil
foi visitado por Ehud Olmert, na época Ministro da Indústria, e pelos Ministros
de Segurança Pública, Educação e Agricultura de Israel, entre outras
importantes missões.
Outro marco nas relações entre Israel e Brasil, foi a aprovação do Acordo de Livre
Comércio entre Israel e o Mercosul, assinado em 2007, e que entrará em vigor
ainda em 2010, constituindo Israel como o primeiro parceiro extra-regional a
firmar este tipo de acordo com o bloco. Trata-se de um convênio de abertura de
mercados que cobre, também, comércio de bens, regras de origem, salvaguardas,
cooperação em normas técnicas, sanitárias e fitossanitárias, cooperação
tecnológica e técnica e cooperação aduaneira. Em 2008 o comércio bilateral
ultrapassou 1,5 bilhões de dólares.
Além das relações comerciais, outros tipos de cooperação em vários temas são
mantidos entre Brasil e Israel. Um dos programas oferecidos, pela Embaixada de
Israel no Brasil, é o Mashav, que fornece bolsas de estudos para cursos em
diversas áreas em Israel. Em 2008, 48 brasileiros participaram de cursos em
Israel através do programa. Em 2009 foram 35 participantes e nos dois primeiros
meses de 2010, Israel já recebeu 12 participantes brasileiros. Além disso,
existe uma cooperação e boas relações científicas entre Universidades do Brasil
e de Israel.
Israel recebeu no último ano mais de 30 mil turistas e trabalha com a meta de
atingir o número de 50 mil brasileiros visitando o país por ano. Uma das
estratégias foi facilitar o trajeto de Brasil para Israel e vice-versa. Em maio
de 2009 a empresa de aviação israelense "El-Al" começou a operar no
Brasil com vôos diretos três vezes por semana. A meta é em breve operar vôos
diários entre os dois países.
Eliane Oliveira - enviada especial
Em visita ao Parlamento israelense , o presidente Luiz Inácio da Silva
foi cobrado pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e por
congressistas do governo e da oposição, por causa de sua atitude em relação ao
Irã. Todos os discursos proferidos defenderam a mudança de posição do Brasil,
atualmente contrário à aplicação de sanções aos iranianos, devido à sua
política nuclear.
- Peço ao senhor que apoie a junta internacional contra o armamentismo
do Irã. Vocês são a favor da liberdade. Eles (os iranianos) adoram a morte, e
vocês adoram a vida. O Irã representa, hoje em dia, o eixo central contra a
estabilidade e a paz no Oriente Médio - afirmou Netanyahu.
O presidente do Parlamento, Reuben Rivlin, da base governista, alertou
para o risco do que chamou de "fundamentalismo radical e regime de
aiatolás" não apenas para a região, mas também para todo o mundo.
- Desenvolver relações com Teerã não contribui para a paz mundial. Ser
publicamente contra as sanções pode ser visto como sinal de fraqueza - disse
Rivlin.
A líder da oposição Tzipi Livni sugeriu que, entre as sanções a serem
aplicadas contra o Irã, uma delas consista na expulsão do país das Nações
Unidas. Ela lembrou que o presidente iranino, Mahmoud Ahmadinejad, chegou a
afirmar que Israel deve sumir do mapa.
- É imporrtante isolar o Irã - disse a parlamentar.
O presidente Lula não respondeu diretamente às pressões e evitou, no
discurso que leu, citar a palavra Irã. Lula destacou ter "orgulho de
proclamar" que a América Latina e o Caribe é zona desnuclearizada, livre
de armas de destruição massiva.
- Em meu país, há uma proibição constitucional de produção e utilização
de armamento nuclear. Gostaríamos que o exemplo de nosso continente pudesse ser
seguido em outras partes do mundo - afirmou Lula que, apesar das críticas, foi
aplaudido de pé após seu discurso.
Depois de citar os esforços brasileiros pela paz em países vizinhos,
Lula voltou a sugerir que o Brasil tenha maior participação nas negociações no
Oriente Médio, afirmando que a "única recompensa que esperamos é a
felicidade de israelenses e palestinos".
- Está em jogo não só o futuro da região, mas a estabilidade de todo o
mundo.
Presidente de Israel diz que contribuição brasileira é bem-vinda
Em seu primeiro dia de compromissos oficiais em Israel, Lula já havia
sido recebido pelo presidente Shimon Peres, além de ter participado de encontro
com empresários. Na residência oficial do presidente, Lula reforçou a proposta
brasileira de que é preciso que mais países trabalhem como facilitadores para
um acordo entre israelenses e palestinos.
Com isso, indiretamente, ele deixou claro que o governo brasileiro
gostaria de ser chamado para ajudar a mediar um entendimento, juntamente com os
Estados Unidos, a ONU, a Rússia e a União Europeia, que formam o chamado
Quarteto. O presidente israelense respondeu dizendo que a contribuição de Lula
"será bem recebida".
- É importante que se chame mais gente, que se envolva mais gente e que
se converse mais - afirmou Lula, defendendo em seguida as credenciais
brasileiras. - A História do meu país é de paz. Não acredito que exista no
planeta um povo que ame e exerça tanto a paz como o Brasil. É nossa formação,
nossa raça e nosso jeito de ser - acrescentou.
Mais tarde, em evento com empresários, o presidente afirmou que tem o
"vírus da paz" e que não se lembra do dia em que brigou com
alguém, apesar de fazer parte de um "partido complicado". Ainda com
Peres, Lula disse que não há qualquer justificativa para a guerra. Ele está
disposto a atuar em duas frentes, dizendo que o Irã
é um ator importante na região e pode ajudar no processo de paz, e defendendo,
diante dos palestinos, o fim da divisão entre o Hamas e o Fatah, para que se
evite o fracasso das negociações.
O presidente israelense, que chamou Lula de "César", numa
alusão aos antigos imperadores romanos, afirmou que a ajuda de seu colega
brasileiro a encontrar uma solução para a paz no Oriente Médio será bem-vinda.
Segundo Shimon Peres, o processo de paz com os palestinos está sendo negociado
"e não vamos deixar que ele acabe por causa de uma crise", numa
referência aos Estados Unidos, que ficaram irritados por causa do plano de construir mais 1.600 casas
em assentamentos, anunciado durante visita do vice-presidente
americano, Joe Biden.
(embaixador diz que israel e eua
vivem o pior momento da relação em 35 anos)
- Sei que o senhor quer contribuir para a paz no Oriente Médio. Sua
contribuição será bem recebida. Não temos opção além de completar o processo de
paz - disse Peres, que recebeu o presidente Lula em sua residência com pompa e
diversos elogios. - O senhor é um César, um presidente que leva esperança e
paz. O seu povo o escolheu e o ama. O mundo vê no senhor a esperança. O senhor
traz a mensagem do futuro de todos nós.
Brasil e Israel buscam
ampliar comércio após acordo com Mercosul
Por Steven Scheer
O governo brasileiro espera que um novo acordo de livre comércio com
Israel aumente o comércio bilateral para mais de 3 bilhões de dólares dentro de
cinco anos, disseram autoridades nesta segunda-feira.
O comércio entre Brasil e Israel caiu abaixo de 1 bilhão de dólares em
2009 em relação ao auge de 1,6 bilhão de dólares em 2008 -dos quais 1,2 bilhão
de dólares foram exportações israelenses- devido à crise econômica global.
Mas, agora, um novo acordo de livre comércio entre Israel e o Mercosul
(Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) entrará em vigor no início de abril.
Israel é o primeiro país fora da América Latina a assinar um acordo como esse com
o Mercosul.
O Brasil deu sua aprovação final ao pacto comercial no dia 4 de março,
uma semana depois do Paraguai.
"Nós vamos triplicar o comércio entre Israel e Brasil até
2015", disse o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, em uma conferência em Jerusalém com o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente de Israel, Shimon Peres, e um grupo de
líderes empresariais brasileiros e israelenses.
O Brasil é o maior parceiro comercial de Israel na América Latina, com
uma série de grandes companhias israelenses já exportando ao Brasil.
A fabricante de materiais de defesa israelense Elbit Systems é
fornecedora da Embraer, a terceira maior fabricante de aeronaves do mundo,
enquanto a fabricante de fertilizantes Israel Chemicals e a companhia de
genéricos agroquímicos MA Industries têm exportações significantes para o
Brasil.
Lula disse que Israel é "um parceiro ideal" para ajudar a
desenvolver as indústrias farmacêutica, de semicondutores e de nanotecnologia do
Brasil.
"Nós esperamos avançar os laços econômicos e empresariais entre
Israel e o Brasil, já que o comércio aumentou significantemente entre nossos
dois países nos últimos anos", disse ele.
O principal objetivo de Lula nesta visita é promover a paz no Oriente
Médio e a diplomacia sobre o programa nuclear do Irã. No entanto, ele
aproveitou para pedir às empresas de Israel que investissem no Brasil, citando
o país como um dos que cresce mais rapidamente no mundo após a recessão, com
expansão de 5 por cento projetada para 2010.
O presidente também disse que quer atrair engenheiros israelenses ao
Brasil, visto que Israel possui 4 mil profissionais da área. Ele afirmou que o
governo brasileiro está procurando reforçar os laços econômicos com Israel
antes da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016.
Lula disse ainda que lançará em breve um novo programa de investimento,
e espera que Israel tenha um papel ativo.
"Apesar de Israel e o Brasil estarem distantes um do outro
geograficamente, nós podemos ficar mais próximos através da cooperação
econômica e científica", disse Peres.
"O Brasil tem uma economia forte e estável e nós estamos dispostos
e felizes em cooperar com vocês em todos os setores, incluindo ciência, defesa,
alta tecnologia, agricultura e tecnologia espacial avançada", disse ele a
Lula.
Sobre o Irã, Peres disse a Lula que "sanções econômicas duras"
são necessárias para interromper o programa nuclear do Irã. Lula rejeitou os
pedidos de Israel e dos Estados Unidos por sanções.
Temos
urgência em ver israelenses e palestinos vivendo em harmonia, diz Lula
Presidente discursou em jantar com presidente israelense Shimon Peres.
Lula voltou a defender estado palestino "independente, soberano e
coeso'.
Em visita a Israel, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a
defender, nesta segunda-feira (15), a existência de um Estado palestino
"independente, soberano, coeso e economicamente viável".
"Só assim poderá conviver em paz e segurança com Israel. Temos
urgência em ver israelenses e palestinos vivendo em harmonia. Recusamos o mito
de que estão fadados ao conflito, de que seus filhos estão condenados para
sempre à irracionalidade da guerra", disse Lula, durante um jantar
com o presidente de Israel, Shimon Peres, em Jerusalém.
Mais cedo, em discurso no Knesset, o parlamento
israelense, Lula defendeu um Estado palestino e afirmou que é preciso agir
também com compaixão nas negociações. "Para resolver situações, é
necessário construir alternativas racionais e duradouras da paz. Mas não é
suficiente colocar apenas a cabeça pra funcionar, é preciso que o coração
esteja presente, é fundamental um sentimento de compaixão", afirmou.
No jantar, Lula disse ainda que "o Brasil e a comunidade internacional não
podem se conformar em viver sob a ameaça constante da instabilidade em região
tão importante para o mundo" e afirmou que levará a mesma mensagem ao povo
palestino.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou
hoje, em visita a Israel, que foi aprovado o acordo de livre comércio entre o
país e o Mercosul. Israel é o primeiro país fora da América do Sul a ter um
acordo de livre comércio com o bloco econômico.
O Brasil é o maior parceiro comercial de Israel na América Latina. O
intercâmbio comercial do Brasil com Israel saltou de US$ 440 milhões, em 2002,
para US$ 1,6 bilhão, em 2008.
O acordo de livre comércio entre Mercosul e Israel passa a valer a partir de 4
de abril. A expectativa, segundo empresários, é que o comércio triplique nos
próximos 5 anos. Dos 200 empresários que participaram de um seminário no qual
Lula discursou, 80 eram brasileiros.
O seminário reuniu representantes de vários setores, do agronegócio à defesa
espacial, incluindo mineração, indústria têxtil, tecnologia, aviação e
medicamentos. O acordo foi comemorado pelo governo israelense. O presidente de
Israel, Shimon Peres, agradeceu o empenho brasileiro em favor da parceria.
— Apesar de Israel e Brasil serem distantes um do outro geograficamente,
podemos crescer por intermédio de uma estreita cooperação econômica e
científica. O Brasil tem uma economia forte e estável e estamos dispostos e
felizes em cooperar com este país em todos os setores, incluindo a ciência,
defesa, agricultura de alta tecnologia e tecnologias espaciais avançadas —
disse Peres.
O presidente Lula lembrou que o comércio entre Brasil e Israel aumentou
"significativamente nos últimos anos" e convidou os empresários
israelenses a investir em território brasileiro em decorrência do Plano de
Aceleração do Crescimento 2 (PAC), que define uma série de ações a partir de
2011.
— Esperamos avançar economicamente. Os laços comerciais entre Israel e Brasil
aumentaram significativamente nos últimos anos e podemos continuar com o ritmo
atual. Israel é conhecido por seu forte potencial nas áreas de tecnologia e
ciência. Nós encorajamos a cooperação intensiva com Israel — disse Lula.
Em comunicado da Embaixada de Israel no Brasil, o presidente da Federação das
Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, analisa a parceria:
"A visita do presidente Peres ao Brasil (em novembro de 2009) deu um
grande impulso às relações econômicas entre os dois países. Um grupo de
trabalho foi estabelecido entre Israel e Brasil para avançar e implementar o
acordo com o Mercosul. Ambos os países declararam as suas intenções em
triplicar o seu volume de comércio".
Lula
deixa flores no Museu do Holocausto
Em Israel, presidente visitou o memorial das vítimas da Segunda Guerra.
Programação desta terça-feira (16) inclui visita à Palestina.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira (16), ao
visitar o Museu do Holocausto israelense, que "a humanidade deveria
repetir todos os dias, tantas vezes quanto forem necessárias: 'Nunca mais,
nunca mais, nunca mais'".
No segundo dia de sua visita oficial a Israel, o governante brasileiro foi ao
ponto turístico usando um quipá. Lula e a mulher, Dona Marisa Letícia,
percorreram as instalações acompanhados do presidente de Israel, Shimon Peres,
e de um rabino.
No Salão da Memória, cujo chão traz os nomes dos 22 campos de extermínio
nazista, Lula acendeu uma chama em memória dos seis milhões de judeus mortos
durante o nazismo e depositou uma coroa de flores com as cores da bandeira do
Brasil.
Durante o ato, um pequeno coro feminino entoou uma canção. Depois, um
cantor litúrgico vestido com o tradicional manto judeu fez uma oração fúnebre
enquanto Lula e o resto das pessoas presentes faziam um momento de silêncio.
Em seguida, o presidente brasileiro conheceu o Memorial das Crianças, onde
assinou o livro de convidados junto com a mulher e recebeu um outro do museu.
"Acho que a visita ao Museu do Holocausto deveria ser quase obrigatória
para todos os seres humanos que queiram dirigir uma nação", disse Lula,
que assegurou que a experiência faz com que qualquer um saia dali "com a
certeza do que pode acontecer quando a irracionalidade se apodera do ser
humano".
A visita ao museu Vashem é "necessária para reafirmar que todos os que
lutamos pela democracia e os direitos humanos não podem, de modo algum,
permitir que volte a ocorrer algo como o Holocausto".
"A humanidade não pode permitir isso e deveria repetir todos os dias,
tantas vezes quanto forem necessárias: 'Nunca mais, nunca mais, nunca
mais'", acrescentou.
Ainda nesta terça-feira, também em Jerusalém, Lula visitará a
Universidade Hebraica. Só depois ele irá para a cidade cisjordaniana de Ramala,
onde, à tarde, se encontrará com o presidente da Autoridade Nacional Palestina
(ANP), Mahmoud Abbas.
O chefe de Estado brasileiro pernoitará em Belém, um gesto incomum entre
dignatários estrangeiros. Nessa cidade, ele conhecerá a Basílica da Natividade,
construída sobre o lugar onde, segundo a tradição cristã, nasceu Jesus Cristo.
Lula também vai depositar uma coroa de flores no túmulo do histórico líder
palestino Yasser Arafat, que morreu em 2004.
Lula
visita Museu do Holocausto em Israel
Presidente deve se encontrar
hoje com Mahmoud Abbas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje, ao visitar o Museu do
Holocausto israelense, que "a humanidade deveria repetir todos os dias,
tantas vezes quanto forem necessárias: 'Nunca mais, nunca mais, nunca
mais'".
No segundo dia de sua visita oficial a Israel, o governante brasileiro foi ao
ponto turístico usando um quipá. Lula e a mulher, Marisa Letícia, percorreram
as instalações acompanhados do presidente de Israel, Shimon Peres, e de um
rabino.
No Salão da Memória, cujo chão traz os nomes dos 22 campos de extermínio
nazista, Lula acendeu uma chama em memória dos 6 milhões de judeus mortos
durante o nazismo e depositou uma coroa de flores com as cores da bandeira do
Brasil.
Durante o ato, um pequeno coro feminino entoou uma canção. Depois, um cantor
litúrgico vestido com o tradicional manto judeu fez uma oração fúnebre enquanto
Lula e o resto das pessoas presentes faziam um momento de silêncio.
Em seguida, o presidente conheceu o Memorial das Crianças, onde assinou o livro
de convidados junto com a mulher e recebeu um outro do museu.
— Acho que a visita ao Museu do Holocausto deveria ser quase obrigatória para
todos os seres humanos que queiram dirigir uma nação — disse Lula, que
assegurou que a experiência faz com que qualquer um saia dali "com a
certeza do que pode acontecer quando a irracionalidade se apodera do ser
humano".
A visita ao museu Vashem é "necessária para reafirmar que todos os que
lutamos pela democracia e os direitos humanos não podem, de modo algum,
permitir que volte a ocorrer algo como o Holocausto".
Ainda hoje, também em Jerusalém, Lula visitará a Universidade Hebraica. Só
depois ele irá para a cidade cisjordaniana de Ramala, onde, à tarde, se
encontrará com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud
Abbas.
O chefe de Estado brasileiro pernoitará em Belém, um gesto incomum entre
dignatários estrangeiros. Nessa cidade, ele conhecerá a Basílica da Natividade,
construída sobre o lugar onde, segundo a tradição cristã, nasceu Jesus Cristo.
Lula também vai depositar uma coroa de flores no túmulo do histórico líder
palestino Yasser Arafat, que morreu em 2004.
EFE
Lula
visita o Museu do Holocausto
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje, ao visitar o Museu do
Holocausto israelense, que "a humanidade deveria repetir todos os dias,
tantas vezes quanto forem necessárias: 'Nunca mais, nunca mais, nunca
mais'".
No segundo dia de sua visita oficial a Israel, o governante brasileiro
foi ao ponto turístico usando um quipá.
Lula e a mulher, Dona Marisa Letícia, percorreram as instalações
acompanhados do presidente de Israel, Shimon Peres, e de um rabino.
No Salão da Memória, cujo chão traz os nomes dos 22 campos de extermínio
nazista, Lula acendeu uma chama em memória dos seis milhões de judeus mortos
durante o nazismo e depositou uma coroa de flores com as cores da bandeira do
Brasil.
Durante o ato, um pequeno coro feminino entoou uma canção. Depois, um
cantor litúrgico vestido com o tradicional manto judeu fez uma oração fúnebre
enquanto Lula e o resto das pessoas presentes faziam um momento de silêncio.
Em seguida, o presidente brasileiro conheceu o Memorial das Crianças,
onde assinou o livro de convidados junto com a mulher e recebeu um outro do
museu.
"Acho que a visita ao Museu do Holocausto deveria ser quase
obrigatória para todos os seres humanos que queiram dirigir uma nação",
disse Lula, que assegurou que a experiência faz com que qualquer um saia dali
"com a certeza do que pode acontecer quando a irracionalidade se apodera
do ser humano".
A visita ao museu Vashem é "necessária para reafirmar que todos os
que lutamos pela democracia e os direitos humanos não podem, de modo algum,
permitir que volte a ocorrer algo como o Holocausto".
"A humanidade não pode permitir isso e deveria repetir todos os
dias, tantas vezes quanto forem necessárias: 'Nunca mais, nunca mais, nunca
mais'", acrescentou.
Ainda hoje, também em Jerusalém, Lula visitará a Universidade Hebraica.
Só depois ele irá para a cidade cisjordaniana de Ramala, onde, à tarde, se
encontrará com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud
Abbas.
O chefe de Estado brasileiro pernoitará em Belém, um gesto incomum entre
dignatários estrangeiros. Nessa cidade, ele conhecerá a Basílica da Natividade,
construída sobre o lugar onde, segundo a tradição cristã, nasceu Jesus Cristo.
Lula também vai depositar uma coroa de flores no túmulo do histórico
líder palestino Yasser Arafat, que morreu em 2004. EFE
Lula visita Museu
do Holocausto em seu último dia de visita a Israel
Massacre de judeus
na Segunda Guerra Mundial foi irracional, disse mandatário brasileiro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou
nesta terça-feira, 16, o Museu do Holocausto (Yad Vashem) e o Bosque de
Jerusalém, onde plantou uma oliveira que recebeu o seu nome. O presidente está
em seu último dia de visita a Israel, onde chegou no domingo para se encontrar
com as autoridades israelenses e tentar colocar o Brasil como um mediador no
conflito do Estado judeu com os palestinos.
Lula também recebeu representantes de três
organizações não-governamentais israelenses e palestinas. Ao final de seu
percurso de quase uma hora no museu, o brasileiro participou da cerimônia da
"Chama Eterna", na Tenda da Memória, em cujo piso estão registrados
os nomes dos seis campos de concentração nazistas e das fossas onde judeus
foram fuzilados e enterrados. Ele percorreu o complexo ao lado do presidente de
Israel, Shimon Peres, com quem se encontrou na segunda-feira.
No local, Lula depositou uma coroa de flores
sobre uma lápide, onde estão depositadas as cinzas de judeus mortos no campo de
Majdanek, na Polônia. Logo depois de assinar um livro de presença, declarou que
"todos os que lutam pela democracia e pelos direitos humanos não podem
permitir" que o holocausto se repita.
Lula foi enfático ao condenar o Holocausto, que
chamou de irracionalidade. "A humanidade deve repetir quantas vezes for
necessário: nunca mais, nunca mais, nunca mais. Eu acredito que visitar o Museu
do Holocausto deveria ser quase uma obrigação a todo ser humano que quer
dirigir uma Nação", afirmou Lula.
No Bosque de Jerusalém, onde estão plantadas 240
mil árvores, Lula registrou que a Amazônia Legal tem algumas dezenas do
território equivalente a Israel, mas esse país aproveita cada espaço disponível
para o plantio.
Viagem
Ainda nesta terça-feira, Lula segue para Belém,
na Cisjordânia, onde se reunirá com o presidente da Autoridade Nacional
Palestina (ANP), Mahmoud Abbas. Depois, visitará Ramallah, onde depositará uma
coroa de flores no túmulo do líder palestino Yasser Arafat, que morreu em 2004.
Confira íntegra do
discurso de Lula no Knesset, o parlamento israelense
"Embaixador Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores do Brasil, e
cumprimentando o Celso, eu cumprimento todos os ministros que me acompanham,
Governador Jaques Wagner, governador do estado da Bahia, empresários
brasileiros que fazem parte da comunidade judaica que vieram a esta viagem,
representantes da comunidade judaica brasileira, presentes aqui no Parlamento,
senhores e senhoras parlamentares, senhores embaixadores, meus amigos e minhas
amigas.
É uma grande honra ser o primeiro chefe de Estado brasileiro que visita
oficialmente Israel e ter o privilégio de dirigir-me à sua Casa do Povo.
Volto a este país, que visitei em 1993, na condição de presidente do meu
partido, o Partido dos Trabalhadores. Daquela visita levei uma inesquecível
recordação.
Falo agora como presidente da República Federativa do Brasil, mas também na
condição de ex-parlamentar que nos anos 80 participou, em nosso Congresso, da
refundação constitucional de meu país, depois de vinte anos de ditadura.
Falo na condição de dirigente de um país que acompanhou o nascimento de Israel.
Como esquecer que a sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas que aprovou a
criação do Estado, em 1948, foi presidida por um brasileiro, Osvaldo Aranha.
Falo, finalmente, na condição de um amigo de Israel. Venho de um país que
recebeu dezenas de milhares de imigrantes judeus, perseguidos em suas terras de
origem pela intolerância étnica, cultural e religiosa. Muitos deles puderam
chegar ao Brasil graças a dois funcionários humanistas que honram a diplomacia
brasileira: dona Aracy, do Consulado de Hamburgo, e o embaixador Souza Dantas,
de nossa legação em Paris.
A contribuição que esses imigrantes e seus descendentes deram e continuam dando
ao Brasil é extraordinária. Ela está em nossa literatura, com Clarice Lispector
e Moacir Scliar; em nossas artes visuais, com Lasar Segall e Carlos Scliar; em
nosso cinema, com Leon Hirszman. Ela é ainda mais visível no mundo da ciência e
da cultura, na atividade empresarial e na atividade política.
Senhoras e senhores parlamentares,
Uma visita como esta serve para aprofundar relações bilaterais. Relações que
têm experimentado um avanço considerável nestes últimos anos e que, espero,
possam ganhar mais intensidade a partir de agora.
Penso nos números de nosso comércio exterior, em extraordinário progresso. Se
bem que Israel e Brasil poderiam ter uma balança comercial infinitamente maior,
na hora em que os dois países começarem a utilizar todo o seu potencial. Penso
em nossa cooperação cultural, científica e tecnológica. Penso, finalmente no
acordo Mercosul-Israel, o primeiro estabelecido com um país fora da América
Latina, a despeito das resistências que alguns ofereceram.
Mas esta é, igualmente, a oportunidade de debater questões mais gerais e
profundas. Queremos discuti-las respeitosamente, mas com franqueza. Com aquela
franqueza que deve marcar o relacionamento entre amigos.
A política externa de meu país tem uma vocação universalista. Está comprometida
com valores. Respeitamos a autodeterminação dos povos.
Defendemos os Direitos Humanos. Queremos um mundo mais justo econômica, social
e politicamente. Buscamos incessantemente a paz e, por essa razão, propugnamos
a solução negociada dos conflitos.
O Oriente Médio vive, há décadas, dolorosos enfrentamentos que têm custado
milhares de vítimas. Por detrás das terríveis estatísticas de mortos, feridos e
banidos estão dramas humanos, diante dos quais ninguém pode ficar insensível.
Para resolver situações dilacerantes é necessário construir alternativas
racionais e duradouras de paz. Mas não é suficiente pôr apenas a cabeça a
funcionar. É preciso, igualmente, que o coração esteja presente. É fundamental
um sentimento de compaixão para superar antagonismos que aparecem como
insuperáveis.
Em minha trajetória pessoal – como sindicalista e dirigente político – vivi
situações de alta conflitividade. Não fugi aos conflitos, mas busquei resolvê-los
pelo diálogo, ainda quando ele parecia exercício ingênuo, tarefa impossível. Na
oposição, busquei o diálogo. Cheguei à Presidência pelo diálogo, governei
dialogando. Apostei na democracia, mesmo quando ela aparecia como um horizonte
inatingível. Com esses sentimentos, temos reiterado as posições históricas de
nossa diplomacia.
Defendemos a existência de um Estado de Israel, soberano, seguro e pacífico.
Ele deverá conviver com um Estado Palestino, igualmente soberano, pacífico,
seguro e viável, sobretudo pelo traçado de seu território.
Com esses propósitos, chegamos à reunião de Annapolis, lamentando que o
movimento que aí se iniciou tenha ficado pelo caminho. Não podemos continuar
desperdiçando esforços multilaterais, sobretudo quando apresentam um extraordinário
potencial.
Naquela ocasião, reiteramos nossa posição sobre a coexistência necessária de um
Estado Palestino com um Estado de Israel, e expressamos nosso repúdio ao
terrorismo, praticado sob qualquer pretexto e por quem quer que fosse.
Essa postura se faz mais necessária agora, quando assistimos a uma paralisação
das negociações e iniciativas unilaterais que as dificultam, como o anúncio da
construção de residências em Jerusalém às vésperas do reinício de uma rodada de
negociações.
O impasse agrava a deterioração das condições de vida nos territórios
palestinos ocupados, mas também alimenta fundamentalismos de todos os lados e
coloca no horizonte conflitos mais sangrentos ainda.
Temos urgência de ver israelenses e palestinos vivendo em harmonia. A
estabilidade dessa região atenuará o sofrimento daqueles que perderam seus
entes queridos em décadas de enfrentamento. Com alguns deles – familiares de
vítimas dos dois lados – devo encontrar-me para escutar seus sentimentos e suas
aspirações.
Mas essa estabilidade desejada será, sobretudo, a garantia de que um conflito
regional não se espraiará pelo resto do Planeta, ameaçando a paz mundial. O que
está em jogo aqui, portanto, não é somente o futuro da paz nesta região, mas a
estabilidade de todo o mundo.
Venho de um continente que possui grandes riquezas naturais, mas também marcado
por desigualdades regionais e sociais. A consciência dessa situação inaceitável
fez com que muitos governos latino-americanos iniciassem, nos últimos anos, um
exitoso processo de mudança econômica e social que tem fortalecido a democracia
política e a paz.
Temos orgulho de proclamar que a América Latina e o Caribe é uma zona livre de
armas de destruição massiva. Em meu país há uma proibição constitucional de
produção e utilização de armamento nuclear. Gostaríamos que o exemplo de nosso
continente pudesse ser seguido em outras partes do mundo.
No Brasil, compreendemos que não será possível sermos uma nação próspera e
justa se estivermos cercados, em nosso entorno, de pobreza e de desigualdades
que aumentem ressentimentos.
Senhoras e senhores parlamentares,
Em meu país, dez milhões de árabes e de seus descendentes convivem de forma
harmoniosa com milhares de judeus.
Gostaríamos que essa situação fosse como uma metáfora na busca de um
entendimento profundo e duradouro nesta região do mundo, distante
geograficamente de nós, mas próxima de nossos corações e nossas mentes.
Árabes e judeus são povos magníficos, com esplêndidas tradições culturais.
Povos que construíram suas identidades no curso de uma história, muitas vezes
cheia de sofrimento. Desse sofrimento, de que é testemunho o Museu do
Holocausto, que visitei em 1993, e o Yadvaskem, que visitarei amanhã. Desse
sofrimento que evoquei recentemente na mais antiga Sinagoga da América Latina,
no Recife, quando lá me recolhi para evocar e condenar a barbárie da Segunda
Guerra Mundial, que marcou toda a Humanidade e o povo judaico em particular.
Nunca mais! Nunca mais, temos que repetir sempre! Mas para que esse chamamento
não seja um grito desesperado e inútil, é necessário que enfrentemos os
impasses que se perpetuam nesta região com coragem e determinação, mas também
com desprendimento.
Nos grandes gestos, de homens e mulheres, sempre estão presentes grandes
sacrifícios e grandes concessões. Eles exigem renovação de intenções,
alargamento de ambições e ampliação de interlocutores.
Pensemos nas palavras de Albert Einstein, quando nos disse: “Não se pode fazer
a mesma coisa, dia após dia, e esperar resultados diferentes”. O Brasil quer,
modestamente, ajudar a obter esses “resultados diferentes”. Foi o que fizemos
em nosso continente, junto com outros países amigos da América Latina e do
Caribe, ao participar de esforços coletivos para solucionar conflitos e debelar
ameaças à paz.
A única recompensa que esperamos ter aqui é a felicidade de israelenses e de
palestinos.
O impasse que vive o Oriente Médio mostra as enormes dificuldades que enfrenta
hoje a governança global, em particular as Nações Unidas.
Em 1948, como lembrei, o surgimento do Estado de Israel teve o patrocínio das
Nações Unidas. Não será o caso de que as Nações Unidas, renovadas e com maior
legitimidade, assumam agora um papel mais ativo na busca da paz?
Amigas e amigos,
Ao dirigir-me aos parlamentares israelenses sei que não estou falando apenas à
mais alta instituição do Estado de Israel. Sei que, por vosso intermédio, falo
a mães e pais, esposas e filhos dos que partiram em meio a conflitos que
poderiam ter sido evitados.
É chegada a hora de abrir um círculo virtuoso de negociações nesta região do
mundo, superando desconfianças e desentendimentos, em nome de valores mais
elevados. A história recompensará os que seguirem este caminho.
Concluo, uma vez mais mencionando esta figura luminar do século XX, Albert
Einstein, quando proclamou: “A paz não pode ser mantida pela força. Somente
pode ser alcançada pelo entendimento”.
Shalon e muito obrigado."
A Tarde
Lula: Não podemos permitir que
holocausto se repita
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou na
manhã de hoje o Museu do Holocausto (Yad Vashem) e o Bosque de Jerusalém, onde
plantou uma oliveira que recebeu o seu nome. Logo depois de assinar um livro de
presença do museu, declarou que "todos os que lutamos pela democracia e
pelos direitos humanos não podemos permitir" que o holocausto se repita.
"A humanidade deve repetir quantas vezes for necessário: nunca mais, nunca
mais, nunca mais", afirmou.
Ao final de seu percurso de quase uma hora no museu, Lula participou da
cerimônia da "Chama Eterna", na Tenda da Memória, em cujo piso estão
registrados os nomes dos seis campos de concentração nazistas e das fossas onde
judeus foram fuzilados e enterrados. Ele percorreu o complexo ao lado do
presidente de Israel, Shimon Peres. No local, Lula depositou uma coroa de
flores sobre uma lápide onde estão depositadas as cinzas de vítimas do campo de
Majdanek, na Polônia.
"Eu acredito que visitar o Museu do Holocausto deveria ser quase uma
obrigação a todo ser humano que quer dirigir uma nação", afirmou Lula, ao
final da visita, para logo em seguida atribuir o holocausto à
"irracionalidade".
Logo depois de plantar a oliveira com a ajuda da primeira-dama Marisa Letícia
no Bosque de Jerusalém, onde estão plantadas 240 mil árvores, Lula disse que,
em cinco anos ou mais, um filho ou neto seu poderia sentar-se debaixo daquela
árvore e colher e preparar as azeitonas. "Tenho certeza que eles não vão
morrer de fome." O presidente ainda recebeu representantes de três
organizações não-governamentais (ONGs) de Israel e de palestinos.
Israelenses cobram de Lula distância do
Irã
Clóvis Rossi, enviado especial a Jerusalém
Israel pressiona Lula a se afastar do Irã
Em sessão no Parlamento israelense, presidente brasileiro ouve exortações
contra Teerã de governistas e opositores
Petista não cita país persa em discurso, mas em reunião com Netanyahu reafirma
crença em diálogo como melhor caminho a seguir
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ouviu ontem um coro de vozes
israelenses, representando todo o arco político-institucional, para que adira
ao que o primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu, chamou de "frente
internacional que se está formando contra o armamentismo do Irã".
Emendou "Bibi", como é mais conhecido o premiê israelense: "Você
[Lula] representa valores diferentes. Eles [o Irã] usam a crueldade, eles amam
a morte, você ama a vida".
O coro incluiu dois pedidos para que Lula não legitime "as intenções
assassinas" dos governantes iranianos, como disse Reuven Rivlin, o
presidente da Knesset, o Parlamento israelense. É uma evidente alusão à visita
que Lula fará em maio ao Irã, que também foi criticada pela líder da oposição,
Tzipi Livni, para quem "o Brasil não pode permitir-se dar legitimidade indireta
ao Irã".
Depois do que o chanceler Celso Amorim chamaria de "exortações", Lula
não citou a palavra Irã em uma única linha de seu discurso à Knesset, que
terminou sendo aplaudido de pé pelos deputados.
Na conversa fechada com o presidente brasileiro, Netanyahu voltou a cobrar
Lula, de forma "muito amistosa e respeitosa", segundo o relato do
encontro feito por Amorim.
Aí, sim, o presidente brasileiro disse qual era a sua posição, reiterando a
defesa do diálogo em vez de sanções. No discurso ao Parlamento, aliás, já
tocara no tema "diálogo", conceitualmente, aplicando-o não ao Irã
especificamente, mas a tudo.
"Não fugi aos conflitos. Mas busquei resolvê-los pelo diálogo, ainda
quando parecia exercício ingênuo, tarefa impossível", afirmou.
Parece uma alusão ao fato de a diplomacia israelense considerar ingênua a visão
brasileira sobre o diálogo com o Irã.
A violência retórica contra Teerã, nos discursos dos líderes israelenses,
demonstra que não há a mais leve hipótese de que aceitem a conversão do regime
iraniano pelo diálogo.
"O tempo está terminando, e o mundo deve despertar para as bases satânicas
do regime dos aiatolás", começou Rivlin, presidente da Knesset,
pertencente ao Likud, o partido de Netanyahu, a direita dura israelense.
Continuou: "Ser publicamente contra sanções pode ser interpretado como
sinal de fraqueza ante líderes que não têm freios".
Seguiu-se Tzipi Livni, do Kadima, partido hoje tido como moderado, mas que foi
criado por Ariel Sharon, ex-primeiro-ministro que se encontra em estado vegetativo
após acidente vascular cerebral. Sharon foi historicamente considerado
ultralinha-dura:
"A vitória do Hamas é a vitória do Irã e da ideologia do ódio",
disparou, aludindo ao movimento islâmico de resistência, que controla a faixa
de Gaza e está na lista de movimentos terroristas da União Europeia e dos EUA.
A barragem de "exortações" não surpreendeu o governo brasileiro. De
fato, já fora antecipada por esta Folha no sábado, 24 horas antes da chegada de
Lula. O fato de ter sido feita em público, em uma sessão do Parlamento que
usualmente é uma exaltação da amizade entre dois países, confirma que a
hipótese de que o Irã produza a bomba atômica é o grande pesadelo de Israel.
Como diz Dan Ayalon, vice-chanceler: "É bastante óbvio que, depois de um
ano em que todas as tentativas de engajamento não funcionaram, se continuarmos
com o diálogo pelo diálogo se criará uma situação muito perigosa porque,
enquanto dialogamos, os iranianos trabalham duramente para ter a arma
nuclear".
Depois da sessão do Parlamento, a Folha perguntou a Ayalon se ele ficara
frustrado com a ausência de menção ao Irã no discurso de Lula.
"Respeitamos a posição dele, que é um líder mundial. Esperamos que, ao
final do encontro [que haveria entre Netanyahu e Lula], haja não só um encontro
de mentes mas de posições."
Não houve, mas tampouco quer dizer que tenha havido rachaduras no bom
relacionamento Brasil-Israel. Tanto que Netanyahu e Lula combinaram que,
doravante, haverá uma sistema de reuniões entre os chefes de governo uma vez a
cada dois anos.
O primeiro-ministro foi convidado a visitar o Brasil e talvez o faça ainda
neste ano.
Pode ter contribuído para amenizar a divergência o fato de que o governo
brasileiro parece exibir agora uma posição mais flexível em relação ao programa
nuclear iraniano. Amorim antecipou, na entrevista coletiva, que Lula cobrará do
presidente Mahmoud Ahmadinejad, em maio, garantias de que o programa nuclear
iraniano é exclusivamente para fins pacíficos.
Mais: "É preciso que a comunidade internacional seja convencida [das
garantias]". Amorim disse ainda que "nem nós estamos convencidos, a
priori".
Não são exatamente frases que combinem com a versão mais difundida pela mídia
internacional de que o Brasil defende o programa nuclear iraniano. Defende o
direito do Irã -e de qualquer país- de ter a tecnologia nuclear para usos
pacíficos, mas é contra que "qualquer país tenha armas nucleares",
conforme Lula comentou com Netanyahu.
Israelense propõe que Brasil medeie paz
com Síria
Clóvis Rossi, enviado especial a Jerusalém
O presidente israelense, Shimon Peres, sugeriu ontem a seu colega Luiz Inácio
Lula da Silva que convide o presidente da Síria, Bashar al Assad, a visitar o
Brasil, juntamente com o premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, no que seria a
porta de entrada do Brasil para as negociações de paz no Oriente Médio, hoje
estancadas.
Assad já está convidado e a data tentativa para a viagem é julho. Netanyahu foi
convidado ontem por Lula e também acenou com a hipótese de ir em 2010, mas a
situação em Israel é tão volátil que uma eventual confirmação pode demorar.
Ainda mais agora que há uma crise nas relações com os EUA que levou a uma
"situação crítica", conforme avaliação de Peres para a delegação
brasileira.
Israel e Síria vinham mantendo negociações indiretas usando a Turquia como
canal, até que a invasão da faixa de Gaza pelos israelenses, há pouco mais de
um ano, pôs fim à intermediação. O Brasil está dialogando intensamente com a
Turquia em torno do problema iraniano, o que tornaria em tese mais fácil passar
a ser um canal alternativo ou complementar a outros esforços.
O que é mais complicado é entrar na negociação entre Israel e palestinos, por
uma razão bastante objetiva: "Enquanto as partes não tiverem confiança uma
na outra, é muito difícil haver negociação", diz o vice-chanceler Dan
Ayalon. Fica impraticável, portanto, o Brasil entrar no que não existe.
Lula, em sua fala à Knesset, lamentou a paralisação das negociações e criticou
"iniciativas unilaterais que as dificultam, como o anúncio da construção
de residências em Jerusalém, às vésperas do reinício de uma rodada de
negociações".
O que, sim, existe é um ativo brasileiro, exaltado coincidentemente pelos
presidentes de Israel e da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas: a boa
convivência entre as comunidades árabe e judia no Brasil.
Aliás, o encontro empresarial Brasil/Israel, que Lula encerrou ontem, acabou
sendo involuntariamente uma demonstração dessa convivência: fechava a fila de
autoridades no salão do hotel em que se deu o seminário, a dupla Paulo Skaf,
presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, de origem árabe,
e Daniel Feffer, da Suzano, judeu.
Os dois, aliás, nem notaram a coincidência, quando a Folha apontou-a, o que
demonstra como é natural representantes das comunidades conviverem sem nenhuma
estranheza.
Lula aproveitou o seminário para fazer um sermão pela paz. "O vírus da paz
está comigo acho que desde que estava no útero de minha mãe", disparou.
Portador do ''vírus da paz''
Determinado a ser um dos mediadores da paz entre
Israel e os palestinos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que
não se lembra da última vez em que brigou. Ele afirmou que carrega no corpo o
“vírus da paz” desde que era bebê. O comentário ocorreu durante discurso a
empresários, em Jerusalém.
“Acho que o vírus da paz está comigo desde que estava no útero da minha mãe.
Não me lembro do dia em que briguei com alguém”, declarou o presidente.
Bem-humorado, Lula arrancou risos da plateia, inclusive do presidente de
Israel, Shimon Peres, ao falar do PT. "Já fiz muita disputa política,
pertenço a um partido complicado (...). Temos divergências políticas de causar
inveja a qualquer pessoa do mundo”, acrescentou.
Ao defender a busca pela paz, Lula citou um encontro com o ex-presidente dos
Estados Unidos George W. Bush, em 2003, quando disse ao -americano que o Iraque
não era um problema do Brasil e que sua prioridade era combater a miséria.
“Pensei que teria animosidade na minha relação com o presidente Bush. Como fui
sindicalista a vida inteira, imaginava que ia brigar muito com os Estados
Unidos. Eis que o presidente Bush terminou o mandato e eu vou terminar o meu
sem
que tenhamos tido nenhuma divergência. Quando tivemos, resolvemos por
telefone”, afirmou.
Segundo Lula, todos devem tentar acabar com as divergências e buscar o acordo.
Como exemplo, citou o impasse com a Bolívia, quando o presidente Evo Morales
impôs resistências à atuação da Petrobras no seu país. “O primeiro discurso foi
tomar a Petrobras. Mas entendemos que o gás era um direito da Bolívia, um
patrimônio do povo boliviano e fizemos um acordo com eles.”
Em seguida, o presidente lembrou a pressão que sofreu para ser mais incisivo
com o governo Morales. “Tinha gente que queria que o Brasil fosse duro com a
Bolívia. Talvez por causa da minha origem, não conseguia perceber como um
metalúrgico de São Paulo ia brigar com um índio boliviano. Dialogamos e
hoje estamos numa relação excepcional”, disse.
BEM-ESTAR REGIONAL
Para Lula, o esforço do Brasil é para buscar o bem-estar da região. "A
nós, brasileiros. não nos interessa sermos grandes e ricos, se estivermos
cercados de pobres. Não é sensato do ponto de vista da geopolítica estar
cercado de gente mais pobre que você de todos os lados.”
O presidente brasileiro conversou ainda com os empresários israelenses sobre as
oportunidades de investimento no Brasil, citando o Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC), a Copa do Mundo de 2014, as Olimpíadas, de 2016, o trem
de alta velocidade entre Campinas, São Paulo e o Rio de Janeiro e as
oportunidades de exploração de petróleo na Bacia de Campos.
Lula ouve reclamações sobre o Irã
Presidente evita debater posição do Brasil a
respeito de Teerã, mas defende Estado palestino
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não escapou ontem, em seu primeiro dia
de agenda oficial no Oriente Médio, de cobranças em relação ao seu
posicionamento sobre a questão nuclear iraniana. O líder brasileiro, que posa
como possível mediador do confronto entre israelenses e palestinos, até ouviu
do presidente israelense, Shimon Peres, que sua contribuição era bem-vinda, mas
demais autoridades fizeram questão de lembrar que não concordam com a posição
de Lula, contrária a sanções contra o Irã, país acusado de tentar enriquecer
urânio em percentual considerado armamentista.
O vice-ministro israelense de Relações Exteriores, Danny Ayalon, disse a
jornalistas que a única forma de evitar que o Irã prossiga com uma possível
busca por uma arma nuclear será uma posição unida da comunidade internacional.
Ao ser perguntado se isso seria um recado ao presidente Lula, respondeu,
enfático, que sim.
A líder da oposição, Tzipi Livni, e o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu,
também foram duros em seus discursos ao citar o caso do Irã.
Netanyahu pediu a Lula que apoie as sanções, afim de evitar o armamentismo do
Teerã.
Lula, que defende que o Irã tenha o direito de enriquecer urânio, desde que
exclusivamente pra fins pacíficos, foi o último a discursar no Knesser –
parlamento israelense – e não fez referências diretas a Teerã, dizendo apenas
ser contra o armamentismo nuclear.
– Em meu país, há uma proibição constitucional de produção e utilização de
armamento nuclear. – disse Lula. – Gostaríamos que o exemplo de nosso
continente pudesse ser seguido em outras partes do mundo.
Outro que alfinetou a posição brasileira foi o deputado israelense Reuven
Rivlin, presidente do Knesser. Na opinião do parlamentar, “ser publicamente
contra as sanções (ao Irã) pode ser visto como um sinal de fraqueza”.
A visita de Lula foi boicotada pelo ministro de Assuntos Exteriores de Israel,
Avigdor Lieberman, depois que o presidente brasileiro não visitou o túmulo do
fundador do sionismo, Theodor Herzl.
Sobre as divergências entre israelenses e palestinos, Lula disse “sonhar” com a
paz no Oriente Médio. A viagem do líder brasileiro ocorre no momento em que
Israel é criticada – inclusive pelo Brasil – após o anúncio de construção de
1.600 casas na Jerusalém Oriental anexada – Sonho com o dia no qual o Oriente
Médio terá paz, para que todos os povos da região possam se beneficiar da
prosperidade – discursou Lula. – Acho que o vírus da paz está comigo desde que
eu estava no útero da minha mãe.
Bem-humorado, Lula arrancou risos, até de Shimon Peres, ao afirmar que no PT há
divergências que causam inveja a qualquer um – Israel deve viver ao lado de um
Estado palestino. Deve haver coexistência – disse Lula.
Segundo o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, numa
reunião de Lula com Peres foi discutida a possível participação do Brasil no
processo de paz.
– (Peres) Valorizou o papel do Brasil numa situação de ajudar a promover o
diálogo.
– disse Amorim. – Ele achou que nossa capacidade de fazer amigos com todos pode
ser útil, mas não era a hora de discutir detalhes.
Lula chega hoje à Cisjordânia para se encontrar com os dirigentes palestinos,
antes de visitar, amanhã, a Jordânia.
Negócios Lula viaja com uma delegação de 80 empresários, e falou a Peres do
sinal verde dado pelo Brasil ao acordo de livre comércio entre Israel e o
Mercosul.
Israel é o primeiro país fora das fronteiras da América Latina a assinar um tal
acordo com o bloco sul-americano.
O presidente brasileiro também participou ontem da assinatura de acordos de
cooperação relacionados a diversos temas como ciência, segurança, alta
tecnologia, agricultura e indústrias espaciais.
Lula também conversou com empresários israelenses sobre as oportunidades de
investimento no Brasil, citando o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC),
a Copa do Mundo, a Olimpíada, o trem de alta velocidade entre Campinas, São
Paulo e Rio, e as oportunidades de exploração de petróleo na Bacia de Campos.
A viagem de Lula ao Oriente Médio é o mais importante esforço do Brasil para
tentar atuar como interlocutor para as negociações entre israelenses e
palestinos.
O país também almeja uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU,
mas o órgão precisaria passar por uma reforma.
Visita foi boicotada pelo ministro de Assuntos Exteriores Avigdor Lieberman
Governo e oposição em Israel se unem e
cobram Lula sobre Irã
Denise Chrispim Marin, enviada especial, Jerusalém
No Parlamento israelense, presidente pede desarmamento nuclear global
No primeiro dia da visita do presidente Lula a Israel, o governo e a oposição
israelenses, em raro momento de coesão, se uniram para criticar a aproximação
do Brasil com o Irã e para pedir ao País que apoie as sanções contra Teerã.
"Eles (o governo iraniano) adoram a morte, e vocês (brasileiros) adoram a
vida", discursou o presidente do Parlamento, Reuven Rivlin, que sugeriu ao
Brasil "acordar da sonolência" sobre o Irã. Na sua vez de discursar,
Lula defendeu o fim da produção de armas nucleares, referindo-se às suspeitas
sobre o Irã, mas também ao fato de que Israel tem arsenal atômico. O chanceler
brasileiro, Celso Amorim, disse que a pressão israelense já era esperada.
"Não acho que houve rolo compressor", afirmou. (1ª Página)
Governo e oposição de Israel cobram de Lula atitude mais firme contra Irã
Recado. Líder brasileiro diz que América Latina é 'exemplo a ser seguido' de
zona livre da ameaça nuclear e evita citar caso iraniano
Partidos de oposição e situação de Israel uniram-se ontem para criticar a
aproximação do Brasil com o Irã e fazer um apelo para que o governo brasileiro
apoie as sanções do Conselho de Segurança das Nações Unidas contra Teerã.
O consenso das frentes políticas israelenses foi exposto diretamente ao
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se mostrou preparado para absorver o
golpe desferido em sessão especial do Parlamento de Israel (Knesset). Em sua
vez de discursar, Lula não mencionou a palavra Irã. Acentuou que a América
Latina firmou um tratado que tornou a região livre de armas nucleares
(Tlatelolco, de 1967) e lembrou que o Brasil conta com proibição constitucional
à produção e ao uso de armamento atômico.
"Gostaríamos que o exemplo de nosso continente pudesse ser seguido em
outras partes do mundo", afirmou, referindo-se às suspeitas sobre o
programa iraniano e também ao fato de Israel possuir a bomba.
A posição brasileira em relação ao Irã foi alvo de duras críticas do presidente
da Knesset, Reuven Rivlin, do premiê, Binyamin "Bibi" Netanyahu
(ambos do partido Likud), e da líder da oposição, Tzipi Livni. "Não acho
que houve um rolo compressor. Já era esperada (essa posição unânime)",
reagiu o chanceler Celso Amorim.
O chanceler israelense, Avigdor Lieberman, decidiu boicotar Lula depois que o
brasileiro supostamente se esquivou de prestar homenagem ao fundador do
sionismo, Theodor Herzl. (Mais informações nesta página).
Em referência ao Brasil, Rivlin advertiu que "os países devem acordar da
sonolência para enfrentar as bases satânicas desse regime dos aiatolás" e
argumentou que uma posição contrária às sanções ao Irã daria um "sinal de
fraqueza".
Perigo iraniano. Por fim, fez um apelo para que o País se una aos que
reconhecem o "perigo iraniano" e aprove sanções. Lógica semelhante à
que foi exposta por Bibi.
"Peço e espero que o Brasil apoie a frente internacional que se está
cristalizando contra o armamentismo do Irã", disse o premiê. "Eles
têm valores diferentes dos nossos e usam da crueldade. Eles adoram a morte e
vocês (brasileiros) adoram a vida. Eles apoiam o terror e são o eixo
fundamental contra a estabilidade e a paz no Oriente Médio."
A líder da oposição na Knesset defendeu o isolamento do Irã, por meio da
aplicação de sanções, e sua expulsão da ONU - medida de retaliação política
que, pela manhã, havia sido insinuada pelo presidente de Israel, Shimon Peres,
a Lula.
Livni afirmou que Teerã se aproveita de sua aproximação com a América Latina.
"O Brasil não pode dar legitimidade ao Irã", afirmou Livni, chanceler
entre 2006 e 2009. "O Irã testa os limites do mundo livre. É preciso uma
decisão enérgica e corajosa agora."
Respeito e amizade. O choque de posições entre o Brasil e Israel sobre a
questão iraniana foi repetido, com mais argumentos e detalhes, durante o
encontro reservado de Lula e Netanyahu. A reunião durou uma hora e meia e foi
aliviada pela proposta do premiê de criar um mecanismo de
Segundo Amorim, a franqueza dos dois lados foi combinada com sinais de respeito
e amizade. A Netanyahu, Lula defendeu que ainda há espaço para o diálogo com o
Irã.
"Vírus da paz"
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
PRESIDENTE DO BRASIL
"Tenho o vírus da paz desde que estava no útero da minha mãe"
(durante discurso a empresários brasileiros e israelenses
Editorial: O 'vírus da paz' de Lula
Desta vez, a proverbial sorte do presidente Lula parece tê-lo deserdado. Ele
desembarcou domingo em Tel-Aviv em meio a uma rara crise entre Israel e os
Estados Unidos e a mais um bloqueio da Cisjordânia em represália a um novo
surto de manifestações palestinas contra a política israelense de anexações em
Jerusalém Oriental. Nesse ambiente, a pretensão de Lula de ser o "profeta
do diálogo" ? como foi chamado dias antes pelo jornal israelense Haaretz ?
se revelou, no mínimo, fútil. Enquanto o brasileiro fazia as malas para a
viagem de 5 dias que o levará também aos territórios ocupados sob o controle
nominal da Autoridade Palestina (AP) e, por fim, à Jordânia, um ministro
israelense ainda mais à direita do que o premiê Benjamin Netanyahu fez o que em
outras circunstâncias seria impensável.
Em plena visita do vice-presidente americano, Joe Biden, ele anunciou a
construção de 1.600 moradias em Jerusalém Oriental, onde os palestinos querem
instalar a capital do seu futuro país. Foi um golpe deliberado nos esforços do
governo Obama para ressuscitar as negociações de paz na região, congeladas
desde dezembro de 2008. Biden saiu humilhado de Israel. Em Washington, a
secretária de Estado Hillary Clinton se disse "insultada" e o
principal assessor do presidente, David Axelrod, falou em "afronta".
Se Israel se permite ofender a tal ponto o seu maior e mais poderoso protetor,
para não dar aos palestinos o Estado contínuo e viável reclamado pela
comunidade internacional, incluídos os EUA, que diferença Lula imagina que
poderá fazer?
Ontem, ele disse ser portador, "desde que estava no útero da minha
mãe", do "vírus da paz". O metafórico micróbio não contaminou os
israelenses. O presidente Shimon Peres foi absolutamente protocolar quando
disse em discurso saber que o brasileiro trazia uma mensagem de paz ? e que
"sua contribuição será bem-vinda". Do lado israelense é que não será.
Primeiro, porque a ideia lulista de "ouvir mais gente", como já não
bastassem a ONU, a União Europeia, os Estados Unidos e a Rússia, é anátema para
um governo que acha que a maioria dos países tende a ser pró-palestinos e quer
forçar Israel a concessões "inaceitáveis" (como coibir os
assentamentos na Cisjordânia e dividir Jerusalém em duas). Segundo, porque a
"gente" em que Lula pensa inclui ninguém menos do que o presidente
iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, que prega a erradicação de Israel (perto disso,
a negação do Holocausto é detalhe).
Segundo o assessor Marco Aurélio Garcia, o Irã não pode ser ignorado porque tem
"influência de peso" na questão. É o contrário. A República Islâmica
é que não poderá ignorar o eventual acordo de paz a que se opõe porque
legitimaria o Estado judeu. Influência de peso na questão, isso sim, tem a Liga
Árabe, a começar da Arábia Saudita. Em 2002, os sauditas conseguiram que a
entidade aprovasse um plano de paz pelo qual, em troca da devolução dos
territórios tomados na Guerra dos Seis Dias as relações entre Israel e o mundo
árabe seriam "normalizadas". Deu em nada. Há pouco, a Liga defendeu a
retomada de negociações - indiretas - entre Israel e a Autoridade Palestina.
(Dezessete anos depois do aperto de mãos de Yitzhak Rabin e Yasser Arafat na
Casa Branca, fala-se em conversações indiretas como se fosse um progresso.)
Lula e o Itamaraty parecem ignorar ainda que a aproximação do Brasil com o Irã,
valha o que valer, não é malvista só em Israel, na região. A Arábia Saudita e o
Egito, os dois principais países árabes, tampouco se rejubilam com isso. Enfim,
a soberba da diplomacia lulista chega ao disparate de supor que a atual posição
"cética e dura" dos EUA em relação a Israel, nas palavras de Garcia,
facilitará o ingresso de outros atores, um deles o Brasil, no processo de paz
no Oriente Médio. É, de novo, o mundo de ponta-cabeça. Se Netanyahu não ceder a
Obama, cederá a quem? A Lula? O sonho faraônico de se transformar no estadista
global que entrará para a história por ter tido êxito ali onde todos
fracassaram nos últimos 60 anos conduz Lula da futilidade à ridicularia. E isso
porque a diplomacia lulista, partidária e eleitoreira, só visa a promover a
imagem de seu guia perante o público interno.
Propondo-se a mediar não apenas o conflito histórico entre judeus e palestinos,
mas também o conflito interno entre palestinos do Hamas e do Fatah, Lula exibe
o grau de exacerbação da sua megalomania
Peres pede a Lula que leve recado a
Abbas
Eliane Oliveira e Daniela Kresch
Apesar de construções, Israel quer negociar acordo
de paz com palestinos
Depois de irritar os americanos, seus principais aliados, com o anúncio da
construção de 1.600 novas casas em assentamentos na Cisjordânia, o governo
israelense decidiu aproveitar as boas relações do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva e aproveitou para pedir que o brasileiro leve uma mensagem ao
presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, com quem se
reúne hoje, em Belém: Israel deseja continuar a negociação de um acordo de paz.
Imperador: Peres chama Lula de “César” O pedido foi feito ontem pelo presidente
de Israel, Shimon Peres, numa reunião com Lula, o que, na prática, garante uma
maior participação do Brasil no processo de mediação. Mas, mesmo com a abertura
dada pelos israelenses, o presidente se disse preocupado com a suspensão do
diálogo e criticou a expansão das colônias em áreas palestinas.
— O impasse agrava a deterioração das condições de vida nos territórios palestinos
ocupados, mas também alimenta fundamentalismos de todos os lados e coloca no
horizonte conflitos mais sangrentos ainda — disse Lula.
Segundo o presidente, a política externa brasileira tem vocação universalista,
comprometida com valores cujo propósito é a busca incessante da paz. Segundo um
funcionário que participou do encontro, Israel concorda com a criação do Estado
Palestino, mas ressalta a dificuldade da falta de interlocutores, devido à
divisão política entre as facções Hamas, em Gaza, e Fatah, na Cisjordânia.
O presidente reforçou a posição brasileira de que é preciso novos países
atuando como “facilitadores” na região.
Chamando Lula de “César”, numa alusão ao imperador romano, Peres disse que a
ajuda do colega brasileiro a encontrar uma solução para a paz será bem
recebida.
Lula também deu um recado ao governo de Israel, citando sua situação na América
do Sul e suas relações com os EUA. Ele alertou que um país não pode se
desenvolver se os vizinhos que estão à sua volta forem pobres.
Israel critica Brasil por Irã, mas fala
em ajuda na paz
Sergio Leo
Relações externas: No parlamento, Lula foi
aplaudido e censurado
O Brasil pode ajudar Israel a negociar um tratado de paz com a Síria, disse o
presidente israelense, Shimon Peres, em conversa reservada com o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, a quem sugeriu que o Brasil poderia fazer coincidir,
em território brasileiro, visitas do presidente sírio, Bashar Al-Assad, e do
primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Al-Assad já recebeu convite
para visitar o Brasil e, ontem, Netanyahu concordou em fazer uma visita ao país
ainda neste ano. A aproximação do Brasil com o Irã recebeu, porém, forte e
unânime desaprovação das principais forças políticas de Israel, que saudaram
Lula com palavras duras sobre as relações com os iranianos.
O ministro de Relações Exteriores, o ultra-ortodoxo Avigdor Lieberman, teve a
reação mais forte à insistência brasileira em evitar sanções ao Irã e negociar
para que o país não use energia nuclear para fins militares. Lieberman boicotou
a visita de Lula ao Knesset, o parlamento israelense, e a reunião de que
participaria, com o brasileiro e o primeiro-ministro israelense, Benjamin
Netanyahu. Entre as razões do boicote, o jornal israelense Haaretz citou a
recusa de Lula em visitar o túmulo do ativista criador do sionismo Theodore
Herzle (Lula visitará, nesta semana, o túmulo do ex-líder da Autoridade
Palestina, Yasser Arafat). Os brasileiros argumentam que o compromisso,
incluído de última hora, não fez parte de visitas recentes do presidente da
França, Nicolás Sarkozy, nem do da Itália, Silvio Berlusconi.
Apesar de referências elogiosas ao presidente brasileiro, o Irã dominou os
discursos no Knesset. "Os países devem acordar da sonolência e enfrentar
as bases satânicas do regime dos aiatolás", discursou o líder do Knesset,
Reuven Rivlin, ao saudar Lula. Ele pediu a Lula para unir-se aos que
reconheceram "o perigo iraniano", e alertou que a oposição a sanções
contra o Irã, pelo programa nuclear do país, seria vista como "sinal de
fraqueza".
"Creio e creio que o senhor também acredite que esse regime tem valores
diferentes dos que o senhor, sua cultura, e o povo do Brasil representam",
endossou Netanyahu, do partido direitista Likud, como Rivlin. "Eles usam
crueldade, são contra as minorias; odeiam a liberdade, adoram a morte e vocês
adoram a vida". Mais dura, a líder da oposição, Tzipi Livni, do Kadima, de
centro, acusou o Irã, presidido por Mahmoud Ahmadinejad, de usar o conflito
entre Israel e palestinos para promover a "doutrina do ódio". Ela
disse saber dos valores pacíficos de Lula, mas cobrou dele "não somente
criticar, mas apoiar as sanções ao Irã nas Nações Unidas".
Mesmo com a manifesta preocupação com o Irã e o boicote do ministro de Relações
Exteriores (líder de um partido em expansão em Israel, tradicionalmente oposto
a concessões aos palestinos e árabes israelenses), as autoridades israelenses
mantiveram um tom elogioso a Lula e saudaram os acordos de cooperação entre os
dois países. Netanyahu e Lula decidiram, por sugestão do israelense, um sistema
de reuniões a cada dois anos entre os chefes de Estado e ministros de Israel e
do Brasil, a começar em 2010 com uma visita do primeiro-ministro ao Brasil.
Falando ao Knesset, Lula evitou improvisos, defendeu a busca de
"alternativas racionais e duradouras", com "compaixão" e
diálogo, para a paz no Oriente Médio. Sem citar o Irã, condenou o terrorismo e
o holocausto, lembrou o compromisso do Brasil e da América Latina contra as
armas nucleares e defendeu a coexistência de um estado de Israel, soberano,
seguro e pacífico, e um Estado palestino "soberano, pacífico, seguro e
viável". Ao tocar nesse assunto, criticou o recente anúncio israelense de
construção de 1,6 mil casas na região oriental de Jerusalém, reivindicada pelos
palestinos como sua futura capital.
Lula foi aplaudido de pé pelos parlamentares, pouco mais de 70 dos 120 membros
do parlamento. "Foi um bom discurso, muito polido", comentou um dos
principais aliados de Netanyahu, Yossi Peled, conhecido general israelense, que
manteve, porém, a crítica à relação entre Brasil e Irã. "Um monte de
países prefere fechar os olhos. US$ 1 bilhão, US$ 2 bilhões são mais fortes que
qualquer ameaça", disse, ecoando a acusação da oposicionista Livni, de que
interesses econômicos garantem sustentação ao Irã. "Foi importante que ele
lembrasse o direito ao estado Palestino. Teve mais palmas que George
Bush", afirmou o vice-presidente do parlamento, Ahmad Tibi, do partido
minoritário que representa os árabes.
Shimon Peres publicamente pediu a Lula que aproveite seu encontro, hoje, com o
presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, para garantir que
Israel está comprometido com o processo de negociações e a busca da paz. O
ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, foi evasivo ao ser
Fiesp prevê que comércio entre os dois países será triplicado
Sergio Leo
Em consequência da aproximação comercial entre Brasil e Israel, já em maio uma
missão empresarial israelense visita o Brasil, a convite da Federação das
Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), para discutir projetos de comércio e
investimento de mercadorias e serviços ligados à defesa e segurança.
Segundo o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, a tecnologia de segurança israelense
tem forte potencial no Brasil, para o uso por empresas, famílias e pelo próprio
governo, na Copa do Mundo de 2012 e na Olimpíada de 2016, no Rio.
"A viagem do presidente Lula será um divisor de águas. Daqui para a frente
vamos triplicar o comércio com Israel", prevê Skaf, que comandou a missão
empresarial levada a Israel pelo departamento de promoção comercial do
Itamaraty. A meta de Skaf, segundo reconhece ele próprio, é facilitada pelo
baixo volume de comércio e pela queda nas exportações e importações entre os
dois países, em 2009. Depois de superar US$ 1,6 bilhão em 2008, o total de
comércio entre Israel e Brasil caiu para menos de US$ 1 bilhão no ano passado.
O Brasil enviou cerca de 70 executivos a Israel, e os israelenses acorreram em
grande número ao seminário destinado a explorar oportunidades de negócios. O
anúncio formal feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de que deve
entrar em vigor em abril o acordo de livre comércio entre o Mercosul e Israel,
foi comemorado pelo governo israelense como um bom sinal na relação bilateral.
Mesmo durante os severos discursos contra as relações Brasil-Irã, feitos no
parlamento israelense (o Knesset), ontem, durante visita do presidente Lula,
autoridades como o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, louvaram o acordo
comercial . O governo brasileiro, por sua vez, espera que o novo acordo de
livre comércio com Israel aumente o comércio bilateral para mais de US$ 3
bilhões dentro de cinco anos.
O Brasil é o maior parceiro comercial de Israel na América Latina, e muitas
grandes companhias israelenses já exportam para o Brasil. A fabricante de
materiais de defesa Elbit Systems é fornecedora da Embraer, e a indústria de
fertilizantes Israel Chemicals e a MA Industries também têm exportações
significativas para o país. O presidente Lula disse que Israel é "um
parceiro ideal" para ajudar a desenvolver as indústrias farmacêutica, de
semicondutores e de nanotecnologia do Brasil. (SL, com agência Reuters)
Editorial: Gesto para a paz
Num momento especialmente complicado do processo de
paz no Oriente Médio, em que a estagnação nas negociações dá lugar à apreensão
em decorrência do anúncio israelense de novos assentamentos no território
ocupado, o presidente Luiz Inácio da Silva visita a região e se propõe a
reativar o diálogo, em meio a ceticismo generalizado. A presença do presidente
brasileiro e seus pronunciamentos conciliadores não devem ser superestimados,
como alertam os especialistas. Mas é importante que o Brasil apareça no cenário
internacional como uma nação vocacionada para a paz, que tem em sua
Constituição, como princípios de sua política externa, a busca de solução dos
conflitos e o veto expresso à construção de armas atômicas, admitindo atividade
nuclear apenas para fins pacíficos.
Assim, a expectativa que cerca a visita do presidente brasileiro a Israel e à
Autoridade Palestina, iniciada ontem em Jerusalém, é um fato positivo e
estimulante. O Brasil oferece seus préstimos para ajudar a aproximar vizinhos
que há mais de meio século não conseguem encontrar um modus vivendi que, além de
permitir o convívio de nações, elimine uma das usinas mundiais de fanatismo e
de ódio. Nosso país tem credenciais suficientes para tentar esse gesto
pacificador – e o presidente Lula explicitou algumas delas em seu discurso. No
Brasil, convivem comunidades de árabes e de judeus em praticamente todos os
Estados. Foi um brasileiro, Osvaldo Aranha, o presidente da Assembleia Geral da
ONU que, em 1948, partilhou a Palestina e determinou a criação de dois Estados
– o de Israel, instalado imediatamente, e o da Palestina, nunca efetivamente
implantado. A política externa brasileira sempre viu o conflito do Oriente
Médio como algo a ser solucionado na mesa das negociações e no estímulo ao
diálogo – e não na imposição das armas, movidas por intransigências e ódios mútuos.
Tem razão o presidente Lula ao identificar, no discurso que fez ontem ao
parlamento de Israel, que a questão da paz no Oriente Médio não passa apenas
pela construção de “alternativas racionais e duradouras de paz”, baseadas no
uso da inteligência. “É fundamental um sentimento de compaixão para superar
antagonismos que aparecem como insuperáveis”, afirmou o presidente.
Por mais que os esforços de mediação surjam neste momento como utópicos e até
ingênuos, é óbvio que devem ser feitos. “Temos urgência de ver israelenses e
palestinos vivendo em harmonia. A estabilidade dessa região atenuará o
sofrimento daqueles que perderam seus entes queridos em décadas de
enfrentamento”, constatou Lula em seu discurso.
O conflito do Oriente Médio já demonstrou, nestas cinco décadas de vigência,
que representa um entrave para o desenvolvimento civilizado, mantendo-se como
uma fonte caudalosa de ódios, fanatismo e fundamentalismo que alimenta uma
parcela importante do terrorismo mundial. A solução para esse impasse histórico
e suas sequelas merece a atenção da comunidade mundial e não dispensa gestos
como o que, generosamente, o Brasil procura fazer neste momento.
Por mais que os esforços de mediação entre israelenses e palestinos surjam
neste momento como utópicos e até ingênuos, é óbvio que devem ser feitos.
Israel faz apelo a Lula contra Irã
Situação e oposição se uniram no parlamento para dizer que presidente
brasileiro não pode legitimar o regime dos aiatolás
Uma primeira proeza o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já conseguiu em sua
viagem ao Oriente Médio: uniu oposição e situação ontem na Knesset (o
parlamento de Israel) para pressioná-lo a abandonar a política de aproximação
com o Irã. Os israelenses pediram, durante sessão especial no Legislativo, que
o presidente brasileiro defenda novas sanções contra Teerã.
A sessão ocorreu para homenagear Lula. E, na presença do brasileiro, o
presidente do parlamento, Reuven Rivlin, advertiu que os países devem acordar
da sonolência e enfrentar as bases satânicas do regime dos aiatolás.
Peço a você: una-se aos países que já reconheceram esse perigo e apoie as
sanções. Ser contra as sanções pode ser visto como um sinal de fraqueza diante
de líderes como esses, que não têm freios. A história mostra, Deus nos livre, o
que pode acontecer se não tomarmos medidas contra essas ameaças iranianas
afirmou Rivlin.
O apelo foi reforçado a Lula pelo próprio primeiro-ministro israelense,
Binyamin Netanyahu, que insistiu na adesão do Brasil a uma frente moral para
evitar a ameaça iraniana.
Peço e espero que o Brasil apoie a frente internacional que está se
cristalizando contra o armamentismo do Irã. Eles têm valores diferentes dos
nossos e usam da crueldade. Eles adoram a morte, e vocês, brasileiros, adoram a
vida disse ele.
A líder da oposição na Knesset, Tzipi Livni, defendeu o isolamento do Irã, pela
aplicação de sanções, e sua expulsão das Nações Unidas, uma vez que o
presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, prega a eliminação de Israel. Livni,
que foi chanceler de Israel entre 2006 e 2009, afirmou que o Irã se aproveita
da aproximação com a América Latina para driblar o isolamento.
O Brasil não pode dar legitimidade ao Irã. É preciso uma decisão enérgica e corajosa
agora afirmou.
Lula defende Estado palestino
Em seu discurso, Lula não chegou a mencionar a palavra Irã, país que deve
visitar em maio. Acentuou que a América Latina firmou um tratado que tornou a
região livre de armas nucleares e que o Brasil adota a proibição constitucional
à produção e ao uso de armamento atômico.
Gostaríamos que o exemplo de nosso continente pudesse ser seguido em outras
partes do mundo afirmou.
Como era esperado, Lula defendeu a intermediação brasileira para as negociações
de paz e a criação de um Estado palestino ao lado de Israel:
Defendemos a existência um Estado de Israel soberano, seguro e pacífico. Ele
deverá conviver com um Estado palestino igualmente soberano, seguro e pacífico.
Lula fez referência a iniciativas de paz que superem tradicionais caminhos
diplomáticos, defendeu a ampliação de interlocutores nas negociações o Brasil
se oferece como mediador e até apelou para a compaixão:
Ninguém pode ficar insensível. Para resolver situações, é necessário construir
alternativas racionais e duradouras. Mas não é suficiente colocar apenas a
cabeça para funcionar, é preciso que o coração esteja presente, é fundamental a
compaixão.
Já reagindo ao anúncio do governo israelense de que não suspenderá as
construções em Jerusalém Leste (veja reportagem nesta página), Lula disse que a
iniciativa gera um impasse que agrava as condições de vida nos Territórios
Palestinos, alimenta o fundamentalismo de todos os lados e coloca no horizonte
conflitos ainda mais sangrentos. Os parlamentares israelenses aplaudiram Lula
de pé.
Hoje, Lula visita o Museu do Holocausto e o presidente da Autoridade Nacional
Palestina, Mahmoud Abbas.
Shimon Peres agradece colaboração do Brasil
na busca pela paz no Oriente Médio
Juliana Andrade
O presidente de Israel, Shimon Peres, afirmou hoje (15) que o governo do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode contribuir na busca pela paz no
Oriente Médio, apesar de o processo estar parado desde 2008. Segundo ele, a
mensagem de Lula será “bem-vinda”. Ao lado de Peres, o presidente brasileiro
disse que um acordo na região é “uma tarefa difícil” e que é necessário que se
“ouça mais gente” nos esforços pela paz.
“Sei que o senhor traz uma mensagem de paz. Sua contribuição será bem-vinda”,
disse o presidente israelense. “Se fosse tarefa fácil, já teriam conquistado a
paz. Por ser difícil, é importante que se ouça mais gente”, afirmou Lula,
segundo a BBC Brasil.
O diálogo ocorreu na primeira visita oficial do presidente brasileiro a Israel.
Lula quer que o Brasil atue como mediador em uma eventual retomada do processo
de paz entre israelenses e palestinos.
Porém, autoridades israelenses analisam com restrições a aproximação do governo
Lula com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. O iraniano nega que houve o
Holocausto e reitera críticas a Israel, inclusive sugerindo sua exclusão do
mapa.
De Israel, Lula visita a Palestina e encerra sua viagem ao Oriente Médio na
Jordânia, na quarta-feira (17).
Na semana passada, os esforços do governo dos Estados Unidos como mediador do
processo de paz fracassaram. A crise atual entre israelenses e palestinos foi
detonada durante a visita do vice-presidente americano, Joe Biden, a Israel na
semana passada.
Biden planejava lançar um novo processo de negociações indiretas entre os dois
lados, quando o Ministério da Defesa israelense aprovou a construção de 112
residências no assentamento de Beitar Ilit, em território ocupado na
Cisjordânia.
O anúncio foi visto como uma ameaça à retomada das negociações, a situação se
agravou no dia seguinte, quando o Ministério do Interior, controlado pelo Shas,
partido ultraortodoxo e a favor da ampliação dos assentamentos, divulgou a
aprovação da construção de 1,6 mil casas em Jerusalém Oriental, que os
palestinos reivindicam como capital de seu futuro Estado.
O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, abandonou
as negociações, enquanto o governo de Israel decretou o fechamento temporário
do acesso à Cisjordânia e reforçou o policiamento em toda a área de Jerusalém.
O processo de paz já estava congelado desde dezembro de 2008, quando o
presidente palestino suspendeu o diálogo com o ex-primeiro-ministro israelense
Ehud Olmert. Na época, Israel tinha iniciado uma nova ofensiva militar na Faixa
de Gaza.
Para o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco
Aurélio Garcia, Ahamadinejad pode colaborar como mediador na questão palestina.
“Achamos que, se o Irã ficar isolado, vai ser pior. Nós já temos outras
experiências muito infrutíferas de tentativa de isolamento e bloqueio. A única
coisa que isso pode trazer é consolidar uma posição ainda mais dura dos
iranianos”, disse ele.
Israel é aceito como parceiro comercial
do Mercosul
Fernanda Isidoro e Renata Giraldi
Brasília e Jerusalém (Israel) – O presidente Luiz
Inácio Lula da Silva anunciou hoje (15), em visita a Israel, que foi aprovado o
acordo de livre comércio entre o país e o Mercosul. Israel é o primeiro país
fora da América do Sul a ter um acordo de livre comércio com o bloco econômico.
O Brasil é o maior parceiro comercial de Israel na América Latina. O
intercâmbio comercial do Brasil com Israel saltou de US$ 440 milhões, em 2002,
para US$ 1,6 bilhão, em 2008.
O acordo de livre comércio entre Mercosul e Israel passa a valer a partir de 4
de abril. A expectativa, segundo empresários, é que o comércio triplique nos
próximos 5 anos. Dos 200 empresários que participaram de um seminário no qual
Lula discursou, 80 eram brasileiros.
O seminário reuniu representantes de vários setores, do agronegócio à defesa
espacial, incluindo mineração, indústria têxtil, tecnologia, aviação e
medicamentos. O acordo foi comemorado pelo governo israelense. O presidente de
Israel, Shimon Peres, agradeceu o empenho brasileiro em favor da parceria.
“Apesar de Israel e Brasil serem distantes um do outro geograficamente, podemos
crescer por intermédio de uma estreita cooperação econômica e científica. O
Brasil tem uma economia forte e estável e estamos dispostos e felizes em
cooperar com este país em todos os setores, incluindo a ciência, defesa,
agricultura de alta tecnologia e tecnologias espaciais avançadas”, disse Peres.
O presidente Lula lembrou que o comércio entre Brasil e Israel aumentou
“significativamente nos últimos anos” e convidou os empresários israelenses a
investir em território brasileiro em decorrência do Plano de Aceleração do
Crescimento 2 (PAC), que define uma série de ações a partir de 2011.
“Esperamos avançar economicamente. Os laços comerciais entre Israel e Brasil
aumentaram significativamente nos últimos anos e podemos continuar com o ritmo
atual. Israel é conhecido por seu forte potencial nas áreas de tecnologia e
ciência. Nós encorajamos a cooperação intensiva com Israel”, disse Lula.
Em comunicado da Embaixada de Israel no Brasil, o presidente da Federação das
Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, analisa a parceria. “A
visita do presidente Peres ao Brasil [em novembro de 2009] deu um grande
impulso às relações econômicas entre os dois países. Um grupo de trabalho foi
estabelecido entre Israel e Brasil para avançar e implementar o acordo com o
Mercosul. Ambos os países declararam as suas intenções em triplicar o seu
volume de comércio”.
Lula diz em Israel que tem o 'vírus da paz' desde que era bebê
Determinado a ser um dos mediadores da paz entre Israel e a Palestina, o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje (15) que não se lembra da
última vez em que brigou. Ele afirmou que carrega no corpo o “vírus da paz”
desde que era bebê. O comentário ocorreu durante discurso a empresários, em
Jerusalém, segundo a BBC Brasil.
“Eu acho que o vírus da paz está comigo desde que estava no útero da minha mãe.
Não me lembro do dia em que briguei com alguém”, disse o presidente.
Bem-humorado, Lula arrancou risos da plateia, inclusive do presidente de
Israel, Shimon Peres, ao dizer que no PT há divergências que causam inveja em
qualquer um. “Eu já fiz muita disputa política, pertenço a um partido
complicado (...). Temos divergências políticas de causar inveja a qualquer
pessoa do mundo”, acrescentou.
Ao defender a busca pela paz, Lula citou um encontro com o ex-presidente dos
Estados Unidos George W. Bush, em 2003, quando disse ao norte-americano que o
Iraque não era um problema do Brasil e que sua prioridade era combater a
miséria.
“Pensei que teria animosidade na minha relação com o presidente Bush. Como fui
sindicalista a vida inteira, imaginava que ia brigar muito com os Estados
Unidos. Eis que o presidente Bush terminou o mandato e eu vou terminar o meu
sem que tenhamos tido nenhuma divergência. Quando tivemos, resolvemos por
telefone”, afirmou.
Segundo Lula, todos devem tentar acabar com as divergências e buscar o acordo.
Como exemplo, citou o impasse com a Bolívia, quando o presidente Evo Morales
impôs resistências à atuação da Petrobras no seu país. “O primeiro discurso foi
tomar a Petrobras. Mas entendemos que o gás era um direito da Bolívia, um
patrimônio do povo boliviano e fizemos um acordo com eles.”
Em seguida, o presidente lembrou a pressão que sofreu para ser mais incisivo
com o governo Morales. “Tinha gente que queria que o Brasil fosse duro com a
Bolívia. Talvez por causa da minha origem, não conseguia perceber como um
metalúrgico de São Paulo ia brigar com um índio boliviano. Dialogamos e hoje
estamos numa relação excepcional”, disse.
Para o presidente, o esforço do Brasil é para buscar o bem-estar da região, sem
isolar um ou outro nem adotar medidas que beneficiem apenas os brasileiros.
"A nós brasileiros não nos interessa sermos grandes e ricos, se estivermos
cercados de pobres. Não é sensato do ponto de vista da geopolítica estar
cercado de gente mais pobre que você de todos os lados”, afirmou Lula.
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que durante a reunião
de Lula com Peres foi discutida a possível participação do Brasil no processo
de paz. “Ele valorizou muito o papel do Brasil em mais de uma situação, podendo
ajudar a promover o diálogo. Ele acha que essa capacidade de fazer amigos com
todos pode ser muito útil nessas situações, mas ali não era o momento de se
discutir esses detalhes”, afirmou o diplomata.
Lula conversou ainda com os empresários israelenses sobre as oportunidades de
investimento no Brasil, citando o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC),
a Copa do Mundo, as Olimpíadas, o trem de alta velocidade entre Campinas, São
Paulo e o Rio e as oportunidades de exploração de petróleo na Bacia de Campos
Agência de
Notícias Brasil-Árabe
Lula diz a empresários israelenses que
tem o 'vírus da paz'
Em viagem a Israel, o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva afirmou a empresários que carrega o vírus da paz consigo. Lula quer
ajudar no processo paz de Israel com a Palestina.
Jerusalém (Israel) – Determinado a ser um dos mediadores da paz entre Israel e
a Palestina, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje (15) que não se
lembra da última vez em que brigou. Ele afirmou que carrega no corpo o “vírus
da paz” desde que era bebê. O comentário ocorreu durante discurso a
empresários, em Jerusalém, segundo a BBC Brasil.
"Eu acho que o vírus da paz está comigo desde que estava no útero da minha
mãe. Não me lembro do dia em que briguei com alguém", disse o presidente.
Bem-humorado, Lula arrancou risos da plateia, inclusive do presidente de
Israel, Shimon Peres, ao dizer que no PT há divergências que causam inveja em
qualquer um. "Eu já fiz muita disputa política, pertenço a um partido
complicado (...). Temos divergências políticas de causar inveja a qualquer
pessoa do mundo", acrescentou.
Ao defender a busca pela paz, Lula citou um encontro com o ex-presidente dos
Estados Unidos George W. Bush, em 2003, quando disse ao norte-americano que o
Iraque não era um problema do Brasil e que sua prioridade era combater a
miséria.
"Pensei que teria animosidade na minha relação com o presidente Bush. Como
fui sindicalista a vida inteira, imaginava que ia brigar muito com os Estados
Unidos. Eis que o presidente Bush terminou o mandato e eu vou terminar o meu
sem que tenhamos tido nenhuma divergência. Quando tivemos, resolvemos por telefone",
afirmou.
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que durante a reunião
de Lula com Peres foi discutida a possível participação do Brasil no processo
de paz. “Ele valorizou muito o papel do Brasil em mais de uma situação, podendo
ajudar a promover o diálogo. Ele acha que essa capacidade de fazer amigos com
todos pode ser muito útil nessas situações, mas ali não era o momento de se
discutir esses detalhes”, afirmou o diplomata.
Lula conversou ainda com os empresários israelenses sobre as oportunidades de
investimento no Brasil, citando o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC),
a Copa do Mundo, as Olimpíadas, o trem de alta velocidade entre Campinas, São
Paulo e o Rio e as oportunidades de exploração de petróleo na Bacia de Campos.
Lula pede fim de armas nucleares; Israel pede apoio do Brasil contra Irã
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou nesta segunda-feira no
Knesset, o Parlamento de Israel, e pediu um Oriente Médio livre de armas
nucleares, a exemplo da América Latina.
"Brasil é orgulhoso por não haver armas nucleares na América Latina e nós
queremos que isto seja um exemplo para outras partes do mundo", disse
Lula.
Israel, apesar de ser membro da Agência Internacional de Energia Atômica
(AIEA), nunca assinou o tratado de não proliferação nuclear e, suspeita-se,
teria um arsenal não declarado de armas nucleares.
O Ocidente acusa ainda o Irã de desenvolver um programa militar de armas
nucleares, mas Teerã nega e diz ter apenas fins civis.
Mais cedo, o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, recebeu Lula no Knesset e
apelou para que o Brasil "se some à coalizão internacional que se forma
contra o Irã".
"Esta coalizão reúne numerosos países que querem impedir o Irã de se dotar
de arma nuclear", disse o premiê israelense.
Conforme Irã avança em seu programa nuclear e rejeita os esforços de negociação
com as potências, aumenta os rumores de que Israel prepara um ataque às
instalações nucleares iranianas --aos moldes do que fez com a Síria em 2007,
apesar da Síria negar que o alvo atingido fosse um reator nuclear secreto.
"Eu acredito que as autoridades iranianas representam valores
completamente diferentes dos seus", continuou Netanyahu, em um recado à
aproximação e à defesa brasileira do programa nuclear iraniano.
"Eles representam tirania e crueldade, vocês representam abertura e
tolerância. Eles honram a morte e vocês celebram a vida. Irã nega o Holocausto,
pede a destruição de Israel, está desenvolvendo armas nucleares e apoia
organizações terroristas", disse Netanyahu, citado pelo jornal
"Haaretz".
Paz
Lula passou o dia em eventos com autoridades de Israel e pediu reiteradamente
maiores esforços de Tel Aviv pela negociação de paz com os palestinos.
O presidente citou o Brasil como um exemplo de convivência pacífica. "No
Brasil, 10 milhões de árabes vivem em harmonia com milhares de judeus",
disse. "Nós esperamos que isto seja usado como uma metáfora para buscar
maior entendimento no Oriente Médio".
Assim, Lula exortou as duas partes a "superar antagonismos". "O
Estado de Israel deve viver ao lado de um Estado palestino. Deve haver uma
coexistência".
Lula viajou ao Oriente Médio em uma missão de paz, como um possível
interlocutor para as negociações.
Segundo o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, durante a reunião de
Lula com o presidente israelense, Shimon Peres, foi discutida a possível
participação do Brasil no processo de paz.
"Valorizou muito o papel do Brasil numa situação de ajudar a promover o
diálogo. Peres achou que essa capacidade de fazer amigos com todos pode ser
muito útil, mas ainda não era o momento de discutir detalhes", explicou
Amorim.
Nunca mais, nunca mais - diz Lula no
Museu do Holocausto
Clóvis Rossi
De quipá negro à cabeça, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva percorreu ontem
o Yad Vashem, o Museu do Holocausto em Jerusalém, após o que fez enfática
defesa da democracia e dos direitos humanos: "Aqueles que lutam pelos
direitos humanos não podem de forma alguma permitir que se repita algo como o
Holocausto".
Fechou com uma espécie de prece: "Nunca mais, nunca mais, nunca
mais".
Lula disse também que "a visita ao Museu do Holocausto deveria ser quase
obrigatória para todos os que querem dirigir uma nação".
Dentro de dois meses exatos, Lula estará no Irã, que é governado por Mahmoud
Ahmadinejad, que nega a existência do Holocausto e, no fim de semana, voltou a
dizer que pretende "aniquilar" os judeus.
Foi precisamente o que fizeram os nazistas na Europa a partir de 1933, quando
Adolf Hitler subiu ao poder na Alemanha. Ao terminar, 12 anos depois, a 2ª
Guerra Mundial, 6 milhões de judeus haviam sido aniquilados.
O Yad Vashem, que deu a Lula a visão "do que pode acontecer quando a
irracionalidade toma conta do ser humano", em suas palavras, acolhe 3
milhões de nomes das vítimas, aqueles que foi possível recuperar. Os demais 3
milhões são de famílias e até comunidades inteiras aniquiladas, sem que tivesse
sobrado alguém para contar as suas histórias.
Lula terminou a visita no Hall da Memória, em cujo solo estão os nomes de 22
campos de concentração. Avivou a chama eterna, sob a qual estão as cinzas de
vítimas dos campos.
Durante o percurso, o presidente brasileiro comentou com o guia que as duas
grandes tragédias da humanidade haviam sido o Holocausto e a escravidão. O guia
retrucou que a escravidão pelo menos passara, ao passo que os judeus ainda se
sentem ameaçados, no que parece ser uma alusão velada àqueles que pregam a sua
"aniquilação".
Em museu, brasileiro condena Holocausto
Denise Chrispim Marin
Apesar de declarações exaltando a defesa dos direitos humanos, Lula evita fazer
referência ao Irã
JERUSALÉM - A dois meses de sua visita oficial ao Irã, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva declarou ontem que "todos os que lutam pela democracia e
pelos direitos humanos não podem permitir" que uma tragédia como o
Holocausto se repita.
A declaração foi feita após uma visita de cerca de uma hora ao Museu do
Holocausto, em Jerusalém, pela manhã. Mas nenhuma referência à democracia e aos
direitos humanos está nos planos de Lula para a conversa com o presidente
iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, em Teerã.
"A humanidade deve repetir quantas vezes for necessário: nunca mais, nunca
mais, nunca mais", afirmou. "Eu acredito que visitar o Museu do
Holocausto deveria ser quase uma obrigação a todo ser humano que quer dirigir
uma nação", afirmou Lula, atribuindo o Holocausto à
"irracionalidade".
O governo Lula, porém, já deu um sinal claro de sua indisposição de afrontar a
política do governo de Teerã para a área de direitos humanos. No final do ano
passado, o Brasil absteve-se de votar uma condenação ao Irã no Conselho de
Direitos Humanos das Nações Unidas.
Em relação a Cuba, as seguidas abstenções do Brasil em votações da entidade
somaram-se à comparação feita por Lula entre os dissidentes políticos cubanos e
os "bandidos" das prisões paulistas.
"Penso que a greve de fome não pode ser usada como um pretexto de direitos
humanos para libertar as pessoas. Imagine se todos os bandidos que estão presos
em São Paulo entrassem em greve de fome e pedissem liberdade", disse o
presidente há pouco mais de uma semana.
Em novembro, durante a visita de Ahmadinejad ao Brasil, o próprio Lula disse
ter aconselhado o presidente iraniano a deixar de fazer declarações negando que
o Holocausto tenha ocorrido e defendendo que Israel deveria ser "varrido
do mapa".
Ele não chegou a falar, porém, na repressão violenta das manifestações da
oposição iraniana após as eleições de junho - denunciadas como fraudulentas por
esses opositores.
Distância de jornalistas. Durante a jornada de ontem, a Presidência brasileira
cancelou uma entrevista coletiva e evitou o contato com jornalistas. Pela
manhã, Lula cumpriu o protocolo - além de visitar o Museu do Holocausto,
plantou uma oliveira no Bosque de Jerusalém.
Ao final de seu percurso de quase uma hora no museu, Lula participou da
cerimônia da Chama Eterna, na Tenda da Memória, em cujo piso estão registrados
os nomes dos seis campos de concentração nazistas e das valas onde judeus foram
fuzilados e enterrados.
Ao lado do presidente de Israel, Shimon Peres, ele percorreu o complexo, que
reconta a perseguição e o extermínio dos judeus pelo regime nazista.
No Bosque de Jerusalém, onde estão plantadas 240 mil árvores, Lula observou que
a Amazônia Legal é dezenas de vezes maior que o território de Israel, mas esse
país aproveita cada espaço disponível para o plantio.
Logo depois de plantar a oliveira, com a ajuda da primeira-dama, Marisa
Letícia, Lula comentou que, em cinco anos ou mais, um filho ou neto seu poderia
sentar-se debaixo daquela árvore e colher e preparar as azeitonas. "Tenho
certeza de que eles não vão morrer de fome", disse o presidente
brasileiro.
Um mensageiro a Ahmadinejad
No Museu do Holocausto, rabino pede que Lula dê recado a iraniano
JERUSALÉM. Um sobrevivente do campo de concentração de Buchenvald pediu ontem a
Lula que envie uma mensagem ao presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, quando
visitar o Irã, em maio. O ex-rabino-chefe de Israel Meir Lau afirmou estar
disposto a se encontrar com Ahmadinejad para conversar sobre o Holocausto, no
qual o líder iraniano diz não acreditar.
— Ouvi que vai se encontrar com Ahmadinejad.
O senhor é o primeiro presidente do Brasil a visitar Israel e peço que leve a
ele uma mensagem minha, como sobrevivente do Holocausto, e não como político.
Peço que diga a ele que estou disposto a encontrá-lo a qualquer momento e que
vou conseguir fazê-lo mudar de opinião quanto à negação ao Holocausto — apelou
Lau.
Apesar de seguir a linha ortodoxa do judaísmo, o rabino Lau é uma figura muito
querida em Israel, conhecido por defender a tolerância religiosa e o diálogo
entre grupos opostos.
Um dia antes, três dos principais nomes da política israelense — o premier Benjamin
Netanyahu, a líder da oposição, Tzipi Livni, e o presidente do Parlamento,
Reuven Rivlin — pediram a Lula que retire o apoio a Teerã e se declare em favor
de novas sanções contra o programa nuclear iraniano.
Lula visitou, em companhia de Lau e do presidente israelense, Shimon Peres, o
Museu do Holocausto, onde depositou uma coroa de flores nos túmulos simbólicos
dos 6 milhões de judeus mortos pelo regime nazista. O presidente também acendeu
a “chama eterna”, uma espécie de tocha que é sempre mantida acesa para lembrar
as vítimas do Holocausto.
O presidente afirmou que “os dois maiores crimes da História da Humanidade
foram o Holocausto e a escravidão”. E sugeriu que todos os líderes mundiais
visitem o museu para poderem governar e evitarem futuros genocídios.
— Nunca mais, nunca mais, nunca mais — repetiu Lula, emocionado, antes de
plantar uma semente de oliveira num bosque próximo ao memorial.
(Daniela Kresch e Eliane Oliveira)
Acordo de Livre Comércio com
Israel pode triplicar fluxo com Brasil em cinco anos
Este aumento no
volume de comércio poderá ser sustentado com a transferência de tecnologia e
inovação israelense, diz Fiesp
O Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e Israel, que deve entrar em vigor no
próximo mês, poderá triplicar as trocas comerciais com o Brasil, disse o
presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo
Skaf, nesta segunda-feira (15), em Jerusalém, Israel.
O anúncio foi feito durante encontro empresarial, que contou com a presença do
presidente israelense Shimon Peres, e do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
que veio acompanhado pelo ministro Miguel Jorge (do Desenvolvimento) e pelo
chanceler Celso Amorim.
Trata-se do primeiro acordo desta natureza assinado pelo bloco do Cone Sul,
fora do âmbito da Associação Latino Americano de Integração (Aladi).
“Com o acordo em vigor, podemos aumentar em três vezes o fluxo comercial entre
Brasil e Israel até 2015, apoiados na transferência de tecnologia e inovação
israelense, áreas em que Israel é referência mundial”, afirmou o presidente da
Fiesp.
O acordo trata apenas do comércio de bens e inclui capítulos sobre os temas de
regras de origem, salvaguardas, cooperação em normas técnicas, cooperação em
normas sanitárias e fitossanitárias, cooperação tecnológica e técnica e
cooperação aduaneira.
Inclui ainda a possibilidade de se incluírem novos temas no futuro, como o
comércio de serviços e investimentos. O texto abrange 92% das importações e 95%
das exportações.
A oferta de Israel contém oito mil itens que terão um cronograma de redução
gradual de tarifas em oito anos. A oferta do Mercosul reúne 9.424 itens cujas
tarifas serão reduzidas em 10 anos. O Acordo prevê listas separadas para cada
país do Mercosul.
Israel excluiu 866 produtos de sua oferta, sendo que os principais setores
foram alimentos (238), produtos da agricultura (300) e pecuária (277). Já o
Mercosul excluiu 326 produtos de sua oferta, sendo que os principais setores
afetados foram têxteis (126), químicos (49) e materiais de transporte (49).
No entanto, a Fiesp lamenta a exclusão do etanol no texto final das
negociações. O produto brasileiro continuará sofrendo com uma tarifa aplicada
de 140% mais US$ 0,54 por galão para entrar no mercado israelense.
Fábio Rocha, de
Jerusalém, Israel, para Agência Indusnet Fiesp
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