EMBAIXADA DE ISRAEL

Visita do Presidente Lula a Israel

Seleção Especial de Notícias de

13 a 17 de março de 2010

 

 

 

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Presidente Lula em Israel - Sábado e Domingo, 13 e 14/03/2010

 

 

Presidente Lula em Israel – Segunda-feira, 15/03/2010

 

·        Brasil Econômico: Lula inicia visita histórica ao Oriente Médio –“Interesse brasileiro por mediar a discussão entre israelenses e palestinos e questão nuclear do Irã são destaques na pauta.”

·        Brasil Econômico: Comitiva abre oportunidades de negócios – “Cerca de 70 empresas brasileiras buscam parcerias e negócios em Israel,  estimuladas pelo acordo de livre comércio firmado pelo país com o Mercosul e pelo projeto israelense de ampliar em US$ 1 bilhão seus investimentos produtivos no Brasil.”

·        A Tarde: Lula pede a Israel mais mediadores para negociar paz

·        Gazeta Online: Lula pede que Israel faça esforços pela paz

·        Folha de S. Paulo: Lula chega a Israel com pedido por "reflexão"  - “Ao iniciar visita, governo brasileiro evita palavras duras em meio à tensão entre israelenses e americanos em torno do processo de paz”

·        O Estado de S. Paulo: Tour estimula investimentos“Cerca de 70 empresas brasileiras buscam parcerias e negócios em Israel, estimuladas pelo acordo de livre comércio firmado pelo país com o Mercosul e pelo projeto israelense de ampliar em US$ 1 bilhão seus investimentos produtivos no Brasil.”

·        O Estado de S. Paulo: Lula é recebido por Peres em visita oficial a Israel“O presidente também deverá se encontrar com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas”

·        O Estado de S. Paulo: Para Lembrar: País auxiliou na criação do Estado de Israel“Um dos principais articuladores da votação da ONU que determinou, em 1947, a chamada “partilha da Palestina” – criando o Estado de Israel ao lado de um país árabe que nunca chegou a existir – foi o diplomata brasileiro Osvaldo Aranha.”

·        O Globo: Ação em duas frentes  - “Lula chega a Israel com promessa de buscar compromisso nuclear do Irã e união de palestinos”

·        O Globo: Entrevista: Acordo pode contribuir para paz  - “Ministro da Indústria e Comércio de Israel, Binyamin Ben Eliezer, é um dos mais veteranos políticos do país. Ele já participou de várias rodadas de negociações de paz com Israel.”

·        Zero Hora: Região atrai empresários brasileiros

·        Zero Hora: Opinião: O mediador global – “A gente lê e não acredita: o presidente Lula está em Israel para mediar a crise entre palestinos e israelenses. E é encarado tanto pelo governo de Israel quanto pela França, os Estados Unidos e a Rússia como importante mediador global e ensarilhador de tensões.”

·        Agência de Notícias Brasil-Árabe: Entrevista com Lula: Presidente leva empresários para 'garimpar' negócios“Lula vai a Israel, Palestina e Jordânia acompanhado de uma delegação empresarial. Para ele, o resultado dessas missões 'tem sido extraordinário'. O Brasil pode ajudar no desenvolvimento palestino”

·        Agência de Notícias Brasil-Árabe: Mundo precisa de diálogo sincero, diz Lula“Dias antes de viajar ao Oriente Médio, o presidente brasileiro afirmou que 'o mundo está carente de governança' e defendeu negociações diretas entre líderes dos países em conflito na região.”

·        Valor Econômico: Brasil espera Israel mais aberto a negociar paz

·        G1: Em Israel, Lula defende mais países nas negociações de paz“Presidente discurou ao lado de Shimon Peres. 'Por ser uma tarefa difícil é importante que se ouça mais gente', disse.”

·        Estadão.com.br: Brasil traz 'elemento novo' para processo de paz, dizem analistas no EUA

·        Último Segundo: Com Lula em Jerusalém, rumores ameaçam a paz na região

 

 

Presidente Lula em Israel – Terça-feira, 16/03/2010

 

 

 

 

Presidente Lula em Israel – Quarta-feira, 17/03/2010

 

 

 


 

Presidente Lula em Israel – 13 e 14/03/2010

 

Folha de S. Paulo

Lula firma acordo econômico antes de ida ao país

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia amanhã seu giro pelo Oriente Médio com uma boa notícia para Israel, na área econômica, mas com um discurso que deve desagradar os governantes israelenses.
O acordo de livre comércio entre o Mercosul e o país entrará em vigor para o Brasil no dia 4 de abril. Lula assinou o documento em janeiro, mas só na semana passada "depositou" sua concordância com o começo de relações comerciais entre Mercosul e Israel, no Paraguai (depositário das ratificações feitas pelos países do bloco).
O Uruguai foi o primeiro a aderir ao acordo, no ano passado. Ainda faltam Paraguai e Argentina assinarem o documento, mas isso não impede que Brasil e Uruguai mantenham relações comerciais com Israel sob as regras do Mercosul.
Segundo o Itamaraty, o intercâmbio comercial do Brasil com Israel saltou de US$ 440 milhões, em 2002, para US$ 1,6 bilhão, em 2008 -volume que pode crescer com o novo acordo, o primeiro do Mercosul com um ator extrarregional.
Se no plano econômico a relação vai bem, na esfera diplomática as divergências, principalmente sobre o Irã, devem se manter com a viagem, a julgar por entrevista dada por Lula ao jornal israelense "Haaretz".
Embora tenha dito aos jornalistas que advertiu o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad de que não insistisse em negar a ocorrência do Holocausto, Lula insistiu no diálogo como caminho para dissuadir Teerã de tentar obter a bomba nuclear, posição radicalmente oposta à de Israel, que prega duras sanções contra o país.
"[Quem sai] comparando Hitler ao Ahmadinejad, ao Irã de hoje, está tendo o mesmo comportamento radical que acha que o Irã tem. Então, uma pessoa que age assim não está contribuindo em nada para o processo de paz que queremos construir para o futuro. Não é possível fazer política com ódio e com ressentimento. Quem quiser fazer política com ódio, com ressentimento, saia da política, porque senão será um péssimo governante", chegou a dizer Lula, questionado se pregaria o diálogo também com Adolf Hitler nos anos 30.
Lula defendeu a entrada do Brasil nas negociações de paz no Oriente Médio. "Tenho conversado com os presidentes dos principais países do mundo, sobretudo os que fazem parte do Conselho de Segurança da ONU, e sinto que todos desejam construir o processo de paz no Oriente Médio. Mas eu sinto, também, que os interlocutores já estão um pouco desgastados na negociação. E me pergunto se não é necessário encontrar outros interlocutores.

 

 

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O Globo

Profeta fora de sua própria terra

Presidente diz ter chamado atenção de Ahmadinejad e prega entendimento

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva revelou, em entrevista concedida ao jornais israelenses “Haaretz” e “The Marker”, além de à Agência de Notícias BrasilAacute;rabe (Anba), ter pressionado o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, a reconhecer o Holocausto e aceitar a existência de Israel. Na entrevista, Lula também afirmou ter dito a Ahmadinejad que o Brasil é contra a construção de uma bomba atômica e que é signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP).

“O Irã não pode continuar falando que vai destruir o Estado de Israel. Da mesma forma que disse ao presidente Ahmadinejad que é inconcebível negar o Holocausto: ele existiu, está incrustado na mente da Humanidade, e o fato de você ter divergência com o Estado de Israel não precisa te levar a negar a História ou a desconhecer a História”, disse o presidente.

A primeira pergunta foi disputada entre os três repórteres num par ou ímpar, em quatro rodadas, sugerido por Lula. Num texto bem-humorado, o editor de Internacional do prestigiado “Haaretz”, Adar Primor, classificou Lula de “o chefe de Estado mais popular da História” e “profeta do diálogo”. O repórter afirma que Lula se descreve como “um negociador, não um ideólogo”, que consegue desenvolver um bom relacionamento com personalidades como o presidente venezuelano Hugo Chávez, o ex-presidente americano George W. Bush, o presidente israelense, Shimon Peres, e Ahmadinejad.

Apesar dos elogios, o “Haaretz” lembra que o Brasil e outros cinco países foram contra a condenação ao Irã na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Além disso, ressalta que Lula foi um dos primeiros chefes de Estado a receber Ahmadinejad após as eleições presidenciais de 2009, marcadas por protestos sangrentos — que resultaram na condenação à morte de alguns opositores ao regime — e denúncias de fraudes.

Lula saiu em defesa do líder iraniano, ao dizer, na entrevista, que Ahmadinejad não pode ser comparado a Hitler e aos nazistas. “Qualquer um que siga esta linha não está contribuindo com o processo de paz que nós queremos criar para o futuro. Não se pode fazer política com ódio e ressentimento.” Na entrevista, Lula disse que tem conversado sobre o Irã com os presidentes dos principais países do mundo, sobretudo os membros do Conselho de Segurança da ONU. Em sua opinião, é preciso encontrar novos interlocutores nesse processo. O presidente também voltou a criticar a ONU, alegando que é preciso modernizá-la.

No texto da entrevista no “Haaretz”, o jornalista Adar Primor também afirma que Lula “diz não ter livro nenhum livro na vida”. Presente à entrevista, feita em São Paulo na terça-feira, o repórter do suplemento econômico “The Marker”, Avi Ben Eli, Informou ao GLOBO que o presidente não fez esse comentário na entrevista.

— Lula não disse essas palavras. Mas recebemos material de arquivo no qual esse assunto aparecia — explicou Ben Eli. (Eliane Oliveira e Daniela Kresch)

 

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Jornal do Brasil

Lula é chamado de O profeta do diálogo

Em entrevista concedida aos jornais Haaretz,The Marker e à agência Anba, antes de sua viagem ao Oriente Médio, marcada para amanhã, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, criticou a ONU e defendeu instituições multilaterais com mais “representatividade” para que suas decisões sejam respeitadas.

– Se a ONU tivesse a força que precisa, poderia ser a grande articuladora do processo de paz no Oriente Médio. disse Lula. – Da forma em que está não pode, pois a composição do Conselho de Segurança não representa a geopolítica do século 21.

Precisa-se de “alguém que tenha neutralidade para falar a verdade aos israelenses, para dizer a verdade a palestinos, iranianos, sírios, e para quem queira ouvir a verdade”, continuou Lula, que pleiteia para o Brasil uma cadeira como membro permanente do Conselho de Segurança.

Uma reportagem publicada ontem no israelense Haaretz classifica Lula de “profeta do diálogo”, pela defesa das negociações diplomáticas em busca da paz na região. Mas o texto observa que o líder brasileiro foi um dos primeiros a receber Ahmadinejad após as contestadas eleições iranianas de junho, e que o Brasil se abstive na votação da Agência Internacional de Energia Atômica pela condenação de Teerã.

O autor da reportagem participou de uma entrevista concedida por Lula a dois jornalistas israelenses e um árabe, e diz que essa característica de Lula transpareceu até na hora de escolher quem faria a primeira pergunta: uma disputa de par ou ímpar.

A reportagem comenta que Lula se descreve como “um negociador, não um ideólogo”, capaz de se relacionar com Hugo Chávez e George Bush, Shimon Peres, e Ahmadinejad.

 

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Correio Braziliense

Conexão diplomática
Silvio Queiroz


Nunca na história desses países…

Como responderá Lula às inevitáveis perguntas da imprensa sobre o programa nuclear iraniano e a expansão das colônias judaicas em Jerusalém Oriental?

Israel esperou quase 62 anos pela primeira visita oficial de um presidente do Brasil, o país cujo chanceler — Oswaldo Aranha, na época — presidiu a sessão da ONU em que foi criado o Estado judeu. A deferência prestada a Lula pela imprensa israelense dá a medida da expectativa com que ele será recebido, a partir de amanhã, para encontros com o colega Shimon Peres e o premiê Benjamin Netanyahu. E não há segredo quanto aos temas que dominarão as conversas: o emperrado processo de paz com os palestinos e a aproximação do Brasil com o Irã.

As perguntas, a esse respeito, são sobre como se sairá o presidente, que estará novamente sob atenta observação internacional, possivelmente ainda maior que a dispensada à sua recente passagem por Cuba. O Itamaraty e a chancelaria israelense coincidem na avaliação de que as diferenças de ponto de vista são incontornáveis, e serão tratadas com o mesmo respeito observado durante a visita de Hillary Clinton a Brasília. Em público, porém, surge a incógnita da imprensa: como responderá Lula às inevitáveis perguntas sobre o programa nuclear iraniano e a expansão das colônias judaicas em Jerusalém Oriental?

“Nem a Hillary”

Na intimidade dos gabinetes, o que se espera é que o presidente reitere a conhecida posição brasileira sobre a questão iraniana. Inclusive uma ponderação que toca em ponto sensível: a lembrança de que Israel, afinal, se recusa a desmentir que disponha de ogivas nucleares — e é de total conhecimento público que não lhe faltam mísseis capazes de despejá-las sobre o Irã. A coluna ouviu de um diplomata diretamente envolvido na formulação da política brasileira para a região que, embora se oponha resolutamente à proliferação das armas atômicas, o país não ignora o fato de que o país dos aiatolás “está cercado por potências nucleares”. Além da vizinhança com as ogivas e os mísseis de Israel, do Paquistão e da Rússia, o regime iraniano convive com a presença militar americana a leste (Afeganistão) e oeste (Iraque) de seu território, sem falar no Golfo Pérsico.

Pelo lado israelense, a expectativa foi descrita de maneira algo resignada, quase lacônica. “Se a Hillary veio e não adiantou nada…”, comentou uma fonte, remetendo-se à tentativa (mal-sucedida) da secretária de Estado americana para convencer o governo brasileiro a apoiar, no Conselho de Segurança da ONU, uma nova rodada de sanções à República Islâmica.

Rua Brasil

É inescapável o contraste com o clima que cerca a segunda escala de Lula no Oriente Médio. Na visita de dia e meio aos territórios palestinos, o presidente vai também inaugurar a Rua Brasil, em Ramallah, nas imediações do complexo onde funciona a Autoridade Palestina. Por sinal, em ano de Copa do Mundo as camisas da Seleção Brasileira fazem ainda mais sucesso entre os meninos palestinos e israelenses. À parte a simpatia com que o país é visto, nunca será demais observar que Brasília deve trazer lembranças agradáveis ao presidente da AP, Mahmud Abbas. Em 2005, poucos meses depois de ter assumido a cadeira do patriarca Yasser Arafat, Abbas veio para a 1ª Cúpula América do Sul - Países Árabes. Saboreou aplausos prolongados e uma sucessão de discursos ardorosos em favor do Estado palestino.

Nosso homem em Havana

Serve como conselho, nas últimas horas antes que Lula entre em cena em um dos palcos mais notórios e traiçoeiros da política global, a repercussão estridente das declarações do presidente sobre os presos políticos cubanos. A comparação entre eles e os criminosos comuns que coordenaram dos presídios uma onda de ataques à polícia de São Paulo, em 2006, fez mais do que arranhar o prestígio internacional do “cara”. Deixou claro que, talvez como nunca antes na história deste país, política externa será tema para a oposição na campanha presidencial, no segundo semestre. Palavras, reticências e omissões serão esquadrinhadas minuciosamente.

 

 

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Agência Estado

Três ministros irão acompanhar Lula na viagem a Israel

Os ministros das Relações Exteriores, Celso Amorim, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, e da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins, acompanharão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas viagens que ele fará, a partir de domingo, a Jerusalém, em Israel, aos territórios palestinos ocupados e a Amã, na Jordânia. Os decretos designando a delegação que acompanhará o presidente foram publicados no Diário Oficial da União de hoje.

Além dos ministros, integram a comitiva o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), e a primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva, esta sem ônus para o setor público. As viagens terão ainda um convidado especial, Sérgio Xavier Ferreira, além da presença de cada embaixador do Brasil na localidade a ser visitada.

A viagem internacional do presidente começará por Jerusalém. Em seguida, na terça-feira, Lula deverá seguir para os territórios palestinos ocupados e, nos dois dias seguintes, o presidente brasileiro estará em Amã.

 

 

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Folha Online

Em entrevista ao "Haaretz", Lula volta a defender diálogo com Irã

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou defender o diálogo com o Irã em entrevista publicada nesta sexta-feira pelo jornal israelense "Haaretz". Nas declarações, Lula disse que não se pode permitir que aconteça no Irã o que aconteceu no Iraque, e que, antes de impor mais sanções a Teerã, é preciso que se faça um esforço real pela paz no Oriente Médio.

"Eu conversei sobre o Irã com muitos líderes, particularmente aqueles cujos países têm assentos permanentes no Conselho de Segurança da ONU", disse Lula ao jornal israelense "Os americanos, os franceses, os britânicos, os russos e os chineses, todos querem avançar no processo de paz no Oriente Médio. Mas eu sinto que as partes envolvidas no processo estão cansadas. Chegou a hora se se apresentar novas ideias, que envolvam tanto Israel quanto os territórios palestinos, o Irã, a Síria, a Jordânia e outros países", disse Lula.

"Esse é o único caminho para se avançar na paz entre israelenses e palestinos, e de dizer ao Irã que somos contra a produção de armas nucleares. É preciso olhar uns para os outros".

Lula disse ainda que sua "tese pessoal" é que "não se pode permitir que o que aconteceu no Iraque aconteça também no Irã". "Antes que sanções sejam impostas, precisamos fazer todo o esforço para reconstruir a paz no Oriente Médio. É isso que está por trás de minha visita a Israel, aos territórios palestinos e à Jordânia, e é também isso que me levará ao Irã depois".

Para Lula, o conflito no Oriente Médio "não é bilateral, e não pertence apenas a Israel e à ANP". "Há outros interesses no Oriente Médio, que devem ser representados para que se chegue a uma solução. O Irã faz parte disso tudo, e por isso é preciso que haja diálogo".

O "Haaretz" ressalta que Lula foi "um dos primeiros líderes a receber o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, após a sua controversa reeleição, em junho de 2009". O jornal também destaca que o Brasil foi um dos cinco países que se absteve na votação na AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) que julgava uma condenação ao Irã, em 2009.

O jornal diz ainda que Lula deve visitar o Irã em maio, onde deve ser "recebido com honras", como "retribuição ao tapete vermelho" estendido para a delegação iraniana em Brasília, em novembro de 2009.

Negociador

De acordo com o "Haaretz", Lula descreve a si mesmo como "um negociador, não um ideólogo", uma pessoa que consegue se dar bem "tanto com [o líder venezuelano] Hugo Chávez e o [ex-presidente americano George W. Bush], com o [presidente israelense] Shimon Peres e com o [líder iraniano] Mahmoud Ahmadinejad".

"Eu nasci em meio à política do diálogo, me tornei presidente [do Brasil] por meio do diálogo e conduzi a minha Presidência através do diálogo. Eu acredito que, por meio do diálogo, terei sucesso em resolver todos os conflitos que, hoje, parecem sem solução", disse o presidente.

Lula disse ainda estar ciente da retórica do premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, que costuma apontar semelhanças entre Ahmadinejad e Hitler, e entre o Irã e o nazismo.

"Qualquer um que comparar Ahmadinejad e o Irã de hoje a Hitler e aos nazistas estará sendo tão radical quanto o Irã é acusado de ser. Quem adotar essa postura não contribuirá para o processo de paz que queremos contruir, para o bem do nosso futuro", afirmou Lula.

No entanto, Lula também criticou o Irã por não aceitar a existência do Holocausto. "Eu conversei com o presidente do Irã e deixei claro a ele que não se pode defender a destruição de Israel, nem negar o Holocausto, que é um legado da humanidade. Disse também que o fato de ele ter diferenças com Israel não lhe dá o direito de negar ou ignorar a história".

 

 

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Presidente Lula em Israel – 15/03/2010

 

 

Brasil Econômico

Lula inicia visita histórica ao Oriente Médio

Interesse brasileiro por mediar a discussão entre israelenses e palestinos e questão nuclear do Irã são destaques na pauta.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado por empresários brasileiros, inicia hoje sua visita à Israel. O presidente desembarcou ontem à
tarde em Jerusalém, e se encontra nesta segunda-feira com o presidente israelense, Shimon Peres. Na sequência, encontra o premier israelense, Benjamin Netanyahu, e a líder da oposição, Tzipi Livni. A visita de Lula ocorre em meio a uma crise entre Israel e Estados Unidos, após o anúncio, na semana passada, pelo governo de Netanyahu, da construção de 1,6 mil casas suplementares em Jerusalém oriental, durante a visita do vice-presidente americano, Joe Biden. O Brasil fez coro à condenação internacional contra a decisão israelense de
construir novas casas no setor majoritariamente árabe da cidade santa, anexado em 1967 pelo Estado hebraico. Durante a visita, a principal diferença entre o Brasil e Israel deverá ser o tema nuclear do Irã, considerado pelos dirigentes israelenses como a principal ameaça a seu país. Ao receber, em Brasília, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, na semana passada, Lula disse
ser contrário a novas sanções contra o Irã. A viagem — primeira de um chefe de Estado brasileiro à Terra Santa desde D. Pedro II (1876) — representa o mais
importante esforço feito até agora pelo governo Lula para tentar situar o Brasil como interlocutor nas negociações entre israelenses e palestinos. O governo brasileiro vem mobilizando uma forte ofensiva diplomática para que o Brasil seja o interlocutor nas negociações, com vistas a fortalecer sua posição como aspirante a um cargo permanente no Conselho de Segurança da ONU, no caso de uma reforma na organização. O Brasil ocupa atualmente um assento não-permanente rotativo no Conselho de Segurança, órgão máximo de decisão das Nações
Unidas. “Não há solução mágica para o conflito entre israelenses e palestinos, e o governo brasileiro não tem a ingenuidade de pensar que vai resolvê-lo de uma hora para outra”, disse Marco Aurélio Garcia, assessor para Assuntos
Internacionais da Presidência da República, durante a chegada ao saguão do hotel King David, em Jerusalém. “Nós viemos contribuir”, afirmou, segundo atualização do Blog do Planalto, página oficial do Governo Federal. Até o final da viagem, que se encerra na quinta-feira, 18, o presidente brasileiro tem ainda previstas visitas à Cisjordânia, Ramallah e Amã, capital da Jordânia, onde se reunirá com o rei Abdullah II para discutir o papel que o Brasil pode desempenhar nas negociações de paz e analisar a tensa situação internacional
criada pelo polêmico programa nuclear iraniano. AFP

 

 

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Brasil Econômico

Comitiva abre oportunidades de negócios

Cerca de 70 empresas brasileiras buscam parcerias e negócios em Israel,
estimuladas pelo acordo de livre comércio firmado pelo país com o Mercosul e pelo projeto israelense de ampliar em US$ 1 bilhão seus investimentos produtivos no Brasil. Essa potencial expansão das vinculações econômicas Brasil-
Israel será detalhada hoje em um seminário empresarial que será aberto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com o Itamaraty, há expectativas em relação à possível participação da construtora Camargo Corrêa na obra de transposição de água para o Mar Morto, projeto orçado em US$ 7 bilhões que inclui também uma hidrelétrica e uma estação de dessalinização. A iniciativa, entretanto, ainda enfrenta resistência política interna em Israel.
A área de defesa também desperta a atenção de pelo menos três empresas privadas e do governo brasileiro. Em especial, em relação à absorção de equipamentos, de tecnologia e de logística para a segurança da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016 e para a vigilância das fronteiras brasileiras. AE

 

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A Tarde

Lula pede a Israel mais mediadores para negociar paz

Com palavras diplomaticamente calibradas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou hoje sua visita oficial a Israel mencionando propósito de incluir novos mediadores, entre os quais o Brasil, nas negociações entre israelenses e palestinos. Ao ser recebido pelo presidente de Israel, Shimon Peres, na residência oficial, Lula afirmou que vinha para "falar de paz", escudado na história pacífica do Brasil, e que, por se tratar de uma "tarefa tão difícil, é importante que se envolva mais gente e se converse mais".

"A arte da política é vencer coisas que parecem impossíveis. A política é a arte do impossível", afirmou Lula, ao lado de Peres, referindo-se ao processo de negociação. "Não acredito que exista outro país no planeta que ame e que exerça tanto a paz como o Brasil. A paz tem um preço incomensurável para nós."

Ao receber Lula, Shimon Peres assinalou que o processo de paz não foi rompido, apesar da recente crise entre Estados Unidos e Israel em torno do anúncio israelense da expansão de assentamentos em territórios palestinos. Peres também fez questão de assinalar que seu país receberia a contribuição do governo brasileiro para o processo de paz.

Mas em nenhum momento fez alusão à pretensão de Lula de atuar como mediador. "Sei que o senhor traz uma mensagem em favor da paz. A sua contribuição será bem recebida", afirmou Peres. "Pode haver crise, mas não haverá rompimento do processo de paz em si. Vamos superar a crise porque esse processo já está sendo construído e negociado", acrescentou.

Em seu curto pronunciamento de boas-vindas, Peres fez seguidos elogios a Lula e chegou a qualificar o brasileiro como "César" - uma referência abrangente e sem justificativa aos governantes romanos. "O senhor é um César. É um presidente que leva a esperança de paz. O mundo olha para o senhor e vê esperança e sonho, que o senhor transformou em feitos", afirmou.

 

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Gazeta Online

Lula pede que Israel faça esforços pela paz


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu nesta segunda-feira (15), em Jerusalém, que seu colega israelense, Shimon Peres, faça um "esforço" pela paz e a busque "a cada dia, a cada hora, a cada minuto e a cada segundo".

"Todo ser humano, todo governante tem que fazer um esforço para que as pessoas possam alcançar a paz no mundo", declarou Lula no primeiro ato oficial de sua viagem pelo Oriente Médio, iniciada ontem.

Lula também disse esperar que o Estado judeu alcance a paz ainda durante o mandato de Peres, que termina em 2012.

"Existe uma única palavra e um único motivo para a guerra, mas existem milhões de palavras e gestos que justificam a paz, e isso é o que precisamos buscar, a cada dia, a cada hora, a cada minuto, a cada segundo", acrescentou o chefe de Estado brasileiro em uma rápida entrevista coletiva antes da reunião com Peres na residência presidencial.

Além de ressaltar que "a política é a arte de tornar realidade as coisas que parecem impossíveis", Lula afirmou estar "certo" de que, "se outros presidentes vierem" a Israel "dentro de 140 anos, terão a oportunidade de conhecer um país lindo, um povo trabalhador e uma parte da história da humanidade".

"A história do meu país é uma história de paz. Não conheço nenhum outro país no planeta, outro povo que ame e que exerça a paz como o Brasil", destacou.

Após repassar os vários encontros que teve com seu interlocutor desde 1993, o presidente brasileiro defendeu o aprofundamento das relações entre os dois países.

Já Peres disse que Lula deixou "um novo legado à democracia" do Brasil, que tem uma "história exemplar".

Quanto à paz, reconheceu que "não resta muito tempo" para que Israel e seus "vizinhos árabes e palestinos" a alcancem.

"Talvez haja crises durante o caminho, mas não deixaremos que nenhuma crise detenha o processo", ressaltou, referindo-se à suspensão do diálogo indireto com os palestinos, motivada pelo sinal verde dado à ampliação de uma colônia judaica em Jerusalém Oriental.

Após a reunião, os dois chefes de Estado seguiram para um encontro com cerca de 200 empresários brasileiros em um hotel em Jerusalém.

Os próximos compromissos de Lula são uma reunião com a chefe da oposição israelense e líder do Partido Kadima, Tzipi Livni, um almoço privado e, na parte da tarde, uma visita ao Parlamento israelense (Knesset), onde se reunirá com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Ainda no Legislativo, o governante brasileiro fará um discurso aos 120 deputados israelenses. Durante a sessão, o presidente da Câmara, Reuben Rivlin, utilizará o martelo que o político e diplomata brasileiro Osvaldo Aranha usou na Assembléia Geral da ONU que aprovou a partilha da Palestina em novembro de 1947.

Na última hora da tarde, Lula voltará a se encontrar com Peres, que oferecerá um jantar em homenagem ao visitante.

O presidente brasileiro seguirá para a cidade cisjordaniana de Belém amanhã. Ele passará a noite no local, algo muito que líderes internacionais não costumam fazer.

Na cidade, ele se reunirá com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas. Depois, visitará Ramala, a capital administrativa da Cisjordânia, onde depositará uma coroa de flores no túmulo do líder palestino Yasser Arafat, que morreu em 2004

 

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Folha de S. Paulo

Lula chega a Israel com pedido por "reflexão"
Clóvis Rossi, enviado especial a Jerusalém, Marcelo Ninio, de Jerusalém


Ao iniciar visita, governo brasileiro evita palavras duras em meio à tensão entre israelenses e americanos em torno do processo de paz

Na opinião do chanceler Celso Amorim, o clima tenso não atrapalha a iniciativa brasileira: "uma mensagem de paz sempre ajuda", disse

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou ontem à noite em Jerusalém precedido de palavras débeis demais da diplomacia brasileira para o tamanho da crise que está se desenvolvendo entre Israel e seu principal suporte, os Estados Unidos, em torno do moribundo processo de paz entre judeus e palestinos.
A debilidade fica evidente quando se comparam as manifestações do Itamaraty e do Departamento de Estado americano sobre o anúncio da construção de 1.600 novas unidades habitacionais no subúrbio de Ramat Shlomo, em Jerusalém Oriental, que os palestinos querem como a capital de seu eventual futuro Estado.
O governo brasileiro limitou-se a manifestar sua "profunda preocupação". A secretária de Estado Hillary Clinton foi muitíssimo além: chamou de "insulto" aos EUA o fato de o anúncio ter sido feito justamente quando estava em Jerusalém o vice-presidente Joe Biden, cujo propósito original era desfazer a inquietação de Israel em relação às posições do presidente Barack Obama.
É verdade que Lula ainda nem havia embarcado para Israel quando se deu o anúncio, na semana passada, mas é igualmente verdade que a visita já estava definida. Como o Brasil não esconde seu desejo de desempenhar um papel no processo de paz, o "insulto" acaba se estendendo ao país, na medida em que o anúncio torpedeou o reinício do processo.
"Nunca em minha vida diplomática eu vi uma reação tão forte dos EUA", disse o chanceler Celso Amorim. Para ele, o clima tenso na região não afeta negativamente a visita do presidente Lula. "Uma mensagem de paz sempre ajuda", afirmou.
Após o anúncio israelense, a Liga Árabe retirou a recomendação à Autoridade Nacional Palestina para que aceitasse o chamado "diálogo por aproximação", em que os EUA ouvirão as partes separadamente. Já é um retrocesso, na medida em que israelenses e palestinos mantiveram 18 anos de negociações face a face e, agora, não conseguem dialogar nem por meio de intermediários.
A mensagem brasileira, na chegada da delegação, veio pela boca de Marco Aurélio Garcia, o assessor diplomático do presidente, mas não avança nada. A crise "deveria ajudar na reflexão geral das partes", afirmou.
O governo israelense se antecipou à sugestão: o premiê Binyamin Netanyahu reuniu ontem o seu gabinete para discutir a crise com os EUA. Mas o lado palestino quer muito mais do que reflexão -aliás, um problema tão antigo como o do Oriente Médio já foi objeto de todas as reflexões possíveis.
Marco Aurélio ainda antecipou que a mensagem que o presidente Lula dará aos palestinos é "unam-se", em alusão ao racha entre o Hamas, que governa a faixa de Gaza, e o grupo laico Fatah, que controla a Cisjordânia. Até agora, não há o mais leve sinal de que os dois lados estejam perto de iniciar entendimentos nessa direção.
Não bastasse a crise, a visita de Lula coincide com a de atores que já têm a participação no processo que o Brasil ainda busca. Amanhã, chega George Mitchell, o enviado especial de Obama para a região e o homem incumbido de tocar o "diálogo por aproximação". Na quarta, desembarca a nova responsável europeia pela política externa, Catherine Ashton.
Ambos são precedidos por um comunicado do Quarteto (EUA, União Europeia, Rússia e ONU), que vem tentando inutilmente levar avante o processo de paz, com um tom que parece embutir uma ameaça a Israel. Além de condenar os novos assentamentos, a nota oficial fala em "manter em estudo medidas adicionais que possam ser requeridas pela situação no terreno".
Segundo o chanceler Amorim, por ora o Brasil não pretende apresentar propostas específicas para a mediação do conflito. "Primeiro temos que entrar no processo", disse.
Do lado palestino, Lula certamente ouvirá o mesmo que Tayeb Abdel Rahim, conselheiro sênior do presidente Mahmoud Abbas, disse ao jornal "The Jerusalem Post": "Apelamos à comunidade internacional para fazer Israel parar sua política expansionista e arrogante de construção de assentamentos, porque ela destruirá o processo de paz e representará uma ameaça à segurança do mundo todo".
São tambores de guerra que Marco Aurélio acabou ecoando ao chegar: "Não é um problema que interessa apenas a palestinos e israelenses. Tem altíssimo potencial de desestabilização global".
O assessor de Lula cita "o nascimento do fundamentalismo e o crescimento do terrorismo" como fenômenos, obviamente desestabilizadores, que talvez fossem menos contundentes se se tivesse resolvido a questão israelo-palestina.

 

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O Estado de S. Paulo

Tour estimula investimentos
Denise Chrispim Marin


Cerca de 70 empresas brasileiras buscam parcerias e negócios em Israel, estimuladas pelo acordo de livre comércio firmado pelo país com o Mercosul e pelo projeto israelense de ampliar em US$ 1 bilhão seus investimentos produtivos no Brasil. Essa potencial expansão dos laços econômicos Brasil-Israel será detalhada hoje em um seminário empresarial que será aberto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

De acordo com o Itamaraty, há expectativas em relação à possível participação da Construtora Camargo Correa na obra de transposição de água para o Mar Morto. O projeto considerado mais viável prevê a coleta no Mar Mediterrâneo e o aproveitamento de uma queda d"água de 400 metros para a construção também de uma hidrelétrica e de uma estação de dessalinização. O custo da obra é estimado em US$ 7 bilhões. A iniciativa, entretanto, ainda enfrenta resistência política interna em Israel.

A área de Defesa também desperta a atenção de pelo menos três empresas privadas e do governo brasileiro. Em especial, em relação à absorção de equipamentos, de tecnologia e de logística para a segurança da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016 e para a vigilância das fronteiras do País. O seminário também atrairá a atenção de 210 empresários israelenses dos setores imobiliário, farmacêutico, biotecnológico, de semicondutores, de comunicações, de tecnologia e de segurança.

Amanhã, 16 representantes de empresas brasileiras seguirão para Belém, com a atenção voltada para o plano "Palestina Movendo-se Adiante", lançado no ano passado pela Autoridade Palestina (AP).

O plano envolve 201 projetos de infraestrutura nos territórios palestinos, ao custo total de US$ 5,5 bilhões. As oportunidades de negócios serão exploradas em um seminário organizado pelo Itamaraty, que também terá a presença do presidente Lula.

A jornada do presidente ao Oriente Médio será encerrada em Amã, na Jordânia, onde 55 empresários brasileiros e 300 jordanianos se reunirão com a expectativa de ampliar as trocas comerciais, que somaram apenas US$ 189 milhões em 2009 ? queda de 40% em relação ao ano anterior. Desse total, US$ 177 milhões corresponderam a exportações do Brasil.

 

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O Estado de S. Paulo

Lula é recebido por Peres em visita oficial a Israel

 
O presidente também deverá se encontrar com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou nesta segunda-feira, 15, seu primeiro dia de visita oficial a Israel. Ele foi recebido com um ato de homenagem por seu colega israelense, Shimon Peres, na Residência Presidencial em Jerusalém.

O líder brasileiro chegou na tarde de domingo ao aeroporto Ben Gurion, próximo a Tel Aviv, na véspera de uma das viagens mais importantes que faz ao Oriente Médio, a primeiro em que visita o

Estado judeu e os territórios palestinos.

O primeiro de seus anfitriões, o presidente israelense, foi o encarregado de abrir a agenda oficial de Lula, com uma cerimônia de boas-vindas depois que ambos realizarem uma reunião protocolar.

De manhã, Lula participará junto com Peres em um grande evento econômico em um hotel de Jerusalém, no qual estarão presentes 200 empresários brasileiros.

Essa presença maciça é sinal do caráter comercial da visita de Lula, destinada a potencializar os investimentos mútuos a partir de 4 de abril, quando entrará em vigor o acordo de livre-comércio que Israel assinou com o Mercosul há dois anos.

Antes de um almoço privado, Lula deve se reunir com a chefe da oposição israelense e líder do Partido Kadima, Tzipi Livni. À tarde, o presidente irá ao Parlamento israelense (Knesset), onde se reunirá com o primeiro-ministro do país, Benjamin Netanyahu, e onde pronunciará um discurso aos 120 deputados no plenário.

Na sessão, o presidente do Parlamento, Reuben Rivlin, utilizará o cetro que o diplomata brasileiro Osvaldo Aranha usou na sessão de 1947 em que a ONU aprovou a Resolução de Partilha da Palestina em dois Estados, um árabe e outro judeu. Aranha emitiu o voto de minerva para a Partilha, possibilitando assim a criação de Israel.

No final da tarde, Lula voltará a se reunir com Shimon Peres, com quem terá um jantar em sua homenagem na Residência Presidencial.

O presidente irá amanhã para a cidade de Belém, na Cisjordânia, onde pernoitará, algo incomum e que quase nenhum líder internacional fez na última década.

Em Belém, Lula se reunirá com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas. Em seguida, Lula seguirá para Ramala, capital administrativa da Cisjordânia, onde deixará uma oferenda no túmulo do histórico dirigente palestino Yasser Arafat, que morreu em 2004.

 

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O Estado de S. Paulo

Para Lembrar: País auxiliou na criação do Estado de Israel

Um dos principais articuladores da votação da ONU que determinou, em 1947, a chamada “partilha da Palestina” – criando o Estado de Israel ao lado de um país árabe que nunca chegou a existir – foi o diplomata brasileiro Osvaldo Aranha.
Então presidente da Assembleia-Geral, Aranha comandou a sessão que teve 33
votos a favor da divisão, 13 contra e 10 abstenções. Ele havia sido ministro da Justiça e das Finanças durante a presidência de Getúlio Vargas.

No governo do presidente Ernesto Geisel (1974-1979) as relações Israel-Brasil encontraram seu pior momento. Em 1975, sob o lema do “pragmatismo responsável” do chanceler Azeredo da Silveira, o Brasil votou a favor de uma resolução
da ONU que definia o sionismo como “uma forma de racismo”. Anos depois, Geisel
ainda afirmaria: “Estou convencido até hoje de que o sionismo é racista.”

 

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O Globo

Ação em duas frentes
Eliane Oliveira e Daniela Kresch

 

Lula chega a Israel com promessa de buscar compromisso nuclear do Irã e união de palestinos

LULA CHEGA a Jerusalém acompanhado de dona Marisa e é recebido por diplomatas: presidente participará de encontros e vai defender relação com líder iraniano

Em meio à crise entre Estados Unidos e Israel por conta do anúncio da construção de 1.600 novas casas em Jerusalém Oriental e, ao mesmo tempo, fortemente criticado por sua posição contrária às sanções contra o Irã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou ontem sua viagem ao Oriente Médio disposto a atuar nas duas frentes. Às autoridades israelenses, dirá que o Irã é um ator importante na região e pode ajudar no processo de paz. Aos palestinos, defenderá o fim da divisão entre o Hamas e o Fatah, para que se evite o fracasso das negociações.

A informação foi dada ontem pelo assessor para assuntos internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, após desembarcar em Tel Aviv com Lula e seguir para Jerusalém por uma estrada enfeitada com bandeirolas do Brasil.

Segundo Garcia, o pedido de Lula para que o líder iraniano dê sua palavra de que não produzirá uma bomba atômica será feito em maio, em visita a Teerã. Ele admitiu que a questão do Irã fará parte das conversas entre Lula e autoridades israelenses.

Quanto aos palestinos, Garcia disse que a união será o único caminho para o entendimento.

- A primeira coisa que o lado palestino tem que fazer é se unir. Sei que não é fácil. Mas pior será se o lado palestino não tiver uma posição homogênea, coesa. Senão, qualquer entendimento estará fadado ao fracasso.

No caso do impasse entre palestinos e israelenses, ele enfatizou que o Irã pode ajudar no processo de paz.

- O Irã pode contribuir para a questão da Palestina, já que tem uma influência de peso.

Martelo de Oswaldo Aranha no Knesset

Na visão do Brasil, a declaração da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, de que Israel está colocando em risco suas relações com os EUA, não impedirá a retomada das negociações entre israelenses e palestinos.

- Se os EUA, que têm se revelado um aliado histórico de Israel, estão com uma posição tão cética e dura, isso provocará uma reflexão de seus interlocutores - destacou. - O problema da Palestina não cresce para palestinos e israelenses. É um problema que tem altíssimo potencial desestabilizador do ponto de vista global. Será que a ameaça ao terrorismo existiria se a tensão palestina tivesse sido resolvida há mais tempo?.

A agenda de hoje inclui encontros com o presidente de Israel, Shimon Peres, a líder da oposição israelense, Tzipi Livni, e com o premier, Benjamin Netanyahu. Lula ainda irá ao Parlamento de Israel, Knesset, onde será recebido com toda pompa. O porta-voz da Knesset, o deputado Reuven Rivlin, abrirá a sessão extraordinária no plenário com o mesmo martelo usado pelo diplomata brasileiro Oswaldo Aranha em 29 de novembro de 1947, na sessão da ONU que determinou a criação do Estado de Israel.

Lula quer usar seu carisma junto a árabes e israelenses não apenas para participar de forma mais efetiva no processo de paz no Oriente Médio, mas também para atender aos interesses econômicos dos empresários brasileiros que já se encontram na região, em busca de novos negócios.

Em Jerusalém, por exemplo, encerrará um seminário empresarial com foco nas áreas de defesa, infraestrutura e telecomunicações. Ao encontro, também levará o tema etanol. Embora Israel esteja a um passo dos países árabes, precisa comprar petróleo de mercados mais distantes, como Rússia e Venezuela. Nos territórios palestinos, o grande interesse é no chamado Plano Fayad, uma espécie de PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), composto por 201 projetos no valor de US$5,5 bilhões. Na Jordânia, o objetivo é expandir o comércio, atualmente de apenas US$189 milhões por ano, e introduzir o Brasil em obras de infraestrutura.

 

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O Globo

Entrevista com Binyamin Ben Eliezer: Acordo pode contribuir para paz

 

Ministro da Indústria e Comércio de Israel, Binyamin Ben Eliezer, é um dos mais veteranos políticos do país. Ele já participou de várias rodadas de negociações de paz com Israel.

Qual é a importância da visita do Lula a Israel em termos de economia de diplomacia?

BINYAMIN BEN ELIEZER: É extremamente importante em nível econômico e político. O meu ministério declarou o Brasil, juntamente com a China e a Índia, como mercados alvo para Israel. Portanto, queremos reforçar o comércio bilateral, a cooperação industrial e tecnológica com o Brasil.

Quais as expectativas de Israel em relação ao acordo de livre comércio com o Mercosul?

BEN ELIEZER: Israel é o único país fora da América Latina que assinou um tratado de livre comércio com os países do Mercosul. Isso é um avanço significativo nas relações comerciais.

Os palestinos querem que o acordo não inclua os produtos produzidos em Israel em assentamentos situados na Cisjordânia. O que o senhor acha sobre isso?

BEN ELIEZER: Acredito que devemos sempre tentar evitar interação negativa nas questões políticas e econômicas. Nosso acordo de livre comércio com o Mercosul foi negociado e assinado com base puramente econômica. Os palestinos estão bem cientes das disposições do Protocolo de Paris, que cria um "envelope aduaneiro" incluindo as duas entidades.

O que isso quer dizer?

BEN ELIEZER: Quer dizer que os palestinos também podem gozar de acordos assinados entre Israel e outros países. Nesse sentido, um acordo de livre comércio em separado entre o Brasil e a ANP pode acabar se revelando ineficaz e inaplicável. Pessoalmente, creio que o acordo pode servir para contribuir as economias israelense e palestina, além de promover a paz em nossa região.

O que o senhor acha da aproximação do governo do Brasil com o Irã?

BEN ELIEZER: Naturalmente, como acontece com todos os amigos, podemos ter nossas diferenças, como no caso do Irã. Mas estou certo de que seremos capazes de resolver essas diferenças através de um diálogo construtivo. (D.K.)

 

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Zero Hora

Região atrai empresários brasileiros

Cerca de 70 empresas brasileiras buscam parcerias e negócios em Israel, estimuladas pelo acordo de livre comércio firmado pelo país com o Mercosul e pelo projeto israelense de ampliar em US$ 1 bilhão seus investimentos no Brasil. Essa potencial expansão das vinculações econômicas Brasil-Israel será detalhada hoje em um seminário empresarial a ser aberto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

De acordo com o Itamaraty, há expectativas em relação à possível participação da construtora Camargo Corrêa na obra de transposição de água para o Mar Morto. A área de defesa também desperta a atenção de pelo menos três empresas e do governo brasileiro. Em especial, em relação à absorção de equipamentos, de tecnologia e de logística para a segurança da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016 e para a vigilância das fronteiras do país.

Na Jordânia, 55 empresários brasileiros e 300 jordanianos se reunirão com a expectativa de ampliar o intercâmbio comercial, que somou apenas US$ 189 milhões em 2009 queda de 40% em relação a 2008. Desse total, US$ 177 milhões corresponderam a exportações do Brasil.

 

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Zero Hora

Opinião: O mediador global
Paulo Santana

 

A gente lê e não acredita: o presidente Lula está em Israel para mediar a crise entre palestinos e israelenses.
E é encarado tanto pelo governo de Israel quanto pela França, os Estados Unidos e a Rússia como importante mediador global e ensarilhador de tensões.
Está agora em Israel Lula, pronto para conversar também com os palestinos e tentar um acordo entre os dois povos.
E, no dia 15 de maio próximo, Lula estará em Teerã, tentando ser um pacificador da questão nuclear e amenizador das sanções que as nações ocidentais estão impondo ao Irã pela ameaça de enriquecimento de urânio naquele país, um explosivo incidente que pode levar à guerra, conhecendo-se a intenção de Israel de bombardear o Irã no caso de que surjam vestígios nítidos de que Teerã esteja cultivando uma bomba nuclear.

A questão no Oriente Médio é tão intrincada e falecem tanto as soluções, que os políticos e governantes das nações em litígio, assim como as nações mais poderosas do mundo, aceitam mediação vinda de onde venha. Ainda mais uma mediação com autoridade neutral, que parece ser o caso do Brasil, que não foi potência imperialista no Oriente Médio, caso da Grã-Bretanha e da França. E é importante também, para a condição de mediador autorizado que Lula ostenta, que o Brasil é um país cuja Constituição o proíbe de desenvolver armas atômicas, o que o credencia para negociar acordo entre as potências nucleares e o emergente e assanhado Irã.

Lula percebeu esse vazio e se coloca à disposição dos litigantes para mediá-los.
E chama a atenção a importância que todos emprestam à figura de Lula como apaziguador de seus conflitos.
A impressão que se tem desses fatos é de que Lula é muito mais respeitado no Exterior do que aqui no Brasil.
Chega a ser emocionante ver como o Brasil é encarado com respeito pela comunidade internacional. Fato novo, criado pelo governo Lula. E especialmente criado pela figura simpática do presidente brasileiro.

A um desavisado aqui no Brasil, poderia ocorrer que a participação de Lula nas mediações desses importantes conflitos internacionais, os mais importantes em todo o cenário mundial, seria meramente folclórica.
Nada disso, a mediação do presidente Lula é ansiada pelos governantes e políticos das nações litigantes, transmitindo alguns deles até mesmo a opinião de que a intervenção de Lula nesses assuntos pode ser providencial para sua solução.

É espantosa essa saliência de Lula e do Brasil no cenário das relações internacionais. Nunca, sob qualquer governo, o Brasil teve essa notoriedade e destaque.
E de nós, brasileiros, é maior ainda o espanto: como pôde um ex-retirante de pau de arara, metalúrgico de dedo decepado de uma fábrica do ABC, líder de greves no período militar, sem luzes e cultura, ter chegado a esse ponto em que ameaça deixar o governo que está no fim, com a imagem de um estadista?

E estadista internacional.

Está aí o típico exemplo de um homem que deu e emprestou importância ao seu cargo.

 

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Agência de Notícias Brasil-Árabe

Presidente leva empresários para 'garimpar' negócios

Lula vai a Israel, Palestina e Jordânia acompanhado de uma delegação empresarial. Para ele, o resultado dessas missões 'tem sido extraordinário'. O Brasil pode ajudar no desenvolvimento palestino.
Alexandre Rocha, enviado especial alexandre.rocha@anba.com.br
Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, em entrevista exclusiva à ANBA, que o Brasil pode ajudar no desenvolvimento da Palestina. “Como estamos fazendo com muitos países do mundo”, declarou. Na próxima semana Lula vai visitar o país, na primeira viagem de um presidente brasileiro aos territórios palestinos.
Ricardo Stuckert/PR Ricardo Stuckert/PR

Depois de deixar o governo, Lula brincou que vai 'comer em restaurante árabe'

Ele vai ao Oriente Médio acompanhado de uma delegação de empresários para “garimpar” oportunidades de negócios e parcerias. O presidente garantiu que o acordo de comércio assinado entre Mercosul e Israel não inclui mercadorias produzidas em assentamentos israelenses nos territórios ocupados.

Lula afirmou ainda que a política de aproximação do Brasil com outros países em desenvolvimento vai continuar com seu sucessor, seja ele, ou ela, da situação ou da oposição. “Eu penso que a política internacional nossa é tão exitosa que eu acho que dificilmente alguém teria coragem de mudar”, afirmou. Leia a seguir a entrevista:

ANBA - Presidente, uma delegação de empresários vai acompanhar o senhor nessa viagem [a Israel, Palestina e Jordânia]. O que a gente pode esperar em termos comerciais?

Luiz Inácio Lula da Silva - Olha, toda vez que nós fazemos uma reunião com outro país e levamos empresários, na verdade é um processo que considero quase que uma garimpagem. Ou seja, os empresários brasileiros se reúnem com os empresários de outros países e eles descobrem entre si chances, oportunidades de negócios, possibilidades de parcerias entre as empresas. O resultado tem sido extraordinário. Veja, é a primeira vez que vai um conjunto de empresários à Palestina discutir desenvolvimento, parcerias e pesquisar oportunidades. Eu acho isso um fato muito relevante. Em todas as reuniões eu tenho dito aos meus ministros: “Vamos levar empresários, porque quando eles se encontram e começam a conversar, daqui a pouco a gente percebe que o Brasil está comprando ou está exportando alguma coisa”. Então o objetivo é esse, é desenvolver ainda mais a nossa relação com a Palestina, que é muito pequena do ponto de vista comercial.

O Mercosul já negociou um acordo comercial com Israel e os palestinos reclamam porque existem os assentamentos israelenses. Eles dizem que o Brasil, o Mercosul no caso, não deveria aceitar, dentro desse acordo, produtos dos assentamentos...

Mas isso está previsto no acordo, que a comissão que acompanha o acordo não permitirá a entrada de produtos produzidos em [assentamentos israelenses no] território palestino.

Do ponto de vista institucional, existe possibilidade e interesse do Brasil em ter algum acordo com a Palestina?

Existe possibilidade não apenas de ter acordo com a Palestina, mas do Brasil ajudar os palestinos a se desenvolverem, a crescerem e ver o que é possível ajudar a construir lá, como estamos fazendo com muitos países do mundo. Dois assuntos importantes da Palestina [que estão] no Congresso Nacional: primeiro a doação do terreno para a instalação Delegação (embaixada) Palestina em Brasília, que já foi aprovada na Câmara dos Deputados em novembro e está na pauta da Comissão de Justiça do Senado Federal em caráter terminativo, e talvez seja aprovada esta semana; doação de US$ 10 milhões para reconstrução de Gaza, também já foi aprovada na Câmara e na Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal.

O senhor sabe quais necessidades o Brasil poderia suprir neste momento?

Não. Veja, primeiro nós temos gente lá estudando isso. Segundo, vai uma equipe na frente, sabe, para conversar com as pessoas e fazer um levantamento das coisas que a gente pode assinar protocolo de intenções, e certamente quando a gente chegar lá estarão os acordos possíveis de serem assinado, prontos para assinar. O que é importante é que é a primeira viagem de um chefe de estado brasileiro à Palestina. Eu dou muita importância para isso, porque a viagem do presidente da República é o que faz a diferença na relação entre dois povos.

O senhor adotou como política desde o começo do governo a aproximação com os países em desenvolvimento, com os países árabes houve um crescimento muito grande do comércio, o senhor vai até receber uma homenagem dia 25, em São Paulo, da Câmara Árabe. Agora, esse é o seu último ano de governo. O que a gente pode esperar? Essa política se mantém com o sucessor, principalmente se ele for da oposição?

Eu penso que a política internacional nossa é tão exitosa que eu acho que dificilmente alguém teria coragem de mudar. Obviamente que há sempre possibilidade de fazer mais. E se a [ministra da Casa Civil e pré-candidata governista à Presidência] Dilma [Rouseff] ganhar as eleições certamente ela vai aprimorar tudo o que nós fizermos e poderá fazer muito mais. Afinal de contas, ela já vai pegar a política caminhando numa evolução extraordinária. Ela vai poder, então, fomentar isso. E se for um candidato de oposição, eu acho difícil que eles consigam fazer uma reversão, porque a reversão seria prejudicial ao Brasil.

O senhor disse que até o final do ano vai tentar fazer o que for possível na questão do processo de paz [entre israelenses e palestinos]. E depois que terminar o seu mandato, o que o senhor pretende fazer?

Eu? Não sei..., comer em restaurante árabe (risos). Eu sinceramente não estou pensando no que fazer depois.

O senhor tem interesse em assumir algum tipo de compromisso internacional?

Não, não quero mais compromisso, para mim chega. É que tem muita coisa para fazer. Eu certamente tenho muita coisa para fazer dentro do Brasil e fora do Brasil, mas eu não quero pensar nisso agora, porque eu ainda tenho alguns meses de governo e esses são os meses mais delicados, porque a cabeça de uma parte do país começa a pensar no processo eleitoral, que se dará em outubro. Muita gente do governo vai sair para ser candidato. Ou seja, daqui a pouco, se a gente não cuida direito, o país está pensando nas eleições e o governo fica paralisado. Então, o meu trabalho é fazer com que o país funcione corretamente até o dia 31 de 2010..., para que no dia seguinte, às 10 horas da manhã, eu possa entregar a quem de direito a faixa

 

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Agência de Notícias Brasil-Árabe

Mundo precisa de diálogo sincero, diz Lula
Alexandre Rocha

 

Dias antes de viajar ao Oriente Médio, o presidente brasileiro afirmou que 'o mundo está carente de governança' e defendeu negociações diretas entre líderes dos países em conflito na região.


Brasília – Às vésperas de viajar a Israel, Palestina e Jordânia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, em entrevista à ANBA e aos jornais israelenses Haaretz e The Marker, que “o mundo está carente de governança global” por falta de representatividade das instituições multilaterais, o que ele acredita ser essencial para a mediação dos conflitos no Oriente Médio, especialmente entre israelenses e palestinos.

Para o presidente, 'capas pretas' devem dialogar

“Eu acho que as Nações Unidas, se voltar a ter representatividade, ela pode ajudar muito no processo de paz no Oriente Médio, alguém que tenha neutralidade para falar a verdade para israelenses, para falar a verdade para palestinos, para iranianos, para os sírios e para quem quiser ouvir a verdade. Eu sinceramente acho que falta um pouco isso nos organismos multilaterais”, afirmou o presidente.

Ele citou como exemplo o caso de Honduras, onde um golpe de estado derrubou o presidente Manuel Zelaya em junho do ano passado. “Vamos ver o que aconteceu em Honduras: a OEA (Organização dos Estados Americanos) tomou uma decisão unânime condenado o golpe, e o que aconteceu? Nada, os golpistas ficaram até terminar o mandato do presidente democraticamente eleito. Ou seja, num total desrespeito ao fórum multilateral mais importante da região”, declarou Lula.

Para o presidente, novos atores devem participar do processo de paz no Oriente Médio para “arejar” a discussão. O Brasil já há algum tempo se propõe a ter um papel mais ativo nas negociações. Ele disse que pretende trabalhar no tema até o final de seu mandato, em 31 de dezembro deste ano.

“Eu recentemente conversei com o presidente [israelense] Shimon Peres, conversei com o presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), o presidente [Mahmoud] Abbas, e todos eles concordam que é preciso acontecer alguma coisa nova. É para isso que a gente tem que continuar conversando. Como eu acredito nisso, e tenho mais um ano de mandato, eu vou tentar trabalhar para ver se arejamos a discussão”, ressaltou.

Para Lula, o Brasil tem autoridade para se oferecer como mediador, uma vez que, em sua avaliação, é exemplo de convivência pacífica entre pessoas de diferentes origens. “Eu acho que o Brasil tem um papel importante porque nós somos um país de índole pacífica. Porque aqui 150 mil judeus talvez vivam o maior processo de harmonia com 10 milhões de árabes. Acho que o exemplo do Brasil, sendo o maior país da América Latina, um continente que não tem armas nucleares, onde o máximo de divergência que existe, o máximo de atrito, é verbal, eu penso que teria alguns ensinamentos a oferecer a quem vive num conflito como o Oriente Médio”, destacou.

O presidente afirmou que falta disposição para o diálogo entre os líderes. “Tem determinadas conversas, que eu acompanho pela imprensa, que são feitas por interlocutores de terceiro escalão, de quarto escalão. Eu acho que em algum momento seria preciso chamar os ‘capas pretas’ de cada país e colocar dentro de uma sala nas Nações Unidas e discutir com mais objetividade, com mais seriedade. Eu hoje tenho experiência das negociações feitas no segundo e terceiro escalão, elas são muito importantes, mas não têm 1% da importância de os líderes sentarem em torno de uma mesa e tiverem uma conversa olho no olho. E eu acho que falta isso. Veja, política é essencialmente contato, as pessoas precisam se olhar”, disse.

Lula viaja pela primeira vez aos três países na próxima semana. Leia a seguir os principais pontos da entrevista.

Apoio ao diálogo com o Irã

Acho que nós, que somos dirigentes políticos e governantes, e presidimos um país que tem uma história de paz, uma história forte de convivência democrática na diversidade, nós precisamos acreditar que sempre é possível surgir uma razão ou um argumento novo para que a gente possa desfazer os erros do passado e construir algo novo para o presente. Por exemplo: eu tenho conversado com os presidentes dos principais países do mundo, sobretudo aqueles que fazem parte do Conselho de Segurança da ONU, sobre a questão do Irã. Já conversei sobre isso com os americanos, com os franceses, com os ingleses, com os russos, com os chineses. Eu sinto que todos desejam construir um processo de paz no Oriente Médio, mas eu sinto também que os interlocutores já estão um pouco desgastados nessa negociação, e de vez em quando eu fico me perguntando se não é necessário encontrar outros interlocutores para que, junto com os atuais, possa se construir novas razões, novos argumentos.

Os interlocutores precisam transitar em toda a esfera conflitiva do Oriente Médio, estabelecer quem conversa com quem, dentro de Israel, na Palestina, no Irã, na Síria, na Jordânia, no Catar e em tantos outros países que têm a ver com o conflito, para que a comunidade internacional possa oferecer uma oportunidade a palestinos e israelenses de negociar a paz e ao mesmo tempo de afirmar ao Irã que nós somos contra a construção de bomba nuclear.

Pois bem, é preciso, e eu já tive oportunidade de discutir com o Irã: o Irã não pode continuar falando que vai destruir o Estado de Israel. Da mesma forma, eu disse ao presidente [iraniano, Mahmoud] Ahmadinejad de que é inconcebível negar o Holocausto. Ele existiu, está incrustado na mente da humanidade, e o fato de você ter divergência com o Estado de Israel não precisa te levar a negar a história, podes conhecer a história.

Eu acho que nós precisamos começar a construir o que ainda não existe, não é deixar de discutir o passado, os conflitos e a história, é começar a discutir o que a gente pode discutir a partir de agora para construir a paz. A minha tese é que a gente não pode permitir que aconteça no Irã o que aconteceu no Iraque e que, antes de qualquer sanção, a gente faça todo o esforço possível para reconstruir a possibilidade de paz no Oriente Médio. Daí o porquê a minha visita a Israel, à Palestina e à Jordânia, e daí a minha visita ao Irã no mês de maio.

Nós precisamos trabalhar urgentemente para acabar com as tensões. Eu tenho conversado com alguns líderes e eles têm dito: “Precisamos fazer alguma coisa rápido porque senão Israel pode atacar o Irã”. Ora, eu não quero que Israel ataque o Irã e eu não quero que o Irã ataque Israel. Esse deveria ser o comportamento do mundo hoje. O que eu acho é que as pessoas desaprenderam a conversar.

Processo de paz

Eu sou um homem que nasceu na política, no diálogo, cheguei à Presidência do meu país dialogando, exerci meu mandato dialogando, e eu acredito que através do diálogo nós poderemos resolver todos os conflitos que parecem insolúveis nos dias de hoje. Quando eu digo que é preciso envolver mais interlocutores é porque o conflito no Oriente Médio não é um problema de conflitos bilaterais, e tampouco a solução será encontrada da forma que se tentou nesses últimos anos.

Houve um momento em que eu acreditei mais na paz no Oriente Médio. Se não me falha a memória, em 93 nós fomos a Túnis, encontramos com o [líder palestino Yasser] Arafat, depois fomos a Israel, conversamos com o [então chanceler] Shimon Peres, conversamos com o [então] primeiro-ministro [Yitzhak] Rabin. Naquele tempo eu achava que a paz estava mais próxima, as pessoas tinham mais desenvoltura para discutir o tema. De lá para cá muita gente já ganhou o Prêmio Nobel da Paz, muitas fotografias já foram tiradas, muitos abraços já foram dados, e a cada dia está mais difícil, porque o problema não é Israel e Palestina, o problema é saber os outros interesses no Oriente Médio, que precisam estar na mesa para que a gente possa encontrar a solução. Como o Irã faz parte disso eu acho que é necessário alguém conversar com o Irã.

Eu fico sempre com uma inquietação: quem realmente quer paz no Oriente Médio, a quem interessa a paz e a quem interessa o conflito? Porque se nós não detectarmos isso e não colocarmos todos em volta de uma mesa, a possibilidade de fazer acordo é inócua. Há sempre alguém agindo como se fosse o inimigo oculto, que sem que a gente saiba não permite que haja acordo.

ONU

A ONU, se tivesse a força que precisa ter, poderia ser a grande articuladora do processo de paz do Oriente Médio, mas do jeito que está hoje ela não consegue, porque a representação no Conselho de Segurança já não representa a geopolítica do século 21. Grandes países estão fora, nós estamos com uma representação política da Segunda Guerra Mundial que não representa força econômica e política de 2010. Ou os dirigentes compreendem isso, ou nós vamos ver a falência das instituições multilaterais, o que seria um desastre para a paz mundial.

Desentendimentos com os EUA

O Brasil tem uma relação muito forte com os Estados Unidos, os Estados Unidos têm sido um parceiro estratégico do Brasil. Entretanto, quando se trata da soberania de um país e das suas relações bilaterais ou regionais, cada um de nós constrói aquilo de acordo com as necessidades do país.

Em 2003, eu tinha apenas 25 dias de governo, fui a Davos, e na volta nós decidimos que iríamos mudar a geografia comercial do mundo, que era preciso diversificar as relações do Brasil e que nós não poderíamos ficar dependendo apenas da relação com os EUA e com a União Européia, que era preciso crescer no mundo árabe, no mundo asiático, na América Latina e na África, e fizemos uma forte atividade política nesses continentes. Os Estados Unidos e a União Européia, que representavam, cada um, por volta de 28% a 30% da balança comercial brasileira, embora [o comércio] tenha crescido 20% em média desde que eu tomei posse, representam hoje apenas 13%, porque nós crescemos em todos os continentes. Quando nós criamos o G-5, o G-4, o Ibas, quando nós criamos a Unasul, quando nós agora criamos o grupo América Latina-Caribe, em 200 anos de independência é a primeira vez que a América Latina se reúne sozinha, sem os EUA, sem nenhum país europeu, sem o Canadá.

O dado concreto é que nós estamos procurando mecanismos de fortalecimento de nossas economias e das nossas relações, tentando tirar proveito da proximidade e das similaridades existentes entre nós, e isso não cria nenhum problema com os Estados Unidos. Pelo contrário, quando tivemos a primeira reunião em Trinidad e Tobago, logo depois da posse do presidente [norte-americano, Barack] Obama, eu disse que era necessário que ele tivesse um olhar mais otimista para a América Latina. Fizemos uma reunião com todos os países da América do Sul, com o Obama, foi uma reunião extraordinária, e depois não aconteceu mais nada. Então, nós, definitivamente, não queremos confrontação com os Estados Unidos, o que nós queremos é exercitar de forma soberana as coisas que nós entendemos que vão fazer bem para o Brasil

 

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Valor Econômico

Brasil espera Israel mais aberto a negociar paz
Sergio Leo


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva espera convencer o Irã a incentivar os palestinos a um esforço de negociação com Israel e pretende dizer à Autoridade Palestina que a manutenção das divisões entre os grupos Fatah e Hamas levará qualquer tentativa de acordo "ao fracasso". A informação é do assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia, ao chegar com Lula a Jerusalém, para uma jornada de quatro dias em Israel, território palestino e Jordânia. Ele disse acreditar que Israel pode tornar-se mais receptivo às demandas palestinas, depois de fortes críticas ao governo israelense por autoridades americanas, nesta semana.

"Um comentário tão rígido, tão duro, tão forte, pode fazer com que os interlocutores reflitam melhor", disse Garcia, ao comentar as reações dos EUA ao fiasco da missão do vice-presidente, Joe Biden, a Israel, na semana passada. Biden viu seu esforço de reatamento das negociações com os palestinos afundar devido ao anúncio sobre a construção de 1,6 mil casas para israelenses na parte oriental de Jerusalém, considerada pelos palestinos sua futura capital. Hillary divulgou declaração classificando o anúncio de "um insulto aos EUA", após ríspida conversa telefônica com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em que cobrou maior empenho pela paz.

O principal assessor da Casa Branca, David Axelrod, também falou em "insulto" e "afronta" em declaração à imprensa. "Nunca vi em toda a minha vida diplomática uma reação tão forte dos EUA", comentou o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim. "Isso terá desdobramentos. Não é possível julgar pelas primeiras reações."

Marco Aurélio Garcia reconheceu que o papel do Brasil, nas conflituosas negociações de paz no Oriente Médio, é "pequeno", mas adiantou que Lula o trouxe para discutir "alternativas" com autoridades da região. "Não é questão para ser resolvida amanhã. Procuramos dar uma contribuição", comentou. "É pequena? É, mas achamos que devemos dar", acrescentou. O governo brasileiro não age "ingenuamente" e sabe que "não há solução mágica", disse.

Durante a visita a Israel, Lula deve ouvir críticas à aproximação de seu governo com o Irã. O "Haaretz", grande jornal local, chegou a publicar a visita de Lula como a chegada do "amigo de (Mahmoud) Ahmadinejad", o presidente do Irã. Garcia incluiu a viagem de Lula ao Irã, em maio, nos esforços para pacificação do Oriente Médio. A relação entre Lula e o iraniano não é de inimizade, mas de "chefes de Estado", argumentou.

"Queremos que o Irã contribua para solução pacífica da questão na Palestina; ele tem meios para isso, porque tem influência", disse Garcia, anunciando, também, a insistência do governo brasileiro para que o Irã siga as resoluções da Agência Internacional de Energia Atômica e "renuncie a qualquer pretensão de uso da energia nuclear para fins militares".

Lula, que amanhã à tarde parte para Belém, nos territórios palestinos, e na quarta visita à Jordânia, chega a Israel em um momento de crise. Em seguida ao anúncio da construção de 1,6 mil casas e expansão de assentamentos judeus, o governo israelense reforçou o policiamento em Jerusalém, criando restrições à entrada de palestinos, e determinou o bloqueio até domingo das fronteiras da Cisjordânia. O clima era tenso ontem, com ameaças de manifestações durante o dia e hoje em Jerusalém. (SL)

 

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G1

Em Israel, Lula defende mais países nas negociações de paz

José Alan Dias Da TV Globo, em Jerusalém (Israel)*

 

Presidente discurou ao lado de Shimon Peres.

'Por ser uma tarefa difícil é importante que se ouça mais gente', disse.

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou nesta segunda-feira (15), em Jerusalém, sua visita oficial de dois dias a Israel defendendo o envolvimento de mais países nas negociações de paz no Oriente Médio. Além de Israel, Lula visitará os territórios administrados pela Autoridade Palestina.

“Se (a paz na região) fosse uma tarefa fácil, já teríamos conquistado. Por ser uma tarefa difícil é importante que se ouça mais gente, que se envolva mais gente e que se converse um pouco mais”, disse Lula, em discurso no jardim da residência oficial do presidente israelense.

 

Diante do presidente Shimon Peres, Lula disse que “a arte da política é a arte de vencer as tarefas que parecem impossíveis”.

Com um discurso eloquente, o presidente Lula afirmou que “não existe uma única palavra ou um único gesto que justifiquem a guerra, mas milhões de palavras e milhões de gestos que justificam a paz”.

Essa é a primeira visita de um governante brasileiro à região desde que o imperador D. Pedro II visitou a Terra Santa, em 1876.

“Estejam certos de que os outros presidentes brasileiros que não estiveram aqui nos últimos 140 anos perderam muito”, disse Lula, no discurso, preparado, de pouco mais de cinco minutos.

Mensageiro de paz
Primeiro a falar, o israelense Shimon Peres chamou Lula de César (mas na tradução do hebraico para o português, não houve explicações sobre o porquê da referência).

“Com a benção de Jerusalém, que seja bem-vinda a sua contribuição. Sei que o senhor traz uma mensagem de paz”, disse Peres. “O mundo olha para o senhor e vê esperança transformada em fatos. Sua ajuda para a paz no Oriente Médio é importante, completou. 

 

“Se hoje há crise, não pode haver rompimentos”, disse o governante israelense.
“Vamos superar as crises. O processo continua sendo negociado. Os terrenos militares acabaram. O importante agora é a negociação”, afirmou Shimon Peres.

A referência à crise é óbvia: as negociações voltaram a ficar paralisadas na semana passada, quando Israel anunciou a construção de novos assentamentos em Jerusalém Oriental.

Tensão na região

O presidente brasileiro chega ao Oriente Médio em um momento delicado.
Na semana passada, o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, visitou Israel no esforço para iniciar uma nova rodada de negociações entre palestinos e israelenses.


Mas a tarefa diplomática foi comprometida pelo anúncio de Israel de que pretende construir 1.600 casas na parte Oriental de Jerusalém.


Na sexta-feira (12), Israel decretou bloqueio de 48 horas à Cisjordânia e colocou 3.000 policiais dentro e em volta da cidade velha de Jerusalém.


No sábado (13), dezenas de mulheres palestinas entraram em confronto com tropas israelenses na periferia de Jerusalém.


Os palestinos reivindicam Jerusalém Oriental como capital de seu futuro Estado -a área foi capturada por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967.


No caso do presidente Lula, a pretensão de se apresentar como mediador nas negociações de paz, na verdade, não é nova. Em 2003, o governo brasileiro havia se oferecido como interlocutor entre palestinos e israelenses.


As investidas do governo brasileiro em questões distantes de sua zona de influência - especialmente a crise envolvendo o programa nuclear iraniano e o conflito entre palestinos e israelenses - estão diretamente ligadas às pretensões do Brasil de obter uma cadeira permanente no conselho de segurança da ONU.

Irã
O Irá também estará no topo das discussões de Lula na parte israelense da visita. E isso ficou bem claro em declarações dadas pelo vice-ministro das relações exteriores de Israel, Danny Ayalon, logo depois da recepção oficial a Lula.


“Em todos os grandes problemas da região hoje, o Irã está presente, disse Ayalon.


Um comediante israelense atrapalhou em vários momentos a entrevista e, no fim, perguntou se Israel estaria preparando um ataque ao Irã. "Israel está aqui e aqui ficará para sempre", respondeu o vice-ministro das relações exteriores.


Na sexta-feira, o jornal "Haaretz" publicou uma reportagem, bastante elogiosa, em que chamou Lula de "o profeta do diálogo". O repórter do Haaretz escreveu que Lula foi diplomático na hora de escolher quem faria a primeira pergunta (os israelenses ou o repórter árabe).


Mas a realidade é muito mais dura: a maioria dos israelenses não compreende o porquê de o governo brasileiro insistir no diálogo com o Irã em vez de defender mais sanções, já propostas pelos Estados Unidos.


Compromissos
Depois da recepção oficial, Lula participou de um seminário com empresários brasileiros e israelenses. Em seguida, iria para um encontro a portas fechadas com a líder da oposição israelense, Tzipi Livni.


Ainda nesta segunda-feira (15), Lula se reúne com o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, antes de participar de um jantar em sua homenagem na residência oficial de Peres, em Jerusalém.


Na terça-feira (16), o presidente visita o Museu do Holocausto (Yad Vashem) e a Universidade Hebraica, antes de se deslocar ao território palestino ocupado da Cisjordânia para manter uma reunião em Belém com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.


À tarde, Lula visita a Basílica da Natividade, local do nascimento de Jesus, segundo a tradição cristã. O presidente também participa do encerramento de um encontro empresarial antes de jantar com Abbas.


No dia seguinte, Lula vai a Ramala, onde, além de assinar acordos de cooperação com o presidente da ANP, vai visitar uma escola financiada pelo Brasil. Ele deverá depositar uma oferenda de flores no túmulo do líder palestino Yasser Arafat. 

* O jornalista José Alan Dias, editor do Jornal da Globo, viaja a Israel a convite do governo israelense

 

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Estadão.com.br

Brasil traz 'elemento novo' para processo de paz, dizem analistas no EUA

Alessandra Corrêa - BBC

 

Segundo especialistas, entretanto, visita de Lula tem pouca chance de obter avanços no processo.

 

A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Oriente Médio em um momento de crise de credibilidade no processo de paz na região pode representar um elemento novo e positivo, mas tem poucas chances de obter algum avanço, dizem analistas nos Estados Unidos consultados pela BBC Brasil.

"É positivo que o presidente brasileiro esteja fazendo essa viagem, mostra que o mundo não está completamente indiferente", afirma o especialista em Oriente Médio Thomas Lippman, do Council on Foreign Relations, em Washington.

"Mas nem o Brasil nem qualquer outro país do mundo está pronto para obter algum avanço no processo de paz no Oriente Médio", diz Lippman. "O processo de paz é um embuste, uma ficção."

Lula chegou à região neste domingo para encontros com autoridades de Israel e dos territórios palestinos, menos de uma semana depois da conturbada passagem do vice-presidente americano Joseph Biden.

Crise em Jerusalém

Durante a visita de Biden, na última terça-feira, o governo israelense anunciou a construção de 1,6 mil novas casas em assentamentos em Jerusalém Oriental.

O anúncio provocou constrangimento ao vice-presidente americano, que havia viajado justamente para tentar promover o início das negociações indiretas entre os dois lados, e gerou fortes críticas por parte dos Estados Unidos.

Em um telefonema ao primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que o anúncio abalou a relação entre Estados Unidos e Israel e a confiança no processo de paz.

O congelamento dos assentamentos judaicos em territórios palestinos é uma das principais exigências das autoridades palestinas para a retomada das negociações.

Confiança

Segundo o pesquisador Douglas Farah, do International Assessment and Strategy Center, a chegada de Lula logo após a visita de Biden pode ter um impacto positivo.

"O Brasil pode gerar um maior nível de confiança em todas as partes envolvidas no processo", diz.

"Os Estados Unidos não são vistos como um mediador imparcial por todos os lados. O Brasil, ao contrário, não tem uma relação tão próxima com Israel como a dos Estados Unidos", afirma Farah.

De acordo com o analista, o fato de Lula ter anunciado que vai dividir seu tempo igualmente entre Israel e os territórios palestinos, inclusive pernoitando em Belém, também deve contribuir para esse nível maior de confiança.

"Será visto como um gesto de solidariedade com os palestinos", diz Farah. "Mas também é importante ressaltar que o tempo de Lula à frente do governo está chegando ao fim, e isso pode ser interpretado mais como um gesto pessoal dele do que como uma postura do Brasil."

Protagonismo

A viagem de Lula é vista como mais um esforço do Brasil para ganhar maior protagonismo em grandes questões internacionais.

"Está relacionada à ambição global maior do Brasil. Mas o Brasil não tem muita experiência em lidar com questões multilaterais, será uma experiência nova", afirma Farah.

Segundo Lippman, "já era hora" de o Brasil começar a desempenhar um papel no mundo "proporcional a seu tamanho e sua importância".

No entanto, o analista reforça a opinião de que a visita não deverá trazer mudanças no processo de paz.

"Israel já deixou claro que não vai desistir da Cisjordânia, de Jerusalém Oriental, que não vai ceder", diz Lippman.

"É improvável que depois de uma conversa com Lula, Netanyahu decida mudar de ideia." BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

 

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Band

Líderes israelenses pedem que Lula apoie sanções ao Irã

 

O presidente Lula, durante visita ao Knesset, parlamento de Israel, foi cobrado pelo chefe parlamentar, pelo premiê e pela líder da oposição para que o Brasil se una contra o Irã, aprovando as sanções contra o programa nuclear.

Reuven Rivlin, presidente do parlamento, comentou que desenvolver relações com o Irã não contribui em nada para a paz mundial. Para Rivlin, se relacionar com o Irã é legitimar as pretensões assassinas do país. "Peço ao senhor que se junte a esses países que já aceitaram a importância dessas sanções".

O chefe do Knesset disse ainda que ser contra as sanções publicamente pode ser interpetrado como fraqueza perante líderes como esse [Mahmoud Ahmadinjed, presidente iraniano] que não tem freios.

O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, pediu que o Brasil se coloque contra o armamentismo iraniano, apoiando a frente internacional. Para Netanyahu, "os líderes do Irã usam de violência e crueldade, eles adoram a morte".

O premiê afirmou que os iranianos negam o Holocausto e querem que Israel seja retirado do mapa.

Tzipi Livni, líder da oposição, afirmou que é importante deixar o Irã isolado e apoiar à ideia do presidente de Israel, Shimon Peres, de remover o Irã da ONU. A aproximação com a América Latina, segundo Livni, diminuiria esse isolamento.

Discurso do Presidente
Lula não fez nenhuma menção ao Irã durante seu discurso. Ele afirmou que quer discutir as questões profundas de maneira respeitosa, porém com sinceridade. “A política externa do meu país tem uma vocação universalista”, disse.

Segundo informações da TV Globo, Lula declarou que a diplomacia brasileira está comprometida com valores e respeita a autodeterminação dos povos. “Buscamos incessamente a paz e, por essa razão, propugnamos a solução negociada dos conflitos”.

Durante sua fala de 17 minutos, o presidente brasileiro defendeu a criação de um estado palestino e ampliação do Conselho de Segurança da ONU, permitindo um papel mais ativo e renovado das Nações Unidas.

"Defendemos a existência um estado de Israel soberano seguro e pacífico. Ele deverá conviver com um estado palestino igualmente soberano, seguro e pacífico", declarou Lula.

O presidente brasileiro referiu-se ainda à iniciativas de negociação que buscam superar caminhos diplomáticos ultrapassados. "Para resolver situações, é necessário construir alternativas racionais e duradouras da paz. Mas não é suficiente colocar apenas a cabeça pra funcionar, é preciso que o coração esteja presente".

De acordo com o jornal israelense "Haaretz", Lula chamou o Oriente Médio para viver livre de armas nucleares.

"O Brasil tem orgulho da inexistência de armas nucleares na América Latina e queremos que isso sirva de exemplo para outras regiões no mundo", afirmou o presidente.

Saia Justa
O chanceler israelense, Avigdor Lieberman, boicotou o discurso do presidente Lula para protestar a recusa do líder brasileiro em visitar o túmulo de Theodor Herzl, fundador do movimento sionista, que completa este ano aniversário de 150 anos.

Lieberman também não compareceu no encontro entre Lula e Netanyahu. Lula, no entanto, está programado para visitar o túmulo do falecido líder palestino Yasser Arafat, durante sua visita a Ramallah.

O chanceler afirmou que queria mostrar ao líder brasileiro que Israel leva a sério o descumprimento de protocolos diplomáticos.

 

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O Globo Online

Em Israel, Lula diz que América Latina pode ser exemplo para Oriente Médio

 

Depois de citar os esforços brasileiros pela paz em países vizinhos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a sugerir, nesta segunda-feira, em discurso ao Parlamento israelense, que o Brasil tenha maior participação nas negociações no Oriente Médio, afirmando que a "única recompensa que esperamos é a felicidade de israelenses e palestinos". Lula afirmou que América Latina e Caribe são uma região pacífica que poderia servir de exemplo.

- Gostaríamos que o exemplo de nosso continente pudesse ser seguido em outras partes - disse ele, antes de afirmar que o Brasil entendeu que para ter estabilidade "não podemos estar cercados por desigualdade e pobreza".

O presidente voltou a defender a criação de um Estado palestino "soberano, seguro e pacífico", lembrando que o Brasil também apoiou, na Organização das Nações Unidas (ONU), a fundação do Estado judeu. Ele também propôs que as Nações Unidas, "renovadas e com legitimidade", tenham papel mais ativo nas negociações na região, e afirmou que "não podemos continuar desperdiçando esforços multilaterais".

- A estabilidade da região será a garantia de que o conflito não se espraiará. Está em jogo não só o futuro da região, mas a estabilidade de todo o mundo.

Muito aplaudido, Lula concluiu seu discurso afirmando que a "História recompensará" os que seguirem o caminho do diálogo, e citou Albert Einseten, dizendo que "a paz não pode ser mantida pela força, somente pode ser alcançada pelo entendimento". Em seu primeiro dia de compromissos oficiais em Israel, Lula já havia sido recebido pelo presidente Shimon Peres, além de ter participado de encontro com empresários.

 

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DCI – Diário Comércio Indústria

Presidente Lula visita oficialmente Israel pela primeira vez


O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, já esta em Israel para visita oficial e ficará no país até a manhã desta terça-feira (16). Além do encontro ocorrido com o Presidente de Israel, Shimon Peres, estão previstos em agenda encontros com o Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, com a líder da oposição e ex-Chanceler israelense, Tzipi Livni, com o escritor Amos Oz, com o Diretor da Universidade Hebraica de Jerusalém, além de outras autoridades. 

Ainda durante a visita, o Presidente Lula abrirá um Seminário Econômico, além de uma visita ao Museu do Holocausto e, em homenagem aos 150 anos de seu nascimento, uma visita ao túmulo de Teodoro Herzel, fundador do movimento sionista.

Nos últimos anos, as relações políticas entre os dois países se fortificaram com uma série de visitas ministeriais e comerciais de ambos os lados, como a visita a Israel do Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, do Ministro da Educação, Fernando Haddad, do Ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, da ex-Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e do ex-Ministro de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger. Já o Brasil foi visitado por Ehud Olmert, na época Ministro da Indústria, e pelos Ministros de Segurança Pública, Educação e Agricultura de Israel, entre outras importantes missões. 

Outro marco nas relações entre Israel e Brasil, foi a aprovação do Acordo de Livre Comércio entre Israel e o Mercosul, assinado em 2007, e que entrará em vigor ainda em 2010, constituindo Israel como o primeiro parceiro extra-regional a firmar este tipo de acordo com o bloco. Trata-se de um convênio de abertura de mercados que cobre, também, comércio de bens, regras de origem, salvaguardas, cooperação em normas técnicas, sanitárias e fitossanitárias, cooperação tecnológica e técnica e cooperação aduaneira. Em 2008 o comércio bilateral ultrapassou 1,5 bilhões de dólares.  

Além das relações comerciais, outros tipos de cooperação em vários temas são mantidos entre Brasil e Israel. Um dos programas oferecidos, pela Embaixada de Israel no Brasil, é o Mashav, que fornece bolsas de estudos para cursos em diversas áreas em Israel. Em 2008, 48 brasileiros participaram de cursos em Israel através do programa. Em 2009 foram 35 participantes e nos dois primeiros meses de 2010, Israel já recebeu 12 participantes brasileiros. Além disso, existe uma cooperação e boas relações científicas entre Universidades do Brasil e de Israel. 

Israel recebeu no último ano mais de 30 mil turistas e trabalha com a meta de atingir o número de 50 mil brasileiros visitando o país por ano. Uma das estratégias foi facilitar o trajeto de Brasil para Israel e vice-versa. Em maio de 2009 a empresa de aviação israelense "El-Al" começou a operar no Brasil com vôos diretos três vezes por semana. A meta é em breve operar vôos diários entre os dois países.

 

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O Globo

No parlamento de Israel, Lula é pressionado sobre o Irã, e sugere que América Latina pode ser exemplo de paz para o Oriente Médio

Eliane Oliveira - enviada especial

 

Em visita ao Parlamento israelense , o presidente Luiz Inácio da Silva foi cobrado pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e por congressistas do governo e da oposição, por causa de sua atitude em relação ao Irã. Todos os discursos proferidos defenderam a mudança de posição do Brasil, atualmente contrário à aplicação de sanções aos iranianos, devido à sua política nuclear.

- Peço ao senhor que apoie a junta internacional contra o armamentismo do Irã. Vocês são a favor da liberdade. Eles (os iranianos) adoram a morte, e vocês adoram a vida. O Irã representa, hoje em dia, o eixo central contra a estabilidade e a paz no Oriente Médio - afirmou Netanyahu.

O presidente do Parlamento, Reuben Rivlin, da base governista, alertou para o risco do que chamou de "fundamentalismo radical e regime de aiatolás" não apenas para a região, mas também para todo o mundo.

- Desenvolver relações com Teerã não contribui para a paz mundial. Ser publicamente contra as sanções pode ser visto como sinal de fraqueza - disse Rivlin.

A líder da oposição Tzipi Livni sugeriu que, entre as sanções a serem aplicadas contra o Irã, uma delas consista na expulsão do país das Nações Unidas. Ela lembrou que o presidente iranino, Mahmoud Ahmadinejad, chegou a afirmar que Israel deve sumir do mapa.

- É imporrtante isolar o Irã - disse a parlamentar.

O presidente Lula não respondeu diretamente às pressões e evitou, no discurso que leu, citar a palavra Irã. Lula destacou ter "orgulho de proclamar" que a América Latina e o Caribe é zona desnuclearizada, livre de armas de destruição massiva.

- Em meu país, há uma proibição constitucional de produção e utilização de armamento nuclear. Gostaríamos que o exemplo de nosso continente pudesse ser seguido em outras partes do mundo - afirmou Lula que, apesar das críticas, foi aplaudido de pé após seu discurso.

Depois de citar os esforços brasileiros pela paz em países vizinhos, Lula voltou a sugerir que o Brasil tenha maior participação nas negociações no Oriente Médio, afirmando que a "única recompensa que esperamos é a felicidade de israelenses e palestinos".

- Está em jogo não só o futuro da região, mas a estabilidade de todo o mundo.

 

Presidente de Israel diz que contribuição brasileira é bem-vinda

 

Em seu primeiro dia de compromissos oficiais em Israel, Lula já havia sido recebido pelo presidente Shimon Peres, além de ter participado de encontro com empresários. Na residência oficial do presidente, Lula reforçou a proposta brasileira de que é preciso que mais países trabalhem como facilitadores para um acordo entre israelenses e palestinos.

Com isso, indiretamente, ele deixou claro que o governo brasileiro gostaria de ser chamado para ajudar a mediar um entendimento, juntamente com os Estados Unidos, a ONU, a Rússia e a União Europeia, que formam o chamado Quarteto. O presidente israelense respondeu dizendo que a contribuição de Lula "será bem recebida".

- É importante que se chame mais gente, que se envolva mais gente e que se converse mais - afirmou Lula, defendendo em seguida as credenciais brasileiras. - A História do meu país é de paz. Não acredito que exista no planeta um povo que ame e exerça tanto a paz como o Brasil. É nossa formação, nossa raça e nosso jeito de ser - acrescentou.

Mais tarde, em evento com empresários, o presidente afirmou que tem o "vírus da paz" e que não se lembra do dia em que brigou com alguém, apesar de fazer parte de um "partido complicado". Ainda com Peres, Lula disse que não há qualquer justificativa para a guerra. Ele está disposto a atuar em duas frentes, dizendo que o Irã é um ator importante na região e pode ajudar no processo de paz, e defendendo, diante dos palestinos, o fim da divisão entre o Hamas e o Fatah, para que se evite o fracasso das negociações.

O presidente israelense, que chamou Lula de "César", numa alusão aos antigos imperadores romanos, afirmou que a ajuda de seu colega brasileiro a encontrar uma solução para a paz no Oriente Médio será bem-vinda. Segundo Shimon Peres, o processo de paz com os palestinos está sendo negociado "e não vamos deixar que ele acabe por causa de uma crise", numa referência aos Estados Unidos, que ficaram irritados por causa do plano de construir mais 1.600 casas em assentamentos, anunciado durante visita do vice-presidente americano, Joe Biden.

(embaixador diz que israel e eua vivem o pior momento da relação em 35 anos)

- Sei que o senhor quer contribuir para a paz no Oriente Médio. Sua contribuição será bem recebida. Não temos opção além de completar o processo de paz - disse Peres, que recebeu o presidente Lula em sua residência com pompa e diversos elogios. - O senhor é um César, um presidente que leva esperança e paz. O seu povo o escolheu e o ama. O mundo vê no senhor a esperança. O senhor traz a mensagem do futuro de todos nós.

 

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O Globo Online

Brasil e Israel buscam ampliar comércio após acordo com Mercosul

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Por Steven Scheer

 

 

O governo brasileiro espera que um novo acordo de livre comércio com Israel aumente o comércio bilateral para mais de 3 bilhões de dólares dentro de cinco anos, disseram autoridades nesta segunda-feira.

O comércio entre Brasil e Israel caiu abaixo de 1 bilhão de dólares em 2009 em relação ao auge de 1,6 bilhão de dólares em 2008 -dos quais 1,2 bilhão de dólares foram exportações israelenses- devido à crise econômica global.

Mas, agora, um novo acordo de livre comércio entre Israel e o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) entrará em vigor no início de abril. Israel é o primeiro país fora da América Latina a assinar um acordo como esse com o Mercosul.

O Brasil deu sua aprovação final ao pacto comercial no dia 4 de março, uma semana depois do Paraguai.

"Nós vamos triplicar o comércio entre Israel e Brasil até 2015", disse o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, em uma conferência em Jerusalém com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente de Israel, Shimon Peres, e um grupo de líderes empresariais brasileiros e israelenses.

O Brasil é o maior parceiro comercial de Israel na América Latina, com uma série de grandes companhias israelenses já exportando ao Brasil.

A fabricante de materiais de defesa israelense Elbit Systems é fornecedora da Embraer, a terceira maior fabricante de aeronaves do mundo, enquanto a fabricante de fertilizantes Israel Chemicals e a companhia de genéricos agroquímicos MA Industries têm exportações significantes para o Brasil.

Lula disse que Israel é "um parceiro ideal" para ajudar a desenvolver as indústrias farmacêutica, de semicondutores e de nanotecnologia do Brasil.

"Nós esperamos avançar os laços econômicos e empresariais entre Israel e o Brasil, já que o comércio aumentou significantemente entre nossos dois países nos últimos anos", disse ele.

O principal objetivo de Lula nesta visita é promover a paz no Oriente Médio e a diplomacia sobre o programa nuclear do Irã. No entanto, ele aproveitou para pedir às empresas de Israel que investissem no Brasil, citando o país como um dos que cresce mais rapidamente no mundo após a recessão, com expansão de 5 por cento projetada para 2010.

O presidente também disse que quer atrair engenheiros israelenses ao Brasil, visto que Israel possui 4 mil profissionais da área. Ele afirmou que o governo brasileiro está procurando reforçar os laços econômicos com Israel antes da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016.

Lula disse ainda que lançará em breve um novo programa de investimento, e espera que Israel tenha um papel ativo.

"Apesar de Israel e o Brasil estarem distantes um do outro geograficamente, nós podemos ficar mais próximos através da cooperação econômica e científica", disse Peres.

"O Brasil tem uma economia forte e estável e nós estamos dispostos e felizes em cooperar com vocês em todos os setores, incluindo ciência, defesa, alta tecnologia, agricultura e tecnologia espacial avançada", disse ele a Lula.

Sobre o Irã, Peres disse a Lula que "sanções econômicas duras" são necessárias para interromper o programa nuclear do Irã. Lula rejeitou os pedidos de Israel e dos Estados Unidos por sanções.

 

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G1

Temos urgência em ver israelenses e palestinos vivendo em harmonia, diz Lula

 

Presidente discursou em jantar com presidente israelense Shimon Peres.

Lula voltou a defender estado palestino "independente, soberano e coeso'.

 

Em visita a Israel, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender, nesta segunda-feira (15), a existência de um Estado palestino "independente, soberano, coeso e economicamente viável". 

 

"Só assim poderá conviver em paz e segurança com Israel. Temos urgência em ver israelenses e palestinos vivendo em harmonia. Recusamos o mito de que estão fadados ao conflito, de que seus filhos estão condenados para sempre à irracionalidade da guerra", disse Lula, durante um jantar com o presidente de Israel, Shimon Peres, em Jerusalém.

 

Mais cedo, em discurso no Knesset, o parlamento israelense, Lula defendeu um Estado palestino e afirmou que é preciso agir também com compaixão nas negociações. "Para resolver situações, é necessário construir alternativas racionais e duradouras da paz. Mas não é suficiente colocar apenas a cabeça pra funcionar, é preciso que o coração esteja presente, é fundamental um sentimento de compaixão", afirmou.

No jantar, Lula disse ainda que "o Brasil e a comunidade internacional não podem se conformar em viver sob a ameaça constante da instabilidade em região tão importante para o mundo" e afirmou que levará a mesma mensagem ao povo palestino.

 

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Zero Hora

Israel é aceito como parceiro comercial do Mercosul

 

É o primeiro país fora da América do Sul a ter um acordo de livre comércio com o bloco econômico

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou hoje, em visita a Israel, que foi aprovado o acordo de livre comércio entre o país e o Mercosul. Israel é o primeiro país fora da América do Sul a ter um acordo de livre comércio com o bloco econômico.

O Brasil é o maior parceiro comercial de Israel na América Latina. O intercâmbio comercial do Brasil com Israel saltou de US$ 440 milhões, em 2002, para US$ 1,6 bilhão, em 2008.

O acordo de livre comércio entre Mercosul e Israel passa a valer a partir de 4 de abril. A expectativa, segundo empresários, é que o comércio triplique nos próximos 5 anos. Dos 200 empresários que participaram de um seminário no qual Lula discursou, 80 eram brasileiros.

O seminário reuniu representantes de vários setores, do agronegócio à defesa espacial, incluindo mineração, indústria têxtil, tecnologia, aviação e medicamentos. O acordo foi comemorado pelo governo israelense. O presidente de Israel, Shimon Peres, agradeceu o empenho brasileiro em favor da parceria.

— Apesar de Israel e Brasil serem distantes um do outro geograficamente, podemos crescer por intermédio de uma estreita cooperação econômica e científica. O Brasil tem uma economia forte e estável e estamos dispostos e felizes em cooperar com este país em todos os setores, incluindo a ciência, defesa, agricultura de alta tecnologia e tecnologias espaciais avançadas — disse Peres.

O presidente Lula lembrou que o comércio entre Brasil e Israel aumentou "significativamente nos últimos anos" e convidou os empresários israelenses a investir em território brasileiro em decorrência do Plano de Aceleração do Crescimento 2 (PAC), que define uma série de ações a partir de 2011.

— Esperamos avançar economicamente. Os laços comerciais entre Israel e Brasil aumentaram significativamente nos últimos anos e podemos continuar com o ritmo atual. Israel é conhecido por seu forte potencial nas áreas de tecnologia e ciência. Nós encorajamos a cooperação intensiva com Israel — disse Lula.

Em comunicado da Embaixada de Israel no Brasil, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, analisa a parceria:

"A visita do presidente Peres ao Brasil (em novembro de 2009) deu um grande impulso às relações econômicas entre os dois países. Um grupo de trabalho foi estabelecido entre Israel e Brasil para avançar e implementar o acordo com o Mercosul. Ambos os países declararam as suas intenções em triplicar o seu volume de comércio".

 

 

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Presidente Lula em Israel –16/03/2010

 

 

 

G1

Lula deixa flores no Museu do Holocausto

 

Em Israel, presidente visitou o memorial das vítimas da Segunda Guerra.
Programação desta terça-feira (16) inclui visita à Palestina.

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira (16), ao visitar o Museu do Holocausto israelense, que "a humanidade deveria repetir todos os dias, tantas vezes quanto forem necessárias: 'Nunca mais, nunca mais, nunca mais'".

No segundo dia de sua visita oficial a Israel, o governante brasileiro foi ao ponto turístico usando um quipá. Lula e a mulher, Dona Marisa Letícia, percorreram as instalações acompanhados do presidente de Israel, Shimon Peres, e de um rabino.

No Salão da Memória, cujo chão traz os nomes dos 22 campos de extermínio nazista, Lula acendeu uma chama em memória dos seis milhões de judeus mortos durante o nazismo e depositou uma coroa de flores com as cores da bandeira do Brasil.

 

Durante o ato, um pequeno coro feminino entoou uma canção. Depois, um cantor litúrgico vestido com o tradicional manto judeu fez uma oração fúnebre enquanto Lula e o resto das pessoas presentes faziam um momento de silêncio.

Em seguida, o presidente brasileiro conheceu o Memorial das Crianças, onde assinou o livro de convidados junto com a mulher e recebeu um outro do museu.

"Acho que a visita ao Museu do Holocausto deveria ser quase obrigatória para todos os seres humanos que queiram dirigir uma nação", disse Lula, que assegurou que a experiência faz com que qualquer um saia dali "com a certeza do que pode acontecer quando a irracionalidade se apodera do ser humano".

A visita ao museu Vashem é "necessária para reafirmar que todos os que lutamos pela democracia e os direitos humanos não podem, de modo algum, permitir que volte a ocorrer algo como o Holocausto".

"A humanidade não pode permitir isso e deveria repetir todos os dias, tantas vezes quanto forem necessárias: 'Nunca mais, nunca mais, nunca mais'", acrescentou.

 

Ainda nesta terça-feira, também em Jerusalém, Lula visitará a Universidade Hebraica. Só depois ele irá para a cidade cisjordaniana de Ramala, onde, à tarde, se encontrará com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.

O chefe de Estado brasileiro pernoitará em Belém, um gesto incomum entre dignatários estrangeiros. Nessa cidade, ele conhecerá a Basílica da Natividade, construída sobre o lugar onde, segundo a tradição cristã, nasceu Jesus Cristo.

Lula também vai depositar uma coroa de flores no túmulo do histórico líder palestino Yasser Arafat, que morreu em 2004. 

 

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Zero Hora

Lula visita Museu do Holocausto em Israel

 

Presidente deve se encontrar hoje com Mahmoud Abbas

 

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje, ao visitar o Museu do Holocausto israelense, que "a humanidade deveria repetir todos os dias, tantas vezes quanto forem necessárias: 'Nunca mais, nunca mais, nunca mais'".

No segundo dia de sua visita oficial a Israel, o governante brasileiro foi ao ponto turístico usando um quipá. Lula e a mulher, Marisa Letícia, percorreram as instalações acompanhados do presidente de Israel, Shimon Peres, e de um rabino.

No Salão da Memória, cujo chão traz os nomes dos 22 campos de extermínio nazista, Lula acendeu uma chama em memória dos 6 milhões de judeus mortos durante o nazismo e depositou uma coroa de flores com as cores da bandeira do Brasil.

Durante o ato, um pequeno coro feminino entoou uma canção. Depois, um cantor litúrgico vestido com o tradicional manto judeu fez uma oração fúnebre enquanto Lula e o resto das pessoas presentes faziam um momento de silêncio.

Em seguida, o presidente conheceu o Memorial das Crianças, onde assinou o livro de convidados junto com a mulher e recebeu um outro do museu. 

— Acho que a visita ao Museu do Holocausto deveria ser quase obrigatória para todos os seres humanos que queiram dirigir uma nação — disse Lula, que assegurou que a experiência faz com que qualquer um saia dali "com a certeza do que pode acontecer quando a irracionalidade se apodera do ser humano".

A visita ao museu Vashem é "necessária para reafirmar que todos os que lutamos pela democracia e os direitos humanos não podem, de modo algum, permitir que volte a ocorrer algo como o Holocausto".

Ainda hoje, também em Jerusalém, Lula visitará a Universidade Hebraica. Só depois ele irá para a cidade cisjordaniana de Ramala, onde, à tarde, se encontrará com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.

O chefe de Estado brasileiro pernoitará em Belém, um gesto incomum entre dignatários estrangeiros. Nessa cidade, ele conhecerá a Basílica da Natividade, construída sobre o lugar onde, segundo a tradição cristã, nasceu Jesus Cristo.

Lula também vai depositar uma coroa de flores no túmulo do histórico líder palestino Yasser Arafat, que morreu em 2004.

EFE

 

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G1

Lula visita o Museu do Holocausto

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje, ao visitar o Museu do Holocausto israelense, que "a humanidade deveria repetir todos os dias, tantas vezes quanto forem necessárias: 'Nunca mais, nunca mais, nunca mais'".

 

No segundo dia de sua visita oficial a Israel, o governante brasileiro foi ao ponto turístico usando um quipá.

 

Lula e a mulher, Dona Marisa Letícia, percorreram as instalações acompanhados do presidente de Israel, Shimon Peres, e de um rabino.

 

No Salão da Memória, cujo chão traz os nomes dos 22 campos de extermínio nazista, Lula acendeu uma chama em memória dos seis milhões de judeus mortos durante o nazismo e depositou uma coroa de flores com as cores da bandeira do Brasil.

 

Durante o ato, um pequeno coro feminino entoou uma canção. Depois, um cantor litúrgico vestido com o tradicional manto judeu fez uma oração fúnebre enquanto Lula e o resto das pessoas presentes faziam um momento de silêncio.

 

Em seguida, o presidente brasileiro conheceu o Memorial das Crianças, onde assinou o livro de convidados junto com a mulher e recebeu um outro do museu.

 

"Acho que a visita ao Museu do Holocausto deveria ser quase obrigatória para todos os seres humanos que queiram dirigir uma nação", disse Lula, que assegurou que a experiência faz com que qualquer um saia dali "com a certeza do que pode acontecer quando a irracionalidade se apodera do ser humano".

 

A visita ao museu Vashem é "necessária para reafirmar que todos os que lutamos pela democracia e os direitos humanos não podem, de modo algum, permitir que volte a ocorrer algo como o Holocausto".

 

"A humanidade não pode permitir isso e deveria repetir todos os dias, tantas vezes quanto forem necessárias: 'Nunca mais, nunca mais, nunca mais'", acrescentou.

 

Ainda hoje, também em Jerusalém, Lula visitará a Universidade Hebraica. Só depois ele irá para a cidade cisjordaniana de Ramala, onde, à tarde, se encontrará com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.

 

O chefe de Estado brasileiro pernoitará em Belém, um gesto incomum entre dignatários estrangeiros. Nessa cidade, ele conhecerá a Basílica da Natividade, construída sobre o lugar onde, segundo a tradição cristã, nasceu Jesus Cristo.

 

Lula também vai depositar uma coroa de flores no túmulo do histórico líder palestino Yasser Arafat, que morreu em 2004. EFE

 

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Estadão.com.br

Lula visita Museu do Holocausto em seu último dia de visita a Israel

 

Massacre de judeus na Segunda Guerra Mundial foi irracional, disse mandatário brasileiro

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou nesta terça-feira, 16, o Museu do Holocausto (Yad Vashem) e o Bosque de Jerusalém, onde plantou uma oliveira que recebeu o seu nome. O presidente está em seu último dia de visita a Israel, onde chegou no domingo para se encontrar com as autoridades israelenses e tentar colocar o Brasil como um mediador no conflito do Estado judeu com os palestinos.

Lula também recebeu representantes de três organizações não-governamentais israelenses e palestinas. Ao final de seu percurso de quase uma hora no museu, o brasileiro participou da cerimônia da "Chama Eterna", na Tenda da Memória, em cujo piso estão registrados os nomes dos seis campos de concentração nazistas e das fossas onde judeus foram fuzilados e enterrados. Ele percorreu o complexo ao lado do presidente de Israel, Shimon Peres, com quem se encontrou na segunda-feira.

No local, Lula depositou uma coroa de flores sobre uma lápide, onde estão depositadas as cinzas de judeus mortos no campo de Majdanek, na Polônia. Logo depois de assinar um livro de presença, declarou que "todos os que lutam pela democracia e pelos direitos humanos não podem permitir" que o holocausto se repita.

Lula foi enfático ao condenar o Holocausto, que chamou de irracionalidade. "A humanidade deve repetir quantas vezes for necessário: nunca mais, nunca mais, nunca mais. Eu acredito que visitar o Museu do Holocausto deveria ser quase uma obrigação a todo ser humano que quer dirigir uma Nação", afirmou Lula.

No Bosque de Jerusalém, onde estão plantadas 240 mil árvores, Lula registrou que a Amazônia Legal tem algumas dezenas do território equivalente a Israel, mas esse país aproveita cada espaço disponível para o plantio.

 

Viagem

Ainda nesta terça-feira, Lula segue para Belém, na Cisjordânia, onde se reunirá com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas. Depois, visitará Ramallah, onde depositará uma coroa de flores no túmulo do líder palestino Yasser Arafat, que morreu em 2004.

 

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Correio Braziliense

Confira íntegra do discurso de Lula no Knesset, o parlamento israelense


"Embaixador Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores do Brasil, e cumprimentando o Celso, eu cumprimento todos os ministros que me acompanham, Governador Jaques Wagner, governador do estado da Bahia, empresários brasileiros que fazem parte da comunidade judaica que vieram a esta viagem, representantes da comunidade judaica brasileira, presentes aqui no Parlamento, senhores e senhoras parlamentares, senhores embaixadores, meus amigos e minhas amigas.

É uma grande honra ser o primeiro chefe de Estado brasileiro que visita oficialmente Israel e ter o privilégio de dirigir-me à sua Casa do Povo.
Volto a este país, que visitei em 1993, na condição de presidente do meu partido, o Partido dos Trabalhadores. Daquela visita levei uma inesquecível recordação.

Falo agora como presidente da República Federativa do Brasil, mas também na condição de ex-parlamentar que nos anos 80 participou, em nosso Congresso, da refundação constitucional de meu país, depois de vinte anos de ditadura.

Falo na condição de dirigente de um país que acompanhou o nascimento de Israel. Como esquecer que a sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas que aprovou a criação do Estado, em 1948, foi presidida por um brasileiro, Osvaldo Aranha.

Falo, finalmente, na condição de um amigo de Israel. Venho de um país que recebeu dezenas de milhares de imigrantes judeus, perseguidos em suas terras de origem pela intolerância étnica, cultural e religiosa. Muitos deles puderam chegar ao Brasil graças a dois funcionários humanistas que honram a diplomacia brasileira: dona Aracy, do Consulado de Hamburgo, e o embaixador Souza Dantas, de nossa legação em Paris.

A contribuição que esses imigrantes e seus descendentes deram e continuam dando ao Brasil é extraordinária. Ela está em nossa literatura, com Clarice Lispector e Moacir Scliar; em nossas artes visuais, com Lasar Segall e Carlos Scliar; em nosso cinema, com Leon Hirszman. Ela é ainda mais visível no mundo da ciência e da cultura, na atividade empresarial e na atividade política.
Senhoras e senhores parlamentares,

Uma visita como esta serve para aprofundar relações bilaterais. Relações que têm experimentado um avanço considerável nestes últimos anos e que, espero, possam ganhar mais intensidade a partir de agora.

Penso nos números de nosso comércio exterior, em extraordinário progresso. Se bem que Israel e Brasil poderiam ter uma balança comercial infinitamente maior, na hora em que os dois países começarem a utilizar todo o seu potencial. Penso em nossa cooperação cultural, científica e tecnológica. Penso, finalmente no acordo Mercosul-Israel, o primeiro estabelecido com um país fora da América Latina, a despeito das resistências que alguns ofereceram.

Mas esta é, igualmente, a oportunidade de debater questões mais gerais e profundas. Queremos discuti-las respeitosamente, mas com franqueza. Com aquela franqueza que deve marcar o relacionamento entre amigos.
A política externa de meu país tem uma vocação universalista. Está comprometida com valores. Respeitamos a autodeterminação dos povos.

Defendemos os Direitos Humanos. Queremos um mundo mais justo econômica, social e politicamente. Buscamos incessantemente a paz e, por essa razão, propugnamos a solução negociada dos conflitos.

O Oriente Médio vive, há décadas, dolorosos enfrentamentos que têm custado milhares de vítimas. Por detrás das terríveis estatísticas de mortos, feridos e banidos estão dramas humanos, diante dos quais ninguém pode ficar insensível.

Para resolver situações dilacerantes é necessário construir alternativas racionais e duradouras de paz. Mas não é suficiente pôr apenas a cabeça a funcionar. É preciso, igualmente, que o coração esteja presente. É fundamental um sentimento de compaixão para superar antagonismos que aparecem como insuperáveis.

Em minha trajetória pessoal – como sindicalista e dirigente político – vivi situações de alta conflitividade. Não fugi aos conflitos, mas busquei resolvê-los pelo diálogo, ainda quando ele parecia exercício ingênuo, tarefa impossível. Na oposição, busquei o diálogo. Cheguei à Presidência pelo diálogo, governei dialogando. Apostei na democracia, mesmo quando ela aparecia como um horizonte inatingível. Com esses sentimentos, temos reiterado as posições históricas de nossa diplomacia.

Defendemos a existência de um Estado de Israel, soberano, seguro e pacífico. Ele deverá conviver com um Estado Palestino, igualmente soberano, pacífico, seguro e viável, sobretudo pelo traçado de seu território.

Com esses propósitos, chegamos à reunião de Annapolis, lamentando que o movimento que aí se iniciou tenha ficado pelo caminho. Não podemos continuar desperdiçando esforços multilaterais, sobretudo quando apresentam um extraordinário potencial.

Naquela ocasião, reiteramos nossa posição sobre a coexistência necessária de um Estado Palestino com um Estado de Israel, e expressamos nosso repúdio ao terrorismo, praticado sob qualquer pretexto e por quem quer que fosse.

Essa postura se faz mais necessária agora, quando assistimos a uma paralisação das negociações e iniciativas unilaterais que as dificultam, como o anúncio da construção de residências em Jerusalém às vésperas do reinício de uma rodada de negociações.

O impasse agrava a deterioração das condições de vida nos territórios palestinos ocupados, mas também alimenta fundamentalismos de todos os lados e coloca no horizonte conflitos mais sangrentos ainda.

Temos urgência de ver israelenses e palestinos vivendo em harmonia. A estabilidade dessa região atenuará o sofrimento daqueles que perderam seus entes queridos em décadas de enfrentamento. Com alguns deles – familiares de vítimas dos dois lados – devo encontrar-me para escutar seus sentimentos e suas aspirações.

Mas essa estabilidade desejada será, sobretudo, a garantia de que um conflito regional não se espraiará pelo resto do Planeta, ameaçando a paz mundial. O que está em jogo aqui, portanto, não é somente o futuro da paz nesta região, mas a estabilidade de todo o mundo.

Venho de um continente que possui grandes riquezas naturais, mas também marcado por desigualdades regionais e sociais. A consciência dessa situação inaceitável fez com que muitos governos latino-americanos iniciassem, nos últimos anos, um exitoso processo de mudança econômica e social que tem fortalecido a democracia política e a paz.

Temos orgulho de proclamar que a América Latina e o Caribe é uma zona livre de armas de destruição massiva. Em meu país há uma proibição constitucional de produção e utilização de armamento nuclear. Gostaríamos que o exemplo de nosso continente pudesse ser seguido em outras partes do mundo.

No Brasil, compreendemos que não será possível sermos uma nação próspera e justa se estivermos cercados, em nosso entorno, de pobreza e de desigualdades que aumentem ressentimentos.

Senhoras e senhores parlamentares,

Em meu país, dez milhões de árabes e de seus descendentes convivem de forma harmoniosa com milhares de judeus.
Gostaríamos que essa situação fosse como uma metáfora na busca de um entendimento profundo e duradouro nesta região do mundo, distante geograficamente de nós, mas próxima de nossos corações e nossas mentes.

Árabes e judeus são povos magníficos, com esplêndidas tradições culturais. Povos que construíram suas identidades no curso de uma história, muitas vezes cheia de sofrimento. Desse sofrimento, de que é testemunho o Museu do Holocausto, que visitei em 1993, e o Yadvaskem, que visitarei amanhã. Desse sofrimento que evoquei recentemente na mais antiga Sinagoga da América Latina, no Recife, quando lá me recolhi para evocar e condenar a barbárie da Segunda Guerra Mundial, que marcou toda a Humanidade e o povo judaico em particular.

Nunca mais! Nunca mais, temos que repetir sempre! Mas para que esse chamamento não seja um grito desesperado e inútil, é necessário que enfrentemos os impasses que se perpetuam nesta região com coragem e determinação, mas também com desprendimento.

Nos grandes gestos, de homens e mulheres, sempre estão presentes grandes sacrifícios e grandes concessões. Eles exigem renovação de intenções, alargamento de ambições e ampliação de interlocutores.

Pensemos nas palavras de Albert Einstein, quando nos disse: “Não se pode fazer a mesma coisa, dia após dia, e esperar resultados diferentes”. O Brasil quer, modestamente, ajudar a obter esses “resultados diferentes”. Foi o que fizemos em nosso continente, junto com outros países amigos da América Latina e do Caribe, ao participar de esforços coletivos para solucionar conflitos e debelar ameaças à paz.

A única recompensa que esperamos ter aqui é a felicidade de israelenses e de palestinos.

O impasse que vive o Oriente Médio mostra as enormes dificuldades que enfrenta hoje a governança global, em particular as Nações Unidas.
Em 1948, como lembrei, o surgimento do Estado de Israel teve o patrocínio das Nações Unidas. Não será o caso de que as Nações Unidas, renovadas e com maior legitimidade, assumam agora um papel mais ativo na busca da paz?

Amigas e amigos,

Ao dirigir-me aos parlamentares israelenses sei que não estou falando apenas à mais alta instituição do Estado de Israel. Sei que, por vosso intermédio, falo a mães e pais, esposas e filhos dos que partiram em meio a conflitos que poderiam ter sido evitados.

É chegada a hora de abrir um círculo virtuoso de negociações nesta região do mundo, superando desconfianças e desentendimentos, em nome de valores mais elevados. A história recompensará os que seguirem este caminho.

Concluo, uma vez mais mencionando esta figura luminar do século XX, Albert Einstein, quando proclamou: “A paz não pode ser mantida pela força. Somente pode ser alcançada pelo entendimento”.

Shalon e muito obrigado."

 

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A Tarde

Lula: Não podemos permitir que holocausto se repita

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou na manhã de hoje o Museu do Holocausto (Yad Vashem) e o Bosque de Jerusalém, onde plantou uma oliveira que recebeu o seu nome. Logo depois de assinar um livro de presença do museu, declarou que "todos os que lutamos pela democracia e pelos direitos humanos não podemos permitir" que o holocausto se repita. "A humanidade deve repetir quantas vezes for necessário: nunca mais, nunca mais, nunca mais", afirmou.

Ao final de seu percurso de quase uma hora no museu, Lula participou da cerimônia da "Chama Eterna", na Tenda da Memória, em cujo piso estão registrados os nomes dos seis campos de concentração nazistas e das fossas onde judeus foram fuzilados e enterrados. Ele percorreu o complexo ao lado do presidente de Israel, Shimon Peres. No local, Lula depositou uma coroa de flores sobre uma lápide onde estão depositadas as cinzas de vítimas do campo de Majdanek, na Polônia.

"Eu acredito que visitar o Museu do Holocausto deveria ser quase uma obrigação a todo ser humano que quer dirigir uma nação", afirmou Lula, ao final da visita, para logo em seguida atribuir o holocausto à "irracionalidade".

Logo depois de plantar a oliveira com a ajuda da primeira-dama Marisa Letícia no Bosque de Jerusalém, onde estão plantadas 240 mil árvores, Lula disse que, em cinco anos ou mais, um filho ou neto seu poderia sentar-se debaixo daquela árvore e colher e preparar as azeitonas. "Tenho certeza que eles não vão morrer de fome." O presidente ainda recebeu representantes de três organizações não-governamentais (ONGs) de Israel e de palestinos.

 

 

Folha de S. Paulo

Israelenses cobram de Lula distância do Irã
Clóvis Rossi, enviado especial a Jerusalém

 

 

Israel pressiona Lula a se afastar do Irã

Em sessão no Parlamento israelense, presidente brasileiro ouve exortações contra Teerã de governistas e opositores

Petista não cita país persa em discurso, mas em reunião com Netanyahu reafirma crença em diálogo como melhor caminho a seguir

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ouviu ontem um coro de vozes israelenses, representando todo o arco político-institucional, para que adira ao que o primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu, chamou de "frente internacional que se está formando contra o armamentismo do Irã".
Emendou "Bibi", como é mais conhecido o premiê israelense: "Você [Lula] representa valores diferentes. Eles [o Irã] usam a crueldade, eles amam a morte, você ama a vida".
O coro incluiu dois pedidos para que Lula não legitime "as intenções assassinas" dos governantes iranianos, como disse Reuven Rivlin, o presidente da Knesset, o Parlamento israelense. É uma evidente alusão à visita que Lula fará em maio ao Irã, que também foi criticada pela líder da oposição, Tzipi Livni, para quem "o Brasil não pode permitir-se dar legitimidade indireta ao Irã".
Depois do que o chanceler Celso Amorim chamaria de "exortações", Lula não citou a palavra Irã em uma única linha de seu discurso à Knesset, que terminou sendo aplaudido de pé pelos deputados.
Na conversa fechada com o presidente brasileiro, Netanyahu voltou a cobrar Lula, de forma "muito amistosa e respeitosa", segundo o relato do encontro feito por Amorim.
Aí, sim, o presidente brasileiro disse qual era a sua posição, reiterando a defesa do diálogo em vez de sanções. No discurso ao Parlamento, aliás, já tocara no tema "diálogo", conceitualmente, aplicando-o não ao Irã especificamente, mas a tudo.
"Não fugi aos conflitos. Mas busquei resolvê-los pelo diálogo, ainda quando parecia exercício ingênuo, tarefa impossível", afirmou.
Parece uma alusão ao fato de a diplomacia israelense considerar ingênua a visão brasileira sobre o diálogo com o Irã.
A violência retórica contra Teerã, nos discursos dos líderes israelenses, demonstra que não há a mais leve hipótese de que aceitem a conversão do regime iraniano pelo diálogo.
"O tempo está terminando, e o mundo deve despertar para as bases satânicas do regime dos aiatolás", começou Rivlin, presidente da Knesset, pertencente ao Likud, o partido de Netanyahu, a direita dura israelense.
Continuou: "Ser publicamente contra sanções pode ser interpretado como sinal de fraqueza ante líderes que não têm freios".
Seguiu-se Tzipi Livni, do Kadima, partido hoje tido como moderado, mas que foi criado por Ariel Sharon, ex-primeiro-ministro que se encontra em estado vegetativo após acidente vascular cerebral. Sharon foi historicamente considerado ultralinha-dura:
"A vitória do Hamas é a vitória do Irã e da ideologia do ódio", disparou, aludindo ao movimento islâmico de resistência, que controla a faixa de Gaza e está na lista de movimentos terroristas da União Europeia e dos EUA.
A barragem de "exortações" não surpreendeu o governo brasileiro. De fato, já fora antecipada por esta Folha no sábado, 24 horas antes da chegada de Lula. O fato de ter sido feita em público, em uma sessão do Parlamento que usualmente é uma exaltação da amizade entre dois países, confirma que a hipótese de que o Irã produza a bomba atômica é o grande pesadelo de Israel.
Como diz Dan Ayalon, vice-chanceler: "É bastante óbvio que, depois de um ano em que todas as tentativas de engajamento não funcionaram, se continuarmos com o diálogo pelo diálogo se criará uma situação muito perigosa porque, enquanto dialogamos, os iranianos trabalham duramente para ter a arma nuclear".
Depois da sessão do Parlamento, a Folha perguntou a Ayalon se ele ficara frustrado com a ausência de menção ao Irã no discurso de Lula. "Respeitamos a posição dele, que é um líder mundial. Esperamos que, ao final do encontro [que haveria entre Netanyahu e Lula], haja não só um encontro de mentes mas de posições."
Não houve, mas tampouco quer dizer que tenha havido rachaduras no bom relacionamento Brasil-Israel. Tanto que Netanyahu e Lula combinaram que, doravante, haverá uma sistema de reuniões entre os chefes de governo uma vez a cada dois anos.
O primeiro-ministro foi convidado a visitar o Brasil e talvez o faça ainda neste ano.
Pode ter contribuído para amenizar a divergência o fato de que o governo brasileiro parece exibir agora uma posição mais flexível em relação ao programa nuclear iraniano. Amorim antecipou, na entrevista coletiva, que Lula cobrará do presidente Mahmoud Ahmadinejad, em maio, garantias de que o programa nuclear iraniano é exclusivamente para fins pacíficos.
Mais: "É preciso que a comunidade internacional seja convencida [das garantias]". Amorim disse ainda que "nem nós estamos convencidos, a priori".
Não são exatamente frases que combinem com a versão mais difundida pela mídia internacional de que o Brasil defende o programa nuclear iraniano. Defende o direito do Irã -e de qualquer país- de ter a tecnologia nuclear para usos pacíficos, mas é contra que "qualquer país tenha armas nucleares", conforme Lula comentou com Netanyahu.

 

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Folha de S. Paulo

Israelense propõe que Brasil medeie paz com Síria
Clóvis Rossi, enviado especial a Jerusalém

O presidente israelense, Shimon Peres, sugeriu ontem a seu colega Luiz Inácio Lula da Silva que convide o presidente da Síria, Bashar al Assad, a visitar o Brasil, juntamente com o premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, no que seria a porta de entrada do Brasil para as negociações de paz no Oriente Médio, hoje estancadas.
Assad já está convidado e a data tentativa para a viagem é julho. Netanyahu foi convidado ontem por Lula e também acenou com a hipótese de ir em 2010, mas a situação em Israel é tão volátil que uma eventual confirmação pode demorar.
Ainda mais agora que há uma crise nas relações com os EUA que levou a uma "situação crítica", conforme avaliação de Peres para a delegação brasileira.
Israel e Síria vinham mantendo negociações indiretas usando a Turquia como canal, até que a invasão da faixa de Gaza pelos israelenses, há pouco mais de um ano, pôs fim à intermediação. O Brasil está dialogando intensamente com a Turquia em torno do problema iraniano, o que tornaria em tese mais fácil passar a ser um canal alternativo ou complementar a outros esforços.
O que é mais complicado é entrar na negociação entre Israel e palestinos, por uma razão bastante objetiva: "Enquanto as partes não tiverem confiança uma na outra, é muito difícil haver negociação", diz o vice-chanceler Dan Ayalon. Fica impraticável, portanto, o Brasil entrar no que não existe.
Lula, em sua fala à Knesset, lamentou a paralisação das negociações e criticou "iniciativas unilaterais que as dificultam, como o anúncio da construção de residências em Jerusalém, às vésperas do reinício de uma rodada de negociações".
O que, sim, existe é um ativo brasileiro, exaltado coincidentemente pelos presidentes de Israel e da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas: a boa convivência entre as comunidades árabe e judia no Brasil.
Aliás, o encontro empresarial Brasil/Israel, que Lula encerrou ontem, acabou sendo involuntariamente uma demonstração dessa convivência: fechava a fila de autoridades no salão do hotel em que se deu o seminário, a dupla Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, de origem árabe, e Daniel Feffer, da Suzano, judeu.
Os dois, aliás, nem notaram a coincidência, quando a Folha apontou-a, o que demonstra como é natural representantes das comunidades conviverem sem nenhuma estranheza.
Lula aproveitou o seminário para fazer um sermão pela paz. "O vírus da paz está comigo acho que desde que estava no útero de minha mãe", disparou.

 

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Jornal de Brasília

Portador do ''vírus da paz''

Determinado a ser um dos mediadores da paz entre Israel e os palestinos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que não se lembra da última vez em que brigou. Ele afirmou que carrega no corpo o “vírus da paz” desde que era bebê. O comentário ocorreu durante discurso a empresários, em Jerusalém.

“Acho que o vírus da paz está comigo desde que estava no útero da minha mãe. Não me lembro do dia em que briguei com alguém”, declarou o presidente. Bem-humorado, Lula arrancou risos da plateia, inclusive do presidente de Israel, Shimon Peres, ao falar do PT. "Já fiz muita disputa política, pertenço a um partido complicado (...). Temos divergências políticas de causar inveja a qualquer pessoa do mundo”, acrescentou.

Ao defender a busca pela paz, Lula citou um encontro com o ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush, em 2003, quando disse ao -americano que o Iraque não era um problema do Brasil e que sua prioridade era combater a miséria.

“Pensei que teria animosidade na minha relação com o presidente Bush. Como fui sindicalista a vida inteira, imaginava que ia brigar muito com os Estados Unidos. Eis que o presidente Bush terminou o mandato e eu vou terminar o meu sem
que tenhamos tido nenhuma divergência. Quando tivemos, resolvemos por telefone”, afirmou.

Segundo Lula, todos devem tentar acabar com as divergências e buscar o acordo. Como exemplo, citou o impasse com a Bolívia, quando o presidente Evo Morales impôs resistências à atuação da Petrobras no seu país. “O primeiro discurso foi
tomar a Petrobras. Mas entendemos que o gás era um direito da Bolívia, um patrimônio do povo boliviano e fizemos um acordo com eles.”

Em seguida, o presidente lembrou a pressão que sofreu para ser mais incisivo com o governo Morales. “Tinha gente que queria que o Brasil fosse duro com a Bolívia. Talvez por causa da minha origem, não conseguia perceber como um metalúrgico de São Paulo ia brigar com um índio boliviano. Dialogamos e
hoje estamos numa relação excepcional”, disse.

BEM-ESTAR REGIONAL

Para Lula, o esforço do Brasil é para buscar o bem-estar da região. "A nós, brasileiros. não nos interessa sermos grandes e ricos, se estivermos cercados de pobres. Não é sensato do ponto de vista da geopolítica estar cercado de gente mais pobre que você de todos os lados.”

O presidente brasileiro conversou ainda com os empresários israelenses sobre as oportunidades de investimento no Brasil, citando o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a Copa do Mundo de 2014, as Olimpíadas, de 2016, o trem
de alta velocidade entre Campinas, São Paulo e o Rio de Janeiro e as oportunidades de exploração de petróleo na Bacia de Campos.

 

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Jornal do Brasil

Lula ouve reclamações sobre o Irã

 

Presidente evita debater posição do Brasil a respeito de Teerã, mas defende Estado palestino

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não escapou ontem, em seu primeiro dia de agenda oficial no Oriente Médio, de cobranças em relação ao seu posicionamento sobre a questão nuclear iraniana. O líder brasileiro, que posa como possível mediador do confronto entre israelenses e palestinos, até ouviu do presidente israelense, Shimon Peres, que sua contribuição era bem-vinda, mas demais autoridades fizeram questão de lembrar que não concordam com a posição de Lula, contrária a sanções contra o Irã, país acusado de tentar enriquecer urânio em percentual considerado armamentista.

O vice-ministro israelense de Relações Exteriores, Danny Ayalon, disse a jornalistas que a única forma de evitar que o Irã prossiga com uma possível busca por uma arma nuclear será uma posição unida da comunidade internacional. Ao ser perguntado se isso seria um recado ao presidente Lula, respondeu, enfático, que sim.

A líder da oposição, Tzipi Livni, e o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, também foram duros em seus discursos ao citar o caso do Irã.

Netanyahu pediu a Lula que apoie as sanções, afim de evitar o armamentismo do Teerã.

Lula, que defende que o Irã tenha o direito de enriquecer urânio, desde que exclusivamente pra fins pacíficos, foi o último a discursar no Knesser – parlamento israelense – e não fez referências diretas a Teerã, dizendo apenas ser contra o armamentismo nuclear.

– Em meu país, há uma proibição constitucional de produção e utilização de armamento nuclear. – disse Lula. – Gostaríamos que o exemplo de nosso continente pudesse ser seguido em outras partes do mundo.

Outro que alfinetou a posição brasileira foi o deputado israelense Reuven Rivlin, presidente do Knesser. Na opinião do parlamentar, “ser publicamente contra as sanções (ao Irã) pode ser visto como um sinal de fraqueza”.

A visita de Lula foi boicotada pelo ministro de Assuntos Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, depois que o presidente brasileiro não visitou o túmulo do fundador do sionismo, Theodor Herzl.

Sobre as divergências entre israelenses e palestinos, Lula disse “sonhar” com a paz no Oriente Médio. A viagem do líder brasileiro ocorre no momento em que Israel é criticada – inclusive pelo Brasil – após o anúncio de construção de 1.600 casas na Jerusalém Oriental anexada – Sonho com o dia no qual o Oriente Médio terá paz, para que todos os povos da região possam se beneficiar da prosperidade – discursou Lula. – Acho que o vírus da paz está comigo desde que eu estava no útero da minha mãe.

Bem-humorado, Lula arrancou risos, até de Shimon Peres, ao afirmar que no PT há divergências que causam inveja a qualquer um – Israel deve viver ao lado de um Estado palestino. Deve haver coexistência – disse Lula.

Segundo o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, numa reunião de Lula com Peres foi discutida a possível participação do Brasil no processo de paz.

– (Peres) Valorizou o papel do Brasil numa situação de ajudar a promover o diálogo.

– disse Amorim. – Ele achou que nossa capacidade de fazer amigos com todos pode ser útil, mas não era a hora de discutir detalhes.

Lula chega hoje à Cisjordânia para se encontrar com os dirigentes palestinos, antes de visitar, amanhã, a Jordânia.

Negócios Lula viaja com uma delegação de 80 empresários, e falou a Peres do sinal verde dado pelo Brasil ao acordo de livre comércio entre Israel e o Mercosul.

Israel é o primeiro país fora das fronteiras da América Latina a assinar um tal acordo com o bloco sul-americano.

O presidente brasileiro também participou ontem da assinatura de acordos de cooperação relacionados a diversos temas como ciência, segurança, alta tecnologia, agricultura e indústrias espaciais.

Lula também conversou com empresários israelenses sobre as oportunidades de investimento no Brasil, citando o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a Copa do Mundo, a Olimpíada, o trem de alta velocidade entre Campinas, São Paulo e Rio, e as oportunidades de exploração de petróleo na Bacia de Campos.

A viagem de Lula ao Oriente Médio é o mais importante esforço do Brasil para tentar atuar como interlocutor para as negociações entre israelenses e palestinos.

O país também almeja uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU, mas o órgão precisaria passar por uma reforma.

Visita foi boicotada pelo ministro de Assuntos Exteriores Avigdor Lieberman

 

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O Estado de S. Paulo

Governo e oposição em Israel se unem e cobram Lula sobre Irã
Denise Chrispim Marin, enviada especial, Jerusalém

 


No Parlamento israelense, presidente pede desarmamento nuclear global

No primeiro dia da visita do presidente Lula a Israel, o governo e a oposição israelenses, em raro momento de coesão, se uniram para criticar a aproximação do Brasil com o Irã e para pedir ao País que apoie as sanções contra Teerã. "Eles (o governo iraniano) adoram a morte, e vocês (brasileiros) adoram a vida", discursou o presidente do Parlamento, Reuven Rivlin, que sugeriu ao Brasil "acordar da sonolência" sobre o Irã. Na sua vez de discursar, Lula defendeu o fim da produção de armas nucleares, referindo-se às suspeitas sobre o Irã, mas também ao fato de que Israel tem arsenal atômico. O chanceler brasileiro, Celso Amorim, disse que a pressão israelense já era esperada. "Não acho que houve rolo compressor", afirmou. (1ª Página)

Governo e oposição de Israel cobram de Lula atitude mais firme contra Irã

Recado. Líder brasileiro diz que América Latina é 'exemplo a ser seguido' de zona livre da ameaça nuclear e evita citar caso iraniano

Partidos de oposição e situação de Israel uniram-se ontem para criticar a aproximação do Brasil com o Irã e fazer um apelo para que o governo brasileiro apoie as sanções do Conselho de Segurança das Nações Unidas contra Teerã.

O consenso das frentes políticas israelenses foi exposto diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se mostrou preparado para absorver o golpe desferido em sessão especial do Parlamento de Israel (Knesset). Em sua vez de discursar, Lula não mencionou a palavra Irã. Acentuou que a América Latina firmou um tratado que tornou a região livre de armas nucleares (Tlatelolco, de 1967) e lembrou que o Brasil conta com proibição constitucional à produção e ao uso de armamento atômico.

"Gostaríamos que o exemplo de nosso continente pudesse ser seguido em outras partes do mundo", afirmou, referindo-se às suspeitas sobre o programa iraniano e também ao fato de Israel possuir a bomba.

A posição brasileira em relação ao Irã foi alvo de duras críticas do presidente da Knesset, Reuven Rivlin, do premiê, Binyamin "Bibi" Netanyahu (ambos do partido Likud), e da líder da oposição, Tzipi Livni. "Não acho que houve um rolo compressor. Já era esperada (essa posição unânime)", reagiu o chanceler Celso Amorim.

O chanceler israelense, Avigdor Lieberman, decidiu boicotar Lula depois que o brasileiro supostamente se esquivou de prestar homenagem ao fundador do sionismo, Theodor Herzl. (Mais informações nesta página).

Em referência ao Brasil, Rivlin advertiu que "os países devem acordar da sonolência para enfrentar as bases satânicas desse regime dos aiatolás" e argumentou que uma posição contrária às sanções ao Irã daria um "sinal de fraqueza".

Perigo iraniano. Por fim, fez um apelo para que o País se una aos que reconhecem o "perigo iraniano" e aprove sanções. Lógica semelhante à que foi exposta por Bibi.

"Peço e espero que o Brasil apoie a frente internacional que se está cristalizando contra o armamentismo do Irã", disse o premiê. "Eles têm valores diferentes dos nossos e usam da crueldade. Eles adoram a morte e vocês (brasileiros) adoram a vida. Eles apoiam o terror e são o eixo fundamental contra a estabilidade e a paz no Oriente Médio."

A líder da oposição na Knesset defendeu o isolamento do Irã, por meio da aplicação de sanções, e sua expulsão da ONU - medida de retaliação política que, pela manhã, havia sido insinuada pelo presidente de Israel, Shimon Peres, a Lula.

Livni afirmou que Teerã se aproveita de sua aproximação com a América Latina. "O Brasil não pode dar legitimidade ao Irã", afirmou Livni, chanceler entre 2006 e 2009. "O Irã testa os limites do mundo livre. É preciso uma decisão enérgica e corajosa agora."

Respeito e amizade. O choque de posições entre o Brasil e Israel sobre a questão iraniana foi repetido, com mais argumentos e detalhes, durante o encontro reservado de Lula e Netanyahu. A reunião durou uma hora e meia e foi aliviada pela proposta do premiê de criar um mecanismo de consultas entre os chefes de governo e ministros dos dois países a cada dois anos. Lula pediu que a primeira reunião ocorra no Brasil em 2010.

Segundo Amorim, a franqueza dos dois lados foi combinada com sinais de respeito e amizade. A Netanyahu, Lula defendeu que ainda há espaço para o diálogo com o Irã.

"Vírus da paz"
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
PRESIDENTE DO BRASIL
"Tenho o vírus da paz desde que estava no útero da minha mãe" (durante discurso a empresários brasileiros e israelenses

 

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O Estado de S. Paulo

Editorial: O 'vírus da paz' de Lula

 
Desta vez, a proverbial sorte do presidente Lula parece tê-lo deserdado. Ele desembarcou domingo em Tel-Aviv em meio a uma rara crise entre Israel e os Estados Unidos e a mais um bloqueio da Cisjordânia em represália a um novo surto de manifestações palestinas contra a política israelense de anexações em Jerusalém Oriental. Nesse ambiente, a pretensão de Lula de ser o "profeta do diálogo" ? como foi chamado dias antes pelo jornal israelense Haaretz ? se revelou, no mínimo, fútil. Enquanto o brasileiro fazia as malas para a viagem de 5 dias que o levará também aos territórios ocupados sob o controle nominal da Autoridade Palestina (AP) e, por fim, à Jordânia, um ministro israelense ainda mais à direita do que o premiê Benjamin Netanyahu fez o que em outras circunstâncias seria impensável.

Em plena visita do vice-presidente americano, Joe Biden, ele anunciou a construção de 1.600 moradias em Jerusalém Oriental, onde os palestinos querem instalar a capital do seu futuro país. Foi um golpe deliberado nos esforços do governo Obama para ressuscitar as negociações de paz na região, congeladas desde dezembro de 2008. Biden saiu humilhado de Israel. Em Washington, a secretária de Estado Hillary Clinton se disse "insultada" e o principal assessor do presidente, David Axelrod, falou em "afronta". Se Israel se permite ofender a tal ponto o seu maior e mais poderoso protetor, para não dar aos palestinos o Estado contínuo e viável reclamado pela comunidade internacional, incluídos os EUA, que diferença Lula imagina que poderá fazer?

Ontem, ele disse ser portador, "desde que estava no útero da minha mãe", do "vírus da paz". O metafórico micróbio não contaminou os israelenses. O presidente Shimon Peres foi absolutamente protocolar quando disse em discurso saber que o brasileiro trazia uma mensagem de paz ? e que "sua contribuição será bem-vinda". Do lado israelense é que não será. Primeiro, porque a ideia lulista de "ouvir mais gente", como já não bastassem a ONU, a União Europeia, os Estados Unidos e a Rússia, é anátema para um governo que acha que a maioria dos países tende a ser pró-palestinos e quer forçar Israel a concessões "inaceitáveis" (como coibir os assentamentos na Cisjordânia e dividir Jerusalém em duas). Segundo, porque a "gente" em que Lula pensa inclui ninguém menos do que o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, que prega a erradicação de Israel (perto disso, a negação do Holocausto é detalhe).

Segundo o assessor Marco Aurélio Garcia, o Irã não pode ser ignorado porque tem "influência de peso" na questão. É o contrário. A República Islâmica é que não poderá ignorar o eventual acordo de paz a que se opõe porque legitimaria o Estado judeu. Influência de peso na questão, isso sim, tem a Liga Árabe, a começar da Arábia Saudita. Em 2002, os sauditas conseguiram que a entidade aprovasse um plano de paz pelo qual, em troca da devolução dos territórios tomados na Guerra dos Seis Dias as relações entre Israel e o mundo árabe seriam "normalizadas". Deu em nada. Há pouco, a Liga defendeu a retomada de negociações - indiretas - entre Israel e a Autoridade Palestina. (Dezessete anos depois do aperto de mãos de Yitzhak Rabin e Yasser Arafat na Casa Branca, fala-se em conversações indiretas como se fosse um progresso.)

Lula e o Itamaraty parecem ignorar ainda que a aproximação do Brasil com o Irã, valha o que valer, não é malvista só em Israel, na região. A Arábia Saudita e o Egito, os dois principais países árabes, tampouco se rejubilam com isso. Enfim, a soberba da diplomacia lulista chega ao disparate de supor que a atual posição "cética e dura" dos EUA em relação a Israel, nas palavras de Garcia, facilitará o ingresso de outros atores, um deles o Brasil, no processo de paz no Oriente Médio. É, de novo, o mundo de ponta-cabeça. Se Netanyahu não ceder a Obama, cederá a quem? A Lula? O sonho faraônico de se transformar no estadista global que entrará para a história por ter tido êxito ali onde todos fracassaram nos últimos 60 anos conduz Lula da futilidade à ridicularia. E isso porque a diplomacia lulista, partidária e eleitoreira, só visa a promover a imagem de seu guia perante o público interno.

Propondo-se a mediar não apenas o conflito histórico entre judeus e palestinos, mas também o conflito interno entre palestinos do Hamas e do Fatah, Lula exibe o grau de exacerbação da sua megalomania

 

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O Globo

Peres pede a Lula que leve recado a Abbas
Eliane Oliveira e Daniela Kresch

 

Apesar de construções, Israel quer negociar acordo de paz com palestinos


Depois de irritar os americanos, seus principais aliados, com o anúncio da construção de 1.600 novas casas em assentamentos na Cisjordânia, o governo israelense decidiu aproveitar as boas relações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aproveitou para pedir que o brasileiro leve uma mensagem ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, com quem se reúne hoje, em Belém: Israel deseja continuar a negociação de um acordo de paz.

Imperador: Peres chama Lula de “César” O pedido foi feito ontem pelo presidente de Israel, Shimon Peres, numa reunião com Lula, o que, na prática, garante uma maior participação do Brasil no processo de mediação. Mas, mesmo com a abertura dada pelos israelenses, o presidente se disse preocupado com a suspensão do diálogo e criticou a expansão das colônias em áreas palestinas.

— O impasse agrava a deterioração das condições de vida nos territórios palestinos ocupados, mas também alimenta fundamentalismos de todos os lados e coloca no horizonte conflitos mais sangrentos ainda — disse Lula.

Segundo o presidente, a política externa brasileira tem vocação universalista, comprometida com valores cujo propósito é a busca incessante da paz. Segundo um funcionário que participou do encontro, Israel concorda com a criação do Estado Palestino, mas ressalta a dificuldade da falta de interlocutores, devido à divisão política entre as facções Hamas, em Gaza, e Fatah, na Cisjordânia.

O presidente reforçou a posição brasileira de que é preciso novos países atuando como “facilitadores” na região.

Chamando Lula de “César”, numa alusão ao imperador romano, Peres disse que a ajuda do colega brasileiro a encontrar uma solução para a paz será bem recebida.

Lula também deu um recado ao governo de Israel, citando sua situação na América do Sul e suas relações com os EUA. Ele alertou que um país não pode se desenvolver se os vizinhos que estão à sua volta forem pobres.

 

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Valor Econômico

Israel critica Brasil por Irã, mas fala em ajuda na paz
Sergio Leo

 

Relações externas: No parlamento, Lula foi aplaudido e censurado


O Brasil pode ajudar Israel a negociar um tratado de paz com a Síria, disse o presidente israelense, Shimon Peres, em conversa reservada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem sugeriu que o Brasil poderia fazer coincidir, em território brasileiro, visitas do presidente sírio, Bashar Al-Assad, e do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Al-Assad já recebeu convite para visitar o Brasil e, ontem, Netanyahu concordou em fazer uma visita ao país ainda neste ano. A aproximação do Brasil com o Irã recebeu, porém, forte e unânime desaprovação das principais forças políticas de Israel, que saudaram Lula com palavras duras sobre as relações com os iranianos.

O ministro de Relações Exteriores, o ultra-ortodoxo Avigdor Lieberman, teve a reação mais forte à insistência brasileira em evitar sanções ao Irã e negociar para que o país não use energia nuclear para fins militares. Lieberman boicotou a visita de Lula ao Knesset, o parlamento israelense, e a reunião de que participaria, com o brasileiro e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Entre as razões do boicote, o jornal israelense Haaretz citou a recusa de Lula em visitar o túmulo do ativista criador do sionismo Theodore Herzle (Lula visitará, nesta semana, o túmulo do ex-líder da Autoridade Palestina, Yasser Arafat). Os brasileiros argumentam que o compromisso, incluído de última hora, não fez parte de visitas recentes do presidente da França, Nicolás Sarkozy, nem do da Itália, Silvio Berlusconi.

Apesar de referências elogiosas ao presidente brasileiro, o Irã dominou os discursos no Knesset. "Os países devem acordar da sonolência e enfrentar as bases satânicas do regime dos aiatolás", discursou o líder do Knesset, Reuven Rivlin, ao saudar Lula. Ele pediu a Lula para unir-se aos que reconheceram "o perigo iraniano", e alertou que a oposição a sanções contra o Irã, pelo programa nuclear do país, seria vista como "sinal de fraqueza".

"Creio e creio que o senhor também acredite que esse regime tem valores diferentes dos que o senhor, sua cultura, e o povo do Brasil representam", endossou Netanyahu, do partido direitista Likud, como Rivlin. "Eles usam crueldade, são contra as minorias; odeiam a liberdade, adoram a morte e vocês adoram a vida". Mais dura, a líder da oposição, Tzipi Livni, do Kadima, de centro, acusou o Irã, presidido por Mahmoud Ahmadinejad, de usar o conflito entre Israel e palestinos para promover a "doutrina do ódio". Ela disse saber dos valores pacíficos de Lula, mas cobrou dele "não somente criticar, mas apoiar as sanções ao Irã nas Nações Unidas".

Mesmo com a manifesta preocupação com o Irã e o boicote do ministro de Relações Exteriores (líder de um partido em expansão em Israel, tradicionalmente oposto a concessões aos palestinos e árabes israelenses), as autoridades israelenses mantiveram um tom elogioso a Lula e saudaram os acordos de cooperação entre os dois países. Netanyahu e Lula decidiram, por sugestão do israelense, um sistema de reuniões a cada dois anos entre os chefes de Estado e ministros de Israel e do Brasil, a começar em 2010 com uma visita do primeiro-ministro ao Brasil.

Falando ao Knesset, Lula evitou improvisos, defendeu a busca de "alternativas racionais e duradouras", com "compaixão" e diálogo, para a paz no Oriente Médio. Sem citar o Irã, condenou o terrorismo e o holocausto, lembrou o compromisso do Brasil e da América Latina contra as armas nucleares e defendeu a coexistência de um estado de Israel, soberano, seguro e pacífico, e um Estado palestino "soberano, pacífico, seguro e viável". Ao tocar nesse assunto, criticou o recente anúncio israelense de construção de 1,6 mil casas na região oriental de Jerusalém, reivindicada pelos palestinos como sua futura capital.

Lula foi aplaudido de pé pelos parlamentares, pouco mais de 70 dos 120 membros do parlamento. "Foi um bom discurso, muito polido", comentou um dos principais aliados de Netanyahu, Yossi Peled, conhecido general israelense, que manteve, porém, a crítica à relação entre Brasil e Irã. "Um monte de países prefere fechar os olhos. US$ 1 bilhão, US$ 2 bilhões são mais fortes que qualquer ameaça", disse, ecoando a acusação da oposicionista Livni, de que interesses econômicos garantem sustentação ao Irã. "Foi importante que ele lembrasse o direito ao estado Palestino. Teve mais palmas que George Bush", afirmou o vice-presidente do parlamento, Ahmad Tibi, do partido minoritário que representa os árabes.

Shimon Peres publicamente pediu a Lula que aproveite seu encontro, hoje, com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, para garantir que Israel está comprometido com o processo de negociações e a busca da paz. O ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, foi evasivo ao ser consultado sobre o pedido de apoio do Brasil às negociações entre Israel e Síria. "O presidente da Síria já foi convidado ao Brasil; quem sabe o outro pode, por coincidência...", comentou, recusando-se, depois a confirmar se há intenção de fazer coincidir as visitas de Netanyahu e Al-Assad.

 

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Valor Econômico

Fiesp prevê que comércio entre os dois países será triplicado
Sergio Leo


Em consequência da aproximação comercial entre Brasil e Israel, já em maio uma missão empresarial israelense visita o Brasil, a convite da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), para discutir projetos de comércio e investimento de mercadorias e serviços ligados à defesa e segurança.

Segundo o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, a tecnologia de segurança israelense tem forte potencial no Brasil, para o uso por empresas, famílias e pelo próprio governo, na Copa do Mundo de 2012 e na Olimpíada de 2016, no Rio.

"A viagem do presidente Lula será um divisor de águas. Daqui para a frente vamos triplicar o comércio com Israel", prevê Skaf, que comandou a missão empresarial levada a Israel pelo departamento de promoção comercial do Itamaraty. A meta de Skaf, segundo reconhece ele próprio, é facilitada pelo baixo volume de comércio e pela queda nas exportações e importações entre os dois países, em 2009. Depois de superar US$ 1,6 bilhão em 2008, o total de comércio entre Israel e Brasil caiu para menos de US$ 1 bilhão no ano passado.

O Brasil enviou cerca de 70 executivos a Israel, e os israelenses acorreram em grande número ao seminário destinado a explorar oportunidades de negócios. O anúncio formal feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de que deve entrar em vigor em abril o acordo de livre comércio entre o Mercosul e Israel, foi comemorado pelo governo israelense como um bom sinal na relação bilateral.

Mesmo durante os severos discursos contra as relações Brasil-Irã, feitos no parlamento israelense (o Knesset), ontem, durante visita do presidente Lula, autoridades como o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, louvaram o acordo comercial . O governo brasileiro, por sua vez, espera que o novo acordo de livre comércio com Israel aumente o comércio bilateral para mais de US$ 3 bilhões dentro de cinco anos.

O Brasil é o maior parceiro comercial de Israel na América Latina, e muitas grandes companhias israelenses já exportam para o Brasil. A fabricante de materiais de defesa Elbit Systems é fornecedora da Embraer, e a indústria de fertilizantes Israel Chemicals e a MA Industries também têm exportações significativas para o país. O presidente Lula disse que Israel é "um parceiro ideal" para ajudar a desenvolver as indústrias farmacêutica, de semicondutores e de nanotecnologia do Brasil. (SL, com agência Reuters)

 

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Zero Hora

Editorial: Gesto para a paz

 

Num momento especialmente complicado do processo de paz no Oriente Médio, em que a estagnação nas negociações dá lugar à apreensão em decorrência do anúncio israelense de novos assentamentos no território ocupado, o presidente Luiz Inácio da Silva visita a região e se propõe a reativar o diálogo, em meio a ceticismo generalizado. A presença do presidente brasileiro e seus pronunciamentos conciliadores não devem ser superestimados, como alertam os especialistas. Mas é importante que o Brasil apareça no cenário internacional como uma nação vocacionada para a paz, que tem em sua Constituição, como princípios de sua política externa, a busca de solução dos conflitos e o veto expresso à construção de armas atômicas, admitindo atividade nuclear apenas para fins pacíficos.

Assim, a expectativa que cerca a visita do presidente brasileiro a Israel e à Autoridade Palestina, iniciada ontem em Jerusalém, é um fato positivo e estimulante. O Brasil oferece seus préstimos para ajudar a aproximar vizinhos que há mais de meio século não conseguem encontrar um modus vivendi que, além de permitir o convívio de nações, elimine uma das usinas mundiais de fanatismo e de ódio. Nosso país tem credenciais suficientes para tentar esse gesto pacificador – e o presidente Lula explicitou algumas delas em seu discurso. No Brasil, convivem comunidades de árabes e de judeus em praticamente todos os Estados. Foi um brasileiro, Osvaldo Aranha, o presidente da Assembleia Geral da ONU que, em 1948, partilhou a Palestina e determinou a criação de dois Estados – o de Israel, instalado imediatamente, e o da Palestina, nunca efetivamente implantado. A política externa brasileira sempre viu o conflito do Oriente Médio como algo a ser solucionado na mesa das negociações e no estímulo ao diálogo – e não na imposição das armas, movidas por intransigências e ódios mútuos. Tem razão o presidente Lula ao identificar, no discurso que fez ontem ao parlamento de Israel, que a questão da paz no Oriente Médio não passa apenas pela construção de “alternativas racionais e duradouras de paz”, baseadas no uso da inteligência. “É fundamental um sentimento de compaixão para superar antagonismos que aparecem como insuperáveis”, afirmou o presidente.

Por mais que os esforços de mediação surjam neste momento como utópicos e até ingênuos, é óbvio que devem ser feitos. “Temos urgência de ver israelenses e palestinos vivendo em harmonia. A estabilidade dessa região atenuará o sofrimento daqueles que perderam seus entes queridos em décadas de enfrentamento”, constatou Lula em seu discurso.

O conflito do Oriente Médio já demonstrou, nestas cinco décadas de vigência, que representa um entrave para o desenvolvimento civilizado, mantendo-se como uma fonte caudalosa de ódios, fanatismo e fundamentalismo que alimenta uma parcela importante do terrorismo mundial. A solução para esse impasse histórico e suas sequelas merece a atenção da comunidade mundial e não dispensa gestos como o que, generosamente, o Brasil procura fazer neste momento.

Por mais que os esforços de mediação entre israelenses e palestinos surjam neste momento como utópicos e até ingênuos, é óbvio que devem ser feitos.

 

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Zero Hora

Israel faz apelo a Lula contra Irã

 

Situação e oposição se uniram no parlamento para dizer que presidente brasileiro não pode legitimar o regime dos aiatolás

Uma primeira proeza o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já conseguiu em sua viagem ao Oriente Médio: uniu oposição e situação ontem na Knesset (o parlamento de Israel) para pressioná-lo a abandonar a política de aproximação com o Irã. Os israelenses pediram, durante sessão especial no Legislativo, que o presidente brasileiro defenda novas sanções contra Teerã.

A sessão ocorreu para homenagear Lula. E, na presença do brasileiro, o presidente do parlamento, Reuven Rivlin, advertiu que os países devem acordar da sonolência e enfrentar as bases satânicas do regime dos aiatolás.

Peço a você: una-se aos países que já reconheceram esse perigo e apoie as sanções. Ser contra as sanções pode ser visto como um sinal de fraqueza diante de líderes como esses, que não têm freios. A história mostra, Deus nos livre, o que pode acontecer se não tomarmos medidas contra essas ameaças iranianas afirmou Rivlin.

O apelo foi reforçado a Lula pelo próprio primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, que insistiu na adesão do Brasil a uma frente moral para evitar a ameaça iraniana.

Peço e espero que o Brasil apoie a frente internacional que está se cristalizando contra o armamentismo do Irã. Eles têm valores diferentes dos nossos e usam da crueldade. Eles adoram a morte, e vocês, brasileiros, adoram a vida disse ele.

A líder da oposição na Knesset, Tzipi Livni, defendeu o isolamento do Irã, pela aplicação de sanções, e sua expulsão das Nações Unidas, uma vez que o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, prega a eliminação de Israel. Livni, que foi chanceler de Israel entre 2006 e 2009, afirmou que o Irã se aproveita da aproximação com a América Latina para driblar o isolamento.

O Brasil não pode dar legitimidade ao Irã. É preciso uma decisão enérgica e corajosa agora afirmou.

Lula defende Estado palestino

Em seu discurso, Lula não chegou a mencionar a palavra Irã, país que deve visitar em maio. Acentuou que a América Latina firmou um tratado que tornou a região livre de armas nucleares e que o Brasil adota a proibição constitucional à produção e ao uso de armamento atômico.

Gostaríamos que o exemplo de nosso continente pudesse ser seguido em outras partes do mundo afirmou.

Como era esperado, Lula defendeu a intermediação brasileira para as negociações de paz e a criação de um Estado palestino ao lado de Israel:

Defendemos a existência um Estado de Israel soberano, seguro e pacífico. Ele deverá conviver com um Estado palestino igualmente soberano, seguro e pacífico.

Lula fez referência a iniciativas de paz que superem tradicionais caminhos diplomáticos, defendeu a ampliação de interlocutores nas negociações o Brasil se oferece como mediador e até apelou para a compaixão:

Ninguém pode ficar insensível. Para resolver situações, é necessário construir alternativas racionais e duradouras. Mas não é suficiente colocar apenas a cabeça para funcionar, é preciso que o coração esteja presente, é fundamental a compaixão.

Já reagindo ao anúncio do governo israelense de que não suspenderá as construções em Jerusalém Leste (veja reportagem nesta página), Lula disse que a iniciativa gera um impasse que agrava as condições de vida nos Territórios Palestinos, alimenta o fundamentalismo de todos os lados e coloca no horizonte conflitos ainda mais sangrentos. Os parlamentares israelenses aplaudiram Lula de pé.

Hoje, Lula visita o Museu do Holocausto e o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas.

 

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Agência Brasil

Shimon Peres agradece colaboração do Brasil na busca pela paz no Oriente Médio
Juliana Andrade

O presidente de Israel, Shimon Peres, afirmou hoje (15) que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode contribuir na busca pela paz no Oriente Médio, apesar de o processo estar parado desde 2008. Segundo ele, a mensagem de Lula será “bem-vinda”. Ao lado de Peres, o presidente brasileiro disse que um acordo na região é “uma tarefa difícil” e que é necessário que se “ouça mais gente” nos esforços pela paz.

“Sei que o senhor traz uma mensagem de paz. Sua contribuição será bem-vinda”, disse o presidente israelense. “Se fosse tarefa fácil, já teriam conquistado a paz. Por ser difícil, é importante que se ouça mais gente”, afirmou Lula, segundo a BBC Brasil.

O diálogo ocorreu na primeira visita oficial do presidente brasileiro a Israel. Lula quer que o Brasil atue como mediador em uma eventual retomada do processo de paz entre israelenses e palestinos.

Porém, autoridades israelenses analisam com restrições a aproximação do governo Lula com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. O iraniano nega que houve o Holocausto e reitera críticas a Israel, inclusive sugerindo sua exclusão do mapa.

De Israel, Lula visita a Palestina e encerra sua viagem ao Oriente Médio na Jordânia, na quarta-feira (17).

Na semana passada, os esforços do governo dos Estados Unidos como mediador do processo de paz fracassaram. A crise atual entre israelenses e palestinos foi detonada durante a visita do vice-presidente americano, Joe Biden, a Israel na semana passada.

Biden planejava lançar um novo processo de negociações indiretas entre os dois lados, quando o Ministério da Defesa israelense aprovou a construção de 112 residências no assentamento de Beitar Ilit, em território ocupado na Cisjordânia.

O anúncio foi visto como uma ameaça à retomada das negociações, a situação se agravou no dia seguinte, quando o Ministério do Interior, controlado pelo Shas, partido ultraortodoxo e a favor da ampliação dos assentamentos, divulgou a aprovação da construção de 1,6 mil casas em Jerusalém Oriental, que os palestinos reivindicam como capital de seu futuro Estado.

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, abandonou as negociações, enquanto o governo de Israel decretou o fechamento temporário do acesso à Cisjordânia e reforçou o policiamento em toda a área de Jerusalém.

O processo de paz já estava congelado desde dezembro de 2008, quando o presidente palestino suspendeu o diálogo com o ex-primeiro-ministro israelense Ehud Olmert. Na época, Israel tinha iniciado uma nova ofensiva militar na Faixa de Gaza.

Para o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, Ahamadinejad pode colaborar como mediador na questão palestina. “Achamos que, se o Irã ficar isolado, vai ser pior. Nós já temos outras experiências muito infrutíferas de tentativa de isolamento e bloqueio. A única coisa que isso pode trazer é consolidar uma posição ainda mais dura dos iranianos”, disse ele.

 

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Agência Brasil

Israel é aceito como parceiro comercial do Mercosul
Fernanda Isidoro e Renata Giraldi

 

Brasília e Jerusalém (Israel) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou hoje (15), em visita a Israel, que foi aprovado o acordo de livre comércio entre o país e o Mercosul. Israel é o primeiro país fora da América do Sul a ter um acordo de livre comércio com o bloco econômico.

O Brasil é o maior parceiro comercial de Israel na América Latina. O intercâmbio comercial do Brasil com Israel saltou de US$ 440 milhões, em 2002, para US$ 1,6 bilhão, em 2008.

O acordo de livre comércio entre Mercosul e Israel passa a valer a partir de 4 de abril. A expectativa, segundo empresários, é que o comércio triplique nos próximos 5 anos. Dos 200 empresários que participaram de um seminário no qual Lula discursou, 80 eram brasileiros.

O seminário reuniu representantes de vários setores, do agronegócio à defesa espacial, incluindo mineração, indústria têxtil, tecnologia, aviação e medicamentos. O acordo foi comemorado pelo governo israelense. O presidente de Israel, Shimon Peres, agradeceu o empenho brasileiro em favor da parceria.

“Apesar de Israel e Brasil serem distantes um do outro geograficamente, podemos crescer por intermédio de uma estreita cooperação econômica e científica. O Brasil tem uma economia forte e estável e estamos dispostos e felizes em cooperar com este país em todos os setores, incluindo a ciência, defesa, agricultura de alta tecnologia e tecnologias espaciais avançadas”, disse Peres.

O presidente Lula lembrou que o comércio entre Brasil e Israel aumentou “significativamente nos últimos anos” e convidou os empresários israelenses a investir em território brasileiro em decorrência do Plano de Aceleração do Crescimento 2 (PAC), que define uma série de ações a partir de 2011.

“Esperamos avançar economicamente. Os laços comerciais entre Israel e Brasil aumentaram significativamente nos últimos anos e podemos continuar com o ritmo atual. Israel é conhecido por seu forte potencial nas áreas de tecnologia e ciência. Nós encorajamos a cooperação intensiva com Israel”, disse Lula.

Em comunicado da Embaixada de Israel no Brasil, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, analisa a parceria. “A visita do presidente Peres ao Brasil [em novembro de 2009] deu um grande impulso às relações econômicas entre os dois países. Um grupo de trabalho foi estabelecido entre Israel e Brasil para avançar e implementar o acordo com o Mercosul. Ambos os países declararam as suas intenções em triplicar o seu volume de comércio”.

 

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Agência Brasil

Lula diz em Israel que tem o 'vírus da paz' desde que era bebê

Determinado a ser um dos mediadores da paz entre Israel e a Palestina, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje (15) que não se lembra da última vez em que brigou. Ele afirmou que carrega no corpo o “vírus da paz” desde que era bebê. O comentário ocorreu durante discurso a empresários, em Jerusalém, segundo a BBC Brasil.

“Eu acho que o vírus da paz está comigo desde que estava no útero da minha mãe. Não me lembro do dia em que briguei com alguém”, disse o presidente.

Bem-humorado, Lula arrancou risos da plateia, inclusive do presidente de Israel, Shimon Peres, ao dizer que no PT há divergências que causam inveja em qualquer um. “Eu já fiz muita disputa política, pertenço a um partido complicado (...). Temos divergências políticas de causar inveja a qualquer pessoa do mundo”, acrescentou.

Ao defender a busca pela paz, Lula citou um encontro com o ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush, em 2003, quando disse ao norte-americano que o Iraque não era um problema do Brasil e que sua prioridade era combater a miséria.

“Pensei que teria animosidade na minha relação com o presidente Bush. Como fui sindicalista a vida inteira, imaginava que ia brigar muito com os Estados Unidos. Eis que o presidente Bush terminou o mandato e eu vou terminar o meu sem que tenhamos tido nenhuma divergência. Quando tivemos, resolvemos por telefone”, afirmou.

Segundo Lula, todos devem tentar acabar com as divergências e buscar o acordo. Como exemplo, citou o impasse com a Bolívia, quando o presidente Evo Morales impôs resistências à atuação da Petrobras no seu país. “O primeiro discurso foi tomar a Petrobras. Mas entendemos que o gás era um direito da Bolívia, um patrimônio do povo boliviano e fizemos um acordo com eles.”

Em seguida, o presidente lembrou a pressão que sofreu para ser mais incisivo com o governo Morales. “Tinha gente que queria que o Brasil fosse duro com a Bolívia. Talvez por causa da minha origem, não conseguia perceber como um metalúrgico de São Paulo ia brigar com um índio boliviano. Dialogamos e hoje estamos numa relação excepcional”, disse.

Para o presidente, o esforço do Brasil é para buscar o bem-estar da região, sem isolar um ou outro nem adotar medidas que beneficiem apenas os brasileiros.

"A nós brasileiros não nos interessa sermos grandes e ricos, se estivermos cercados de pobres. Não é sensato do ponto de vista da geopolítica estar cercado de gente mais pobre que você de todos os lados”, afirmou Lula.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que durante a reunião de Lula com Peres foi discutida a possível participação do Brasil no processo de paz. “Ele valorizou muito o papel do Brasil em mais de uma situação, podendo ajudar a promover o diálogo. Ele acha que essa capacidade de fazer amigos com todos pode ser muito útil nessas situações, mas ali não era o momento de se discutir esses detalhes”, afirmou o diplomata.

Lula conversou ainda com os empresários israelenses sobre as oportunidades de investimento no Brasil, citando o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a Copa do Mundo, as Olimpíadas, o trem de alta velocidade entre Campinas, São Paulo e o Rio e as oportunidades de exploração de petróleo na Bacia de Campos

 

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Agência de Notícias Brasil-Árabe

Lula diz a empresários israelenses que tem o 'vírus da paz'

Em viagem a Israel, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou a empresários que carrega o vírus da paz consigo. Lula quer ajudar no processo paz de Israel com a Palestina.


Jerusalém (Israel) – Determinado a ser um dos mediadores da paz entre Israel e a Palestina, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje (15) que não se lembra da última vez em que brigou. Ele afirmou que carrega no corpo o “vírus da paz” desde que era bebê. O comentário ocorreu durante discurso a empresários, em Jerusalém, segundo a BBC Brasil.

"Eu acho que o vírus da paz está comigo desde que estava no útero da minha mãe. Não me lembro do dia em que briguei com alguém", disse o presidente.

Bem-humorado, Lula arrancou risos da plateia, inclusive do presidente de Israel, Shimon Peres, ao dizer que no PT há divergências que causam inveja em qualquer um. "Eu já fiz muita disputa política, pertenço a um partido complicado (...). Temos divergências políticas de causar inveja a qualquer pessoa do mundo", acrescentou.

Ao defender a busca pela paz, Lula citou um encontro com o ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush, em 2003, quando disse ao norte-americano que o Iraque não era um problema do Brasil e que sua prioridade era combater a miséria.

"Pensei que teria animosidade na minha relação com o presidente Bush. Como fui sindicalista a vida inteira, imaginava que ia brigar muito com os Estados Unidos. Eis que o presidente Bush terminou o mandato e eu vou terminar o meu sem que tenhamos tido nenhuma divergência. Quando tivemos, resolvemos por telefone", afirmou.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que durante a reunião de Lula com Peres foi discutida a possível participação do Brasil no processo de paz. “Ele valorizou muito o papel do Brasil em mais de uma situação, podendo ajudar a promover o diálogo. Ele acha que essa capacidade de fazer amigos com todos pode ser muito útil nessas situações, mas ali não era o momento de se discutir esses detalhes”, afirmou o diplomata.

Lula conversou ainda com os empresários israelenses sobre as oportunidades de investimento no Brasil, citando o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a Copa do Mundo, as Olimpíadas, o trem de alta velocidade entre Campinas, São Paulo e o Rio e as oportunidades de exploração de petróleo na Bacia de Campos.

 

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Folha Online

Lula pede fim de armas nucleares; Israel pede apoio do Brasil contra Irã

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou nesta segunda-feira no Knesset, o Parlamento de Israel, e pediu um Oriente Médio livre de armas nucleares, a exemplo da América Latina.

"Brasil é orgulhoso por não haver armas nucleares na América Latina e nós queremos que isto seja um exemplo para outras partes do mundo", disse Lula.

Israel, apesar de ser membro da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), nunca assinou o tratado de não proliferação nuclear e, suspeita-se, teria um arsenal não declarado de armas nucleares.

O Ocidente acusa ainda o Irã de desenvolver um programa militar de armas nucleares, mas Teerã nega e diz ter apenas fins civis.

Mais cedo, o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, recebeu Lula no Knesset e apelou para que o Brasil "se some à coalizão internacional que se forma contra o Irã".

"Esta coalizão reúne numerosos países que querem impedir o Irã de se dotar de arma nuclear", disse o premiê israelense.

Conforme Irã avança em seu programa nuclear e rejeita os esforços de negociação com as potências, aumenta os rumores de que Israel prepara um ataque às instalações nucleares iranianas --aos moldes do que fez com a Síria em 2007, apesar da Síria negar que o alvo atingido fosse um reator nuclear secreto.

"Eu acredito que as autoridades iranianas representam valores completamente diferentes dos seus", continuou Netanyahu, em um recado à aproximação e à defesa brasileira do programa nuclear iraniano.

"Eles representam tirania e crueldade, vocês representam abertura e tolerância. Eles honram a morte e vocês celebram a vida. Irã nega o Holocausto, pede a destruição de Israel, está desenvolvendo armas nucleares e apoia organizações terroristas", disse Netanyahu, citado pelo jornal "Haaretz".

Paz

Lula passou o dia em eventos com autoridades de Israel e pediu reiteradamente maiores esforços de Tel Aviv pela negociação de paz com os palestinos.

O presidente citou o Brasil como um exemplo de convivência pacífica. "No Brasil, 10 milhões de árabes vivem em harmonia com milhares de judeus", disse. "Nós esperamos que isto seja usado como uma metáfora para buscar maior entendimento no Oriente Médio".

Assim, Lula exortou as duas partes a "superar antagonismos". "O Estado de Israel deve viver ao lado de um Estado palestino. Deve haver uma coexistência".

Lula viajou ao Oriente Médio em uma missão de paz, como um possível interlocutor para as negociações.

Segundo o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, durante a reunião de Lula com o presidente israelense, Shimon Peres, foi discutida a possível participação do Brasil no processo de paz.

"Valorizou muito o papel do Brasil numa situação de ajudar a promover o diálogo. Peres achou que essa capacidade de fazer amigos com todos pode ser muito útil, mas ainda não era o momento de discutir detalhes", explicou Amorim.

 

 

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Presidente Lula em Israel – 17/03/2010

 

 

 

Folha de S. Paulo

Nunca mais, nunca mais - diz Lula no Museu do Holocausto
Clóvis Rossi


De quipá negro à cabeça, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva percorreu ontem o Yad Vashem, o Museu do Holocausto em Jerusalém, após o que fez enfática defesa da democracia e dos direitos humanos: "Aqueles que lutam pelos direitos humanos não podem de forma alguma permitir que se repita algo como o Holocausto".
Fechou com uma espécie de prece: "Nunca mais, nunca mais, nunca mais".
Lula disse também que "a visita ao Museu do Holocausto deveria ser quase obrigatória para todos os que querem dirigir uma nação".
Dentro de dois meses exatos, Lula estará no Irã, que é governado por Mahmoud Ahmadinejad, que nega a existência do Holocausto e, no fim de semana, voltou a dizer que pretende "aniquilar" os judeus.
Foi precisamente o que fizeram os nazistas na Europa a partir de 1933, quando Adolf Hitler subiu ao poder na Alemanha. Ao terminar, 12 anos depois, a 2ª Guerra Mundial, 6 milhões de judeus haviam sido aniquilados.
O Yad Vashem, que deu a Lula a visão "do que pode acontecer quando a irracionalidade toma conta do ser humano", em suas palavras, acolhe 3 milhões de nomes das vítimas, aqueles que foi possível recuperar. Os demais 3 milhões são de famílias e até comunidades inteiras aniquiladas, sem que tivesse sobrado alguém para contar as suas histórias.
Lula terminou a visita no Hall da Memória, em cujo solo estão os nomes de 22 campos de concentração. Avivou a chama eterna, sob a qual estão as cinzas de vítimas dos campos.
Durante o percurso, o presidente brasileiro comentou com o guia que as duas grandes tragédias da humanidade haviam sido o Holocausto e a escravidão. O guia retrucou que a escravidão pelo menos passara, ao passo que os judeus ainda se sentem ameaçados, no que parece ser uma alusão velada àqueles que pregam a sua "aniquilação".

 

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O Estado de S. Paulo

Em museu, brasileiro condena Holocausto
Denise Chrispim Marin


Apesar de declarações exaltando a defesa dos direitos humanos, Lula evita fazer referência ao Irã

JERUSALÉM - A dois meses de sua visita oficial ao Irã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou ontem que "todos os que lutam pela democracia e pelos direitos humanos não podem permitir" que uma tragédia como o Holocausto se repita.

A declaração foi feita após uma visita de cerca de uma hora ao Museu do Holocausto, em Jerusalém, pela manhã. Mas nenhuma referência à democracia e aos direitos humanos está nos planos de Lula para a conversa com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, em Teerã.

"A humanidade deve repetir quantas vezes for necessário: nunca mais, nunca mais, nunca mais", afirmou. "Eu acredito que visitar o Museu do Holocausto deveria ser quase uma obrigação a todo ser humano que quer dirigir uma nação", afirmou Lula, atribuindo o Holocausto à "irracionalidade".

O governo Lula, porém, já deu um sinal claro de sua indisposição de afrontar a política do governo de Teerã para a área de direitos humanos. No final do ano passado, o Brasil absteve-se de votar uma condenação ao Irã no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.

Em relação a Cuba, as seguidas abstenções do Brasil em votações da entidade somaram-se à comparação feita por Lula entre os dissidentes políticos cubanos e os "bandidos" das prisões paulistas.

"Penso que a greve de fome não pode ser usada como um pretexto de direitos humanos para libertar as pessoas. Imagine se todos os bandidos que estão presos em São Paulo entrassem em greve de fome e pedissem liberdade", disse o presidente há pouco mais de uma semana.

Em novembro, durante a visita de Ahmadinejad ao Brasil, o próprio Lula disse ter aconselhado o presidente iraniano a deixar de fazer declarações negando que o Holocausto tenha ocorrido e defendendo que Israel deveria ser "varrido do mapa".

Ele não chegou a falar, porém, na repressão violenta das manifestações da oposição iraniana após as eleições de junho - denunciadas como fraudulentas por esses opositores.

Distância de jornalistas. Durante a jornada de ontem, a Presidência brasileira cancelou uma entrevista coletiva e evitou o contato com jornalistas. Pela manhã, Lula cumpriu o protocolo - além de visitar o Museu do Holocausto, plantou uma oliveira no Bosque de Jerusalém.

Ao final de seu percurso de quase uma hora no museu, Lula participou da cerimônia da Chama Eterna, na Tenda da Memória, em cujo piso estão registrados os nomes dos seis campos de concentração nazistas e das valas onde judeus foram fuzilados e enterrados.

Ao lado do presidente de Israel, Shimon Peres, ele percorreu o complexo, que reconta a perseguição e o extermínio dos judeus pelo regime nazista.

No Bosque de Jerusalém, onde estão plantadas 240 mil árvores, Lula observou que a Amazônia Legal é dezenas de vezes maior que o território de Israel, mas esse país aproveita cada espaço disponível para o plantio.

Logo depois de plantar a oliveira, com a ajuda da primeira-dama, Marisa Letícia, Lula comentou que, em cinco anos ou mais, um filho ou neto seu poderia sentar-se debaixo daquela árvore e colher e preparar as azeitonas. "Tenho certeza de que eles não vão morrer de fome", disse o presidente brasileiro.

 

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O Globo

Um mensageiro a Ahmadinejad

No Museu do Holocausto, rabino pede que Lula dê recado a iraniano

JERUSALÉM. Um sobrevivente do campo de concentração de Buchenvald pediu ontem a Lula que envie uma mensagem ao presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, quando visitar o Irã, em maio. O ex-rabino-chefe de Israel Meir Lau afirmou estar disposto a se encontrar com Ahmadinejad para conversar sobre o Holocausto, no qual o líder iraniano diz não acreditar.

— Ouvi que vai se encontrar com Ahmadinejad.

O senhor é o primeiro presidente do Brasil a visitar Israel e peço que leve a ele uma mensagem minha, como sobrevivente do Holocausto, e não como político. Peço que diga a ele que estou disposto a encontrá-lo a qualquer momento e que vou conseguir fazê-lo mudar de opinião quanto à negação ao Holocausto — apelou Lau.

Apesar de seguir a linha ortodoxa do judaísmo, o rabino Lau é uma figura muito querida em Israel, conhecido por defender a tolerância religiosa e o diálogo entre grupos opostos.

Um dia antes, três dos principais nomes da política israelense — o premier Benjamin Netanyahu, a líder da oposição, Tzipi Livni, e o presidente do Parlamento, Reuven Rivlin — pediram a Lula que retire o apoio a Teerã e se declare em favor de novas sanções contra o programa nuclear iraniano.

Lula visitou, em companhia de Lau e do presidente israelense, Shimon Peres, o Museu do Holocausto, onde depositou uma coroa de flores nos túmulos simbólicos dos 6 milhões de judeus mortos pelo regime nazista. O presidente também acendeu a “chama eterna”, uma espécie de tocha que é sempre mantida acesa para lembrar as vítimas do Holocausto.

O presidente afirmou que “os dois maiores crimes da História da Humanidade foram o Holocausto e a escravidão”. E sugeriu que todos os líderes mundiais visitem o museu para poderem governar e evitarem futuros genocídios.

— Nunca mais, nunca mais, nunca mais — repetiu Lula, emocionado, antes de plantar uma semente de oliveira num bosque próximo ao memorial.

(Daniela Kresch e Eliane Oliveira)

 

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FIESP

Acordo de Livre Comércio com Israel pode triplicar fluxo com Brasil em cinco anos

Este aumento no volume de comércio poderá ser sustentado com a transferência de tecnologia e inovação israelense, diz Fiesp

O Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e Israel, que deve entrar em vigor no próximo mês, poderá triplicar as trocas comerciais com o Brasil, disse o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, nesta segunda-feira (15), em Jerusalém, Israel.

O anúncio foi feito durante encontro empresarial, que contou com a presença do presidente israelense Shimon Peres, e do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que veio acompanhado pelo ministro Miguel Jorge (do Desenvolvimento) e pelo chanceler Celso Amorim.

Trata-se do primeiro acordo desta natureza assinado pelo bloco do Cone Sul, fora do âmbito da Associação Latino Americano de Integração (Aladi).

“Com o acordo em vigor, podemos aumentar em três vezes o fluxo comercial entre Brasil e Israel até 2015, apoiados na transferência de tecnologia e inovação israelense, áreas em que Israel é referência mundial”, afirmou o presidente da Fiesp.

O acordo trata apenas do comércio de bens e inclui capítulos sobre os temas de regras de origem, salvaguardas, cooperação em normas técnicas, cooperação em normas sanitárias e fitossanitárias, cooperação tecnológica e técnica e cooperação aduaneira.

Inclui ainda a possibilidade de se incluírem novos temas no futuro, como o comércio de serviços e investimentos. O texto abrange 92% das importações e 95% das exportações.

A oferta de Israel contém oito mil itens que terão um cronograma de redução gradual de tarifas em oito anos. A oferta do Mercosul reúne 9.424 itens cujas tarifas serão reduzidas em 10 anos. O Acordo prevê listas separadas para cada país do Mercosul.

Israel excluiu 866 produtos de sua oferta, sendo que os principais setores foram alimentos (238), produtos da agricultura (300) e pecuária (277). Já o Mercosul excluiu 326 produtos de sua oferta, sendo que os principais setores afetados foram têxteis (126), químicos (49) e materiais de transporte (49).

No entanto, a Fiesp lamenta a exclusão do etanol no texto final das negociações. O produto brasileiro continuará sofrendo com uma tarifa aplicada de 140% mais US$ 0,54 por galão para entrar no mercado israelense.

Fábio Rocha, de Jerusalém, Israel, para Agência Indusnet Fiesp

 

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